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Brasileiro ingere pouca fibra?

Postado em 21 de fevereiro de 2003 | Autor: Patricia Logullo

O Nutritotal perguntou a seus leitores, por meio de uma enquete, se achavam que o brasileiro come fibra suficiente para manter uma alimentação saudável. A comunidade de usuários do Nutritotal é composta, na maioria, por nutricionistas e estudantes de nutrição e 90,51% opinaram que nossa dieta não contém o teor de fibras alimentares recomendado.

O resultado da pesquisa não surpreendeu a nutricionista Lúcia Leal de Mattos, professora de Nutrição em Saúde Pública da Universidade de Guarulhos: “Esse resultado mostra o que vemos na prática”, declarou ao Nutritotal. “No dia-a-dia, notamos um aumento na ingestão de carboidratos, gorduras e proteínas provenientes das comidas de preparo mais prático. Claro que temos que respeitar as diferenças regionais, pois vivemos num país de dimensões continentais. Mas, de uma maneira geral, isso é verdade: comemos menos fibra do que deveríamos e o feijão é a sua maior fonte”.

Lúcia realizou uma pesquisa com a população da cidade de Cotia, em São Paulo, e verificou, por inquérito alimentar de 24 horas, que o consumo médio diário de fibras totais foi de 24 g: abaixo, portanto, das recomendações mais atuais para o consumo de fibras alimentares. A Organização Mundial de Saúde, com base em estudos internacionais, recomenda que sejam ingeridos, no mínimo, 400 g de frutas e vegetais, alimentos ricos em fibras. “Mas quem é que consegue comer três frutas por dia mais verduras e legumes?”, comenta a professora Lúcia. “Nem entre meus alunos de Nutrição encontro quem cumpra com a orientação, embora detenham conhecimento suficiente para saber que isso seria o saudável”.

Na pesquisa realizada por Lúcia, em que arroz e feijão apareceram como os alimentos mais consumidos, o feijão foi responsável por fornecer, em média, de 6,28 a 9,76 g de fibras por dia a cada entrevistado, de um total de 24 g. “É difícil afirmar que todo brasileiro ingere essa quantidade de fibras ou de feijão”, alerta a pesquisadora. “Nem mesmo em São Paulo temos uma uniformidade na dieta, pois há 6 milhões de nordestinos e mais outra grande porção de imigrantes de outras culturas no Estado”.

Embora não se possa falar numa única “dieta do brasileiro”, já se tem algumas pistas, na literatura científica, sobre qual seria o teor de fibras da comida do dia-a-dia de uma cidade como São Paulo. Um estudo de Maria Lima Garbelotti realizado em restaurantes “por quilo” na metrópole paulistana também mostrou que o feijão é a maior fonte de fibras totais e insolúveis e que, das 53 amostras de refeições analisadas, a feijoada ofereceu 12,10 g de fibras e o feijão, 9,72 g (valor bastante próximo do resultado da pesquisa de Lúcia Mattos). A pesquisadora concluiu que as refeições ofereceram uma quantidade total de fibras adequada ao recomendado.

O mesmo não aconteceu no Recife. Rejane Pinheiro Rocha e sua equipe verificaram a ingestão de fibras entre funcionários de um hospital da capital pernambucana. Apenas 37,2% dos entrevistados consumiram fibras suficientes, com baixa ingestão de frutas e hortaliças. Os pesquisadores atribuíram parte disso ao desconhecimento sobre a importância das fibras na alimentação. A nutricionista Lúcia Mattos concorda e atribui a seus colegas o papel de orientar a população sobre as fibras. “Realmente é difícil, mas o ideal é que os nutricionistas recomendem a seus pacientes sem doença que comam frutas e verduras e tomem bastante água também. Temos que começar a fazer essa orientação desde a infância. Pedindo, por exemplo, que as mães ofereçam saladas para as crianças”, defende. “Até porque comer mais fibra significa absorver menos gordura, colesterol e até carboidratos, conduzindo a uma prevenção da obesidade”.

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