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A nutrição parenteral pode causar esteatose hepática?

Postado em 22 de maio de 2009 | Autor: Iara Waitzberg Lewinski

Esteatose hepática é o acúmulo de gordura, em grande parte de triglicerídios, no fígado. Alguns fatores como idade avançada, obesidade, diabetes melitus tipo 2, hipertrigliceridemia, excesso de consumo de álcool, caquexia, pós-operatório de pacientes submetidos à derivação jejuno-ileal, hepatite induzida por drogas ou toxinas e nutrição parenteral total (NPT) podem contribuir para o surgimento da esteatose.

A maioria dos pacientes que recebem NPT, em 25% a 100% dos casos, por mais de três meses, apresenta alterações bioquímicas hepáticas ou esteatose à biópsia (que é considerada padrão ouro no diagnóstico desta doença). Esta disfunção pode aparecer entre a primeira e a quarta semanas do início da NPT. A infiltração gordurosa se inicia na área periportal, regredindo após o término da NPT.

Alguns mecanismos propostos para explicar esta complicação são: quantidade elevada de glicose determinando acúmulo de acetil-CoA com aumento da síntese de triglicerídeos; diminuição da oxidação dos ácidos graxos, particularmente se houver deficiência de carnitina; excesso de lipídios (> 1 g/Kg/dia); deficiência de ácidos graxos essenciais e diminuição da síntese de lipoproteína devido à desnutrição ou rápida perda de peso.

A presença de desnutrição prévia pode favorecer o aparecimento precoce de esteatose hepática. Em 15% destes casos de esteatose pode haver progressão para inflamação e posterior fibrose e cirrose.

Medidas como reduzir a oferta calórica e adequar a quantidade de lipídeos à prescrição podem reverter esta alteração. Alguns estudos referem desaparecimento do quadro de esteatose com a retirada dos lipídeos da NPT, porém há controvérsias. Não havendo oferta de ácidos graxos essenciais, ao retirar as calorias provenientes das gorduras, o aporte calórico diminui muito e haveria a necessidade de aumentar as calorias provenientes de carboidratos, o que também é fator de risco para a esteatose.

A adição de glutamina à NPT pode proteger contra a disfunção hepática relacionada à NPT, porém os autores sugerem mais estudos.

Pergunta enviada pela leitora Vanusa Barreto Medeiros.

Bibliografia

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