Ângulo de fase como preditor do estado nutricional em pacientes com doença de Crohn

Postado em 9 de março de 2020 | Autor: Marcella Gava

Pacientes com Doença de Crohn tinham peso, IMC, massa magra, força de preensão palmar e ângulo de fase significativamente menores

Estudo teve como objetivo avaliar o estado nutricional de pacientes com doença de Crohn (DC) através da avaliação de composição corporal, ângulo de fase (AF) e força muscular (FM) e medir se a duração da doença e o tratamento farmacológico poderiam influenciar a composição corporal e o ângulo de fase. Para isso, foram incluídos indivíduos com diagnóstico de DC entra 18 e 65 anos e definido a atividade da doença pelo índice CDAI. Foi realizada avaliação corporal e identificado o AF utilizando bioimpedância elétrica, calculado IMC, mensurado a força de preensão palmar (FPP) e avaliado indicadores bioquímicos.

Fizeram parte do estudo um grupo de indivíduos saudáveis para controle e 140 pacientes com DC, sendo que 78 estavam na fase de remissão e 62 apresentaram atividade de doença, e 53% dos pacientes passou por cirurgia prévia por DC. Para o tratamento, 40% dos pacientes estavam fazendo uso de agentes biológicos (nfliximab, adalimumab e vedolizumabe), 29% tratamento tradicional (17% imunossupressores e 12% mesalazina), e 31% não estava realizando tratamento medicamentoso devido a fase da doença. O estado nutricional diferiu entre os grupos, sendo que o peso corporal, IMC, massa magra, FPP e AF foram significativamente menores nos pacientes com DC. Ainda, pacientes no grupo ativo da doença apresentaram menores valores de peso corporal, massa gorda e AF que os do grupo da doença em remissão.

O AF se correlacionou negativamente com idade, CDAI e percentual de gordura, e positivamente com peso corporal, massa magra e FPP. Hemoglobina, albumina, prealbumina, proteinas totais e pseudocolinesterase estavam reduzidas na fase ativa da doença em comparação a remissão (p<0,05). O AF também se correlacionou diretamente com Hemoglobina, albumina, prealbumina e proteínas totais e inversamente com fração alfa-2 e fibrinogênio. A localização intestinal da doença não influenciou as variáveis nutricionais ou de função avaliadas. Entre os grupos de tratamento biológico, convencional e sem tratamento, não houve diferença significativa entre AF, composição corporal ou FPP. Entretanto, o AF apresentou uma tendencia a estar maior no grupo biológico. Em comparação aos controles, o AF estava diminuído no grupo convencional e sem tratamento, porém não nos pacientes de tratamento biológico. Todos os grupos apresentaram AF do braço e FPP menores que o grupo controle, enquanto somente indivíduos sem tratamento apresentaram menor peso corporal.

Assim, os autores concluíram que o AF é uma ferramenta válida na avaliação do estado nutricional de pacientes com DC e apoiado pela avaliação de biomarcadores nutricionais e estes decrescem com o aumento da atividade da doença. Foi observada redução de força muscular e de composição corporal nestes pacientes em relação aos saudáveis, podendo ser considerados marcadores de deficiência nutricional. Assim, a bioimpedância elétrica com medida de angulo de fase deve ser recomendada na triagem e monitoramento do estado nutricional destes pacientes com doença de Crohn.

Referência:

Cioffi I et al. Assessment of bioelectrical phase angle as a predictor of nutritional status in patients with Crohn’s disease: A cross sectional study. Clin Nutr. 2019 Jul 4.

Leia também