Anticoncepcional causa prisão de ventre? Mitos e verdades sobre a pílula e a alimentação

Postado em 22 de julho de 2019 | Autor: Redação Nutritotal

Veja agora os efeitos colaterais no organismo que podem estar ligados ao uso de contraceptivos orais

A pílula anticoncepcional é um método comumente usado para prevenir a gravidez e controlar os ciclos menstruais. Porém, o medo em torno dos efeitos colaterais que ela pode causar faz com que muitas mulheres a evitem, em especial quando o assunto é ganho e perda de peso.

Um estudo publicado no American Journal of Obstetrics and Gynecology afirma que algumas mulheres são mais propensas a interromper o uso do contraceptivo por causa de efeitos colaterais adversos. Porém, o mesmo estudo ressalta a importância de se discutir tais efeitos com o médico antes da interrupção.

4 mitos e verdades sobre o anticoncepcional e a alimentação

Para solucionar suas dúvidas, nada melhor do que conferir o que é mito ou verdade nessa relação entre o anticoncepcional e a balança.

Mulher segurando uma cartela de anticoncepcionais

O anticoncepcional pode causar desconfortos abdominais | Imagem: Shutterstock

A pílula anticoncepcional causa alteração no fluxo intestinal?

Verdade. Segundo cientistas, o uso prolongado de anticoncepcionais orais pode estar relacionado a doenças inflamatórias do intestino. Isso acontece porque, ao passar pelo órgão, os hormônios da pílula alteram a composição da flora intestinal, a grande responsável pelo processo de absorção de nutrientes  e monitoramento de micro-organismos no corpo, resultando em uma alteração no fluxo intestinal.

Contraceptivos provocam ganho de peso repentino?

Mito. Um estudo feito na Universidade de Durham, na Carolina do Norte (EUA), comparou 22 análises sobre as pílulas anticoncepcionais e o aumento de peso. E chegou à conclusão de que mais da metade dos levantamentos resultavam de evidências de baixa qualidade, portanto não poderiam comprovar que a pílula provocou o ganho de peso.

Mesmo entre as mulheres que ganharam peso ao tomar o anticoncepcional, na maioria das vezes, o máximo de peso acumulado foi de 2 kg em um período de aproximadamente um ano, podendo dobrar esse valor num período de dois a quatro anos de uso consecutivo. Logo, o aumento de peso não pode ser considerado um motivo para evitar a pílula.

Anticoncepcionais podem causar náusea?

Verdade. Um artigo publicado por cientistas da University of Health Sciences (Paquistão) e da Creighton University (EUA) apontou que a náusea pode ser um efeito colateral do uso oral da pílula. Por isso, uma sugestão para evitar o problema, segundo eles, pode ser tomar a medicação à noite, antes de dormir.

Pacientes com doença de Crohn devem evitar o uso da pílula?

Verdade. Em casos mais graves relacionados à inflamação no sistema gastrointestinal, incluindo a doença de Crohn, um estudo divulgado no periódico Gastroenterology alerta que, para esses pacientes com predisposição genética para a doença, o melhor a se fazer é evitar o uso até consultar um profissional de saúde.

Estima-se que quem tenha pré-disposição à doença de Crohn possua até três vezes mais chances de desenvolvê-la com o uso da pílula por um período maior que cinco anos.

 

Este conteúdo não substitui a orientação de um especialista. Agende uma consulta com o nutricionista de sua confiança.

Referências bibliográficas:

Lopez LM. et al. Progestin-only contraceptives: effects on weight. Universidade de Durham, Carolina do Norte (EUA), 2016.

Cooper DB. et al. Oral Contraceptive Pills. University of Health Sciences e Creighton University, 2019.

Hamed Khalili, Fredrik Granath,Karin E. Smedby, Anders Ekbom, Martin Neovius, Andrew T. Chan, Ola Olen. Association Between Long-term Oral Contraceptive Use and Risk of Crohn’s Disease Complications in a Nationwide Study. Gastroenterology. 2016.

Khalili H, Higuchi LM, Ananthakrishnan AN, Richter JM, Feskanich D, Fuchs CS, Chan AT. Oral contraceptives, reproductive factors and risk of inflammatory bowel disease. Epub 2012.

Sanders S. A prospective study of the effects of oral contraceptives on sexuality and well-being and their relationship to discontinuation. American Journal of Obstetrics and Gynecology, 2001.

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