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Aderência a dieta pobre em carboidrato é pequena

Postado em 23 de dezembro de 2003 | Autor: Patricia Logullo

Pesquisa realizada por quatro universidades norte-americanas avaliou os resultados, em termos de perda de peso, de uma dieta com baixo nível de carboidrato, porém alto teor de proteína e gordura, comparados com os de uma outra dieta de proporções diferentes: alto teor de carboidrato, baixo de proteína e gordura, chamada de “dieta convencional”. A perda de peso entre os 63 obesos participantes foi maior com a dieta contendo baixo nível de carboidrato.

“Como há um número crescente de pessoas querendo emagrecer e, ao mesmo tempo, um número cada vez maior de obesos, quisemos testar a dieta do Dr. Atkins: dela muito se fala e poucos estudos são realizados em período longo de tempo na literatura”, explicam os autores. O trabalho envolveu a orientação alimentar a 63 pessoas, que foram reavaliadas aos três, seis e doze meses de estudo. Ao final do período, 58% dos indivíduos continuavam em dieta e não houve diferença estatisticamente significativa entre o número de pessoas que abandonaram a dieta convencional e o das que abandonaram a dieta pobre em carboidratos.

O estudo foi randomizado, controlado e teve a duração de 1 ano. Participaram 43 mulheres e 20 homens, saudáveis, sem doença associada à obesidade e sem uso de medicação que pudesse afetar seu peso corpóreo. Formaram-se dois grupos: o primeiro, contendo 33 indivíduos, recebeu dieta de estudo, em que a ingestão de carboidratos foi limitada a 20 g/dia nas primeiras duas semanas e a de proteínas e gorduras, liberada (conhecida como “a dieta do Dr. Atkins”). A ingestão de carboidratos, após as duas primeiras semanas, foi gradualmente aumentada até que fosse atingido o peso almejado. Os componentes desse grupo receberam o livro sobre “a dieta do Dr. Atkins” como orientação.

O outro grupo, contendo 30 obesos, recebeu uma dieta convencional, de restrição energética (1.200 a 1.500 kcal/dia para mulheres e 1.500 a 1.800 kcal/dia para homens), com 60% das calorias provenientes de carboidratos, 25% de gordura e 15% de proteínas. O grupo recebeu um manual sobre controle de peso, contendo explicações sobre a pirâmide alimentar, para orientá-los na dieta.

A perda de peso foi cerca de 4% maior nos indivíduos que seguiram a dieta de estudo, quando comparados com os do grupo da dieta convencional, aos três (p = 0,002) e aos seis meses de acompanhamento (p = 0,03). Porém a diferenças não foi estatisticamente significante após um ano (p = 0,27).

Os pesquisadores atribuem a falha ao final do tratamento a dois fatores: a recuperação do peso perdido após um ano e o reduzido tamanho da amostra. “Nossos dados sugerem que a adesão a longo prazo a qualquer dieta, especialmente quando há pouca supervisão, pode ser difícil”, avaliam, apontando que a taxa de abandono foi igual para as duas dietas. “O mecanismo responsável pela ingestão energética reduzida da dieta rica em proteínas e gorduras não é conhecido, mas pode estar relacionado com a monotonia, com alterações nos fatores de saciedade plasmáticos e centrais ou outros que interferem no apetite, na saciedade e na aderência à dieta”.

Os autores concluem que ainda não há evidências que suportem o uso de dietas pobres em carboidratos para obesos em geral, sem supervisão, especialmente sem a avaliação nutricional de médico ou nutricionista. Além disso, a perda de peso de fato obtida com a dieta do Dr. Atkins “não foi maior do que a obtida normalmente com terapias comportamentais e farmacológicas”, alertam os autores.

Referência (s)

Foster GD, Wyatt HR, Hill JO, et al. A Randomized Trial of a Low-Carbohydrate Diet for Obesity. N Engl J Med. 2003;348:2082-90.

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