Validação de equação preditiva de gasto energético em pacientes com câncer gastrointestinal

Postado em 26 de março de 2020 | Autor: Marcella Gava

A maioria dos pacientes estudados que tinham tumores sólidos eram sarcopênicos

Estudo brasileiro da USP objetivou validar uma equação preditiva para gasto energético em repouso (GER) em pacientes com câncer gastrointestinal (CaGI) avançado. Para avaliaram e classificaram o estado nutricional de pacientes de acordo com seus IMCs, sendo utilizado NRS para avaliar o risco nutricional e aplicado ASG-PPP nos indivíduos com risco. Sarcopenia foi definida de acordo com o critério de Kyle, que considera a área de massa magra. O GER foi mensurado com equipamento próprio para isto. Também foi avaliado composição corporal, hidratação e ângulo de fase por impedanciometria.
O estudo incluiu 109 pacientes com diagnóstico de CaGI acima de 18 anos, e 202 mensurações de GER foram avaliadas. A maioria dos pacientes era homem (72,5%), com 60 anos ou mais (61,5%), e com câncer esofágico (62,4%). 71,6% estavam desnutridos pela classificação pelo IMC (71,6%), 79,8% com déficit de massa magra, 83,5% com sarcopenia, e a maioria apresentava ângulo de fase abaixo do percentil 50 para idade, sexo e IMC, demonstrando uma integridade celular prejudicada, além da condição de estado nutricional deficiente. 56,9% eram hipermetabólicos (56,9%) e a ingestão calórica destes nos 3 dias anteriores a aferição foi insuficiente em 43,1% dos pacientes. De acordo com o coeficiente de correlação intraclasse, notou-se uma concordância moderada entre GER aferida pelo padrão ouro (calorimetria) e a fórmula de Souza-Singer (p<0,001) e uma baixa concordância entre o padrão ouro e Harris-Benedict. Quando realizada regressão linear múltipla, observou-se que, nesse grupo de pacientes com câncer gastrointestinal, apenas massa magra, ângulo de fase e sexo foram as variáveis ​​independentes ajustadas por idade que influenciaram o GER, diferente da fórmula de Souza-Singer.
Assim os autores propuseram a seguinte fórmula para estimar o GER em pacientes com CaGI: 619,9 + 12,9 x FFM (massa magra) + 29,6 x PA (ângulo de fase) + 111,5 x sex (0 se mulher, 1 se homem).
Concluiu-se que as equações preditivas baseadas no peso podem subestimar o gasto energético, pois a maioria dos pacientes com tumores sólidos são sarcopênicos, como na população estudada, e uma nova equação que considera AF e composição corporal pode trazer maior precisão na estimativa de GE.

Referência: 

Ozorio GA et al. Validation and improvement of the predictive equation for resting energy expenditure in advanced gastrointestinal cancer. Nutrition. 2019 Dec 9;73:110697.

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