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CATETER CENTRAL DE INSERÇÃO PERIFÉRICA X TROMBOSE O cateter central de inserção periférica pode ser um fator de risco para trombose venosa?

Postado em 23 de outubro de 2002

Newsletter Nutritotal Nutrição Parenteral XXI

CATETER CENTRAL DE INSERÇÃO PERIFÉRICA X TROMBOSE

O cateter central de inserção periférica pode ser um fator de risco para trombose venosa?

Venous thrombosis associated with peripherally inserted central catheters: a retrospective analysis of the Cleveland Clinic experience. Chemaly RF, de Parres JB, Rehm SJ, Adal KA, Lisgaris MV, Katz-Scott DS, Curtas S, Gordon SM, Steiger E, Olin J, Longworth DL. Clin Infect Dis 2002; 34(9): 1179-83.

Cateteres centrais de inserção periférica (PICC) tornaram-se populares para administração de antibióticos em longo prazo. Embora esses dispositivos sejam geralmente considerados seguros, complicações trombóticas podem estar associadas com seu uso. Numa revisão retrospectiva, 51 (2,47%) de 2.063 pacientes que tiveram PICC instalado entre 1994 e 1996 desenvolveram 52 episódios de trombose venosa (TV). Dois deles tiveram diagnóstico de embolismo pulmonar como complicação da TV. Análise de regressão logística múltipla revelou que os fatores de risco para TV foram menor idade, história prévia de TV, alta de enfermaria e terapia com anfotericina B. TV é uma complicação significativa da instalação de PICC. Pode ocorrer mais freqüentemente do que o anteriormente reconhecido e pode ser complicada por embolia pulmonar. Clínicos devem ter alto índice de suspeita, especialmente em pacientes com alto risco.

Venous thrombosis associated with the placement of peripherally inserted central catheters. Allen AW, Megargell JL, Brown DB, Lynch FC, Singh Y, Waybill PN. J Vasc Interv Radiol 2000; 11(10): 1309-14.

Cateteres centrais de inserção periférica (PICC) tornaram-se importantes componentes do tratamento de um número cada vez maior de pacientes, incluindo aqueles em hemodiálise. As taxas de trombose venosa (TV) sintomática associada a PICC estão baseadas em sinais clínicos e variam de 1 a 4%. OBJETIVO: analisar a verdadeira taxa de trombose de veias superiores de extremidades após a inserção de PICC e o potencial impacto desta via de acesso, no futuro, em pacientes em hemodiálise. MÉTODOS: análise retrospectiva de pacientes com venografia inicial normal, com PICC e que tiveram repetidas venografias. Idade, sexo, veia canalizada, tamanho do cateter, local e incidência de trombose foram as variáveis estudadas. RESULTADOS: 354 PICCs foram instalados em 119 pacientes. Das 144 extremidades, 137 tiveram venografia inicial normal. Destas, 32 eram de pacientes que desenvolveram trombose na veia cateterizada ou em veias centrais após a instalação do PICC (23,3%). Ao se considerar todas as extremidades com múltiplos PICCs instalados, 52 desenvolveram trombose, para uma taxa total de trombose de 38%. A incidência de trombose por local foi: encefálica, 57%; basílica 14% e braquial, 10%. Não se notaram diferenças significativas nas taxas de trombose para idade, sexo ou tamanho do cateter. CONCLUSÕES: há uma relativamente alta taxa de TV associada com PICCs, particularmente de trombose encefálica. Por causa da alta taxa de TV associada a PICCs, um modo alternativo de acesso deveria ser considerado em atuais ou potenciais pacientes em hemodiálise. Todo pacientes com história de inserção de PICCs com necessidade de diálise devem passar por venografia de extremidades antes da inserção do cateter permanente.

Venous thrombosis related to peripherally inserted central catheters. Grove JR, Pevec WC. J Vas Interv Radiol 2000; 11(7): 837-40.

OBJETIVOS: determinar fatores que possam levar a trombose venosa (TV) em pacientes com cateteres centrais de inserção periférica (PICC). MÉTODOS: prontuários de 678 pacientes com 813 PICCs em 1997 foram cruzados com os de todos os pacientes submetidos a exame venoso por duplex (1.631) no mesmo período. Foram analisados diagnóstico, solução infundida, posição da ponta do cateter, acesso venoso e diâmetro do cateter. RESULTADOS: enfermeiros inseriram 269 PICCs, com 12 TVs (taxa de 4,5%). Radiologistas instalaram 544 PICCs, com 20 TVs (3,7%). Não houve diferença significativa nestas taxas. A taxa total de TV foi de 3,9%. Após análise multivariada, apenas o diâmetro do cateter permaneceu significativo. Não houve trombose em cateteres de 3 F de diâmetro ou menores. A taxa de TV para cateteres de 4 F foi de 1%; de 6,6% para os de 5 F e 9,8% para os de 6 F. CONCLUSÕES: taxas de trombose associadas à PICCs foram baixas (3,9%). O menor diâmetro possível para o cateter deve ser utilizado para redução da incidência de trombose.

COMENTÁRIOS

Dados os relatos de trombose venosa (TV) associada ao uso de cateteres centrais de inserção periférica (PICC), pesquisadores passaram a investigar recentemente as razões para esses episódios que tanto prejudicam a evolução clínica dos pacientes. O objetivo é estabelecer fatores de risco para melhor indicar o uso desses dispositivos.

Três equipes norte-americanas estudaram, nos dois últimos anos, alguns dos possíveis fatores de risco. Chemaly e colaboradores verificaram que TV deve ser uma preocupação dos clínicos, pois pode ser mais comum do que o previamente relatado, especialmente entre pacientes mais jovens e com alta da enfermaria ou em uso de antibiótico. Allen e colaboradores apuraram que a hemodiálise pode ser um fator complicador e um estudo de imagem do local de inserção do cateter pode ser útil antes do procedimento. Finalmente, Grove e Pevec abordaram algumas outras variáveis possivelmente envolvidas no desenvolvimento de TV, como a solução a ser infundida, a posição de inserção da ponta do cateter, a veia acessada e as condições clínicas (e diagnósticas) do paciente. A dupla verificou que o diâmetro do cateter é uma característica a ser considerada: quanto menor o diâmetro, mais seguro o procedimento em termos de risco para TV.

Claro que mais de variáveis poderiam influenciar no risco para desenvolvimento de TV, desde as condições físicas do cateter como destacado por Grove e Pevec , até as condições clínicas do paciente, como uma predisposição para o desenvolvimento de trombose. Estudos mais amplos, que contemplem o controle de variáveis de confusão, seriam úteis para ajudar os clínicos a prevenir a TV associada ao dispositivo.

Por: Dr. Dan L. Waitzberg
Professor Associado do Departamento de Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – FMUSP e Diretor do Grupo de Nutrição Humana – GANEP

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