Série Micronutrientes – Qual é a importância do ácido fólico?

Postado em 15 de abril de 2019 | Autor: Natália Lopes

O ácido fólico avaliado desde sua biodisponibilidade até os principais riscos para a saúde envolvendo a sua deficiência

Ácido fólico ou folato é uma vitamina hidrossolúvel, também conhecida como vitamina B9, envolvida no metabolismo de carbono, cuja forma biologicamente ativa é o ácido tetra-hidrofólico (THF).

Nos alimentos, está presente na forma de conjugados de folato que são hidrolisados no intestino, por ação de uma peptidase dependente de zinco. Logo, a deficiência do zinco pode comprometer a absorção do ácido fólico. Sua biodisponibilidade varia de 40 a 80% e, quando na forma livre, é absorvido por transporte ativo no duodeno ou jejuno. O ácido fólico, quando proveniente de fontes lácteas, apresenta-se conjugado a uma proteína, o que aumenta sua biodisponibilidade e absorção pelo íleo. Outras fontes de ácido fólico encontram-se na tabela 1. Após a absorção, o folato é transportado ligado a proteína ligadora de folato ou a albumina. Nossa reserva corporal fica em torno de 7,5mg de ácido fólico e sua meia vida é de 101 dias, apresentando baixa excreção renal.

 

Tabela 1. Conteúdo de ácido fólico em 100g de alimentos.

Alimento Quantidade de ácido fólico (µg)
Brócolis 61
Ervilha 65
Espinafre 108
Feijão preto cozido 149
Fígado bovino 220
Fígado galinha 770
Gema de ovo 40
Laranja 30
Lentilha 181

 

A avaliação de folato sérico reflete a ingestão recente, enquanto o folato eritrocitário representa os estoques teciduais de um período mais longo. O baixo status de folato pode ser causado pela baixa ingestão dietética, etilismo crônico, má absorção e alteração do seu metabolismo devido a defeitos genéticos ou interações medicamentosas, comuns durante o uso de quimioterápicos, antibacterianos e antiepiléticos.

Os principais riscos para a saúde envolvendo a deficiência de folato são: anemia megaloblástica, alterações neurológicas, como depressão, demências e aumento do risco de Alzheimer, e defeitos na formação do tubo neural, fato que justifica a suplementação de ácido fólico por mulheres na fase de preconcepção (até 12 semanas antes da concepção) e nos meses iniciais de gestação.

A frequência da deficiência populacional também estimulou o enriquecimento de farinha de trigo e milho com ácido fólico, estratégia que ajudou a diminuir casos de encefalia e espinha bífida. Existe também uma relação entre ácido fólico e homocisteína. A deficiência de ácido fólico promove o surgimento de hiper-homocisteinemia, associando-se, indiretamente, com o aumento de aterosclerose e doenças cardiovasculares.

Não são conhecidos efeitos tóxicos do ácido fólico e sua UL é de 1000µg/dia para adultos. A recomendação de ingestão diária segundo as DRI’s pode ser observada na tabela 2.

 

Tabela 2. Ingestão de referência de ácido fólico

Idade EAR (µg/dia) RDA (µg/dia)
0-6 meses 65 (AI)
7- 12 meses 80 (AI)
1 – 3 anos 120 150
4 – 8 anos 160 200
9 – 13 anos 250 300
14 – 18 anos 330 400
> 19 anos 320 400
Gestantes 520 600
Lactantes 450 500

EAR = necessidade média estimada; RDA = ingestão dietética recomendada

Referências:

COZZOLINO, Silvia M. Franciscato. Biodisponibilidade de nutrientes. 5ed. São Paulo: Editora Manole, 2016.

DONNELLY, James G.. Folic Acid. Critical Reviews In Clinical Laboratory Sciences, [s.l.], v. 38, n. 3, p.183-223, jan. 2001. Informa UK Limited.

SCAGLIONE, Francesco; PANZAVOLTA, Giscardo. Folate, folic acid and 5-methyltetrahydrofolate are not the same thing. Xenobiotica, [s.l.], v. 44, n. 5, p.480-488, 4 fev. 2014. Informa UK Limited