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A alimentação dos atletas do vôlei

Postado em 12 de junho de 2008

A nutricionista Isabella Toledo é responsável pela orientação nutricional das equipes brasileiras de vôlei de todas as categorias. Todos os atletas infantil, infanto-juvenil ou adultos, tanto das equipes masculina como feminina, recebem suas orientações e são avaliados periodicamente.

Conheça um pouco mais das particularidades da alimentação destes esportistas e este acompanhamento nutricional que já dura 10 anos.

1. Como você chegou à equipe brasileira de vôlei?
Eu comecei acho que como todo mundo começa, como estagiária, mais assistindo que participando, porque a seleção brasileira de vôlei não tinha nutricionista na época. Fui convidada a participar pelo dr. João Olyntho, clínico cardiologista, em 1998. Naquela época eu não era contratada. Por algum tempo ainda fiquei mais assistindo, dando algumas orientações. Depois é que eu comecei a trabalhar efetivamente.

2. Como é seu trabalho junto aos atletas atualmente? 
Hoje em dia trabalho com todas as categorias, do infantil até os adultos, masculinas e femininas. O trabalho inicial para os jogos são avaliações nutricional e da composição corporal, que são feitas periodicamente. Com base na avaliação nutricional dou as orientações. Também faço a prescrição das dietas, primeiramente para cada atleta individualmente.

3. Há alguma recomendação de suplementos de vitaminas e minerais ou de macronutrientes? 
A recomendação de suplementos vitamínicos, minerais e macronutrientes é feita individualmente. Quando falta algum nutriente para um atleta, pode acontecer uma queda de desempenho imensa. Há casos, por exemplo, de atletas com anemia. Fazemos, então, a suplementação do sulfato ferroso para corrigir essa carência. Isso é muito comum especialmente entre as meninas, afinal menstruam, e por serem atletas, estão submetidas a treinamentos intensos. Todo ano temos de fazer a correção da carência de ferro em algumas atletas.

4. A partir de que momento os atletas devem se preparar para a competição, em termos nutricionais? 
Para uma competição eles devem estar sempre preparados, porque eles estão sempre em treinamento para competições. As orientações e a forma de se alimentar, no sentido da melhor qualidade, fazem parte do treinamento. Existem orientações para o dia do jogo, para após o jogo, mas nunca nada muito diferente do que eles já estão acostumados no dia-a-dia.

5. Há restrições alimentares em época de competição? 
Temos uma sede de treinamento em Saquarema – RJ, que conta com uma nutricionista no restaurante, que não é da área esportiva. Lá nós fornecemos as refeições e eu mantenho uma boa relação com ela para que seja feito, na prática, o que é ideal para eles. Tentamos manter uma alimentação equilibrada, com carboidratos, proteínas e pouca gordura. Por isso não há fritura, preparações à milanesa ou queijos amarelos. Também existe a preocupação de oferecer sempre saladas e muitos vegetais, de forma bem variada. O restaurante tem um esquema self-service, em buffet, como acontece freqüentemente nos hotéis em que eles vão. Assim fica mais fácil, pois uma vez orientados, eles sabem o que escolher, mesmo eu não estando ali.

6. O que muda no cardápio antes dos jogos? 
Quando estamos bem perto da competição são sempre frutas. Tem muitas frutas no vestiário, eles sempre têm essa opção. A hidratação também é uma preocupação muito grande, todos tomam isotônicos e água. Mas têm também as particularidades. O Giba da seleção masculina, por exemplo, tem aquele chocolatinho no meio do jogo, que dá energia, é ótimo. Não são todos que podem fazer isso, mas se ele fica bem, tudo bem.

7. E depois dos jogos, quais as características da alimentação?
Depois dos jogos eles têm a recomendação de comer imediatamente. Assim que chegam ao vestiário, encontram opções de iogurtes e frutas. Quando voltam ao hotel, depois do banho, dependendo do horário recebem jantar ou lanche, mas sempre têm de se alimentar, a gente tem essa preocupação.

8. E no dia-a-dia dos treinos, como eles se alimentam?
Também é assim no treino, que é feito em Saquarema. De manhã, eles treinam às 7h e levam frutas. Quando acabam, já está perto da hora do almoço e temos um intervalo maior, com mais de uma hora. Quando o treino acontece à tarde, por volta de 17h, acaba às 19h30 ou 20h. Então eles passam no quarto, tomam banho e vão jantar. Com relação à qualidade, é sempre a mesma. Visamos a quantidade proporcional de carboidratos, proteínas e gordura.

9. Há resistência para o seguimento de suas orientações?
Como eu já estou com eles há muito tempo, isso não existe. Hoje em dia, inclusive, quando eles vêem alguma coisa diferente são os primeiros a falar.
Existem as brincadeiras, e eu sempre questiono, mas são só brincadeiras. Se eles vão a algum lugar que está fora daquele padrão eles estranham. No fundo eles sabem que aquilo é o melhor.

10. Qual a média de ingestão calórica deles?
Varia muito de atleta para atleta, porque varia a necessidade de cada um para atingir seu objetivo individual. Vamos pegar o Giba como exemplo. Ele é um atleta que pode ingerir muito mais calorias que o Anderson. Porque possuem estrutura corporal (somatotipos) diferentes, gastos diferentes. Enquanto o Giba precisa comer muito mais para ganhar massa ou até mesmo não perder a que ele já tem, o Anderson já é forte por natureza e consegue acumular mais gordura. Então ele tem que comer menos.

11. Poderia citar um exemplo desta diferença nas calorias consumidas pelos atletas?
O Anderson, por exemplo, que possui mais facilidade para adquirir massa, tem uma dieta de 2.100 a 2.500 kcal. Já o Giba, que apresenta maior dificuldade inclusive para manter a massa já ganha, recebe de 4.000 a 4.400 kcal.

12. Os reservas têm a mesma recomendação que os titulares?
Sim, mesmo porque, a gente não tem esse conceito, nem lembramos quem é reserva, porque na hora do jogo há sempre um rodízio muito grande.

13. Qual dica você daria para os atletas de maneira geral?
Que a maior preocupação deve ser sempre a hidratação. A hidratação é o primeiro capítulo de qualquer livro de nutrição. Tão importante quanto comer bem e corretamente é estar bem hidratado. O desempenho cai muito quando há falha na hidratação. Outra preocupação muito importante é comer imediatamente após o exercício, tanto no treinamento como na competição. É a forma de repor o que foi gasto durante aquele período de atividade, seja ela qual for.

14. Qual a quantidade média de água ingerida pelos atletas diariamente? E durante as competições, quais os valores?
Em qualquer caso, o mínimo são dois litros de água por dia. Mas isso varia, cada um bebe a quantidade que desejar, desde que ultrapasse os 2 litros. Nós sempre recomendamos que eles ingiram líquidos, por isso eles têm sempre à disposição água, tanto nos centros de treinamento, como nos quartos, nos ônibus e na confederação.

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