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Chiclete com nicotina e cafeína previne ganho de peso

Postado em 18 de dezembro de 2003 | Autor: Camila Garcia Marques

Pesquisa realizada em Frederiksberg avaliou o efeito termogênico de um tipo de chiclete contendo diferentes doses de nicotina e cafeína. Mascar o chiclete pode ser uma estratégia para controlar o ganho de peso de indivíduos que param de fumar. Os autores encontraram efeito termogênico pronunciado com o uso de 1 mg de nicotina e perceberam que esse resultado pode ser aumentado quando se adicionam 100 mg de cafeína ao produto.

Mesmo que os fumantes saibam dos malefícios que o cigarro pode causar (riscos aumentado para câncer de pulmão, doenças respiratórias e cardiovasculares, diabetes etc.), o motivo para não deixarem o hábito muitas vezes é o ganho de peso, comum após a interrupção do fumo. Realmente, costuma haver ganho de aproximadamente 5% do peso corpóreo de pessoas que interrompem o tabagismo, pois, com a retirada da exposição à nicotina, ocorre, conseqüentemente, redução do metabolismo, alteração de preferências alimentares, ou ainda maior consumo alimentar para substituir o efeito psicológico do tabaco.

O chiclete de nicotina é uma estratégia para aliviar os sintomas da abstinência do fumo e pode ajudar a prevenir o ganho de peso. O motivo desse efeito “milagroso” da nicotina é seu poder de aumentar o gasto de energia. Portanto, ao parar de fumar e de absorver nicotina, o indivíduo acaba gastando menos energia e se alimentando mais. Esse desequilíbrio gera o aumento no peso corpóreo. O estudo alemão verificou, porém, que o efeito desta estratégia é maior quando associado à cafeína.

Participaram do trabalho 12 homens saudáveis, entre 18 e 45 anos de idade. Seu índice de massa corpórea (IMC) era de 18,5 a 25 kg/m 2. Seis deles eram fumantes e os outros seis, não-fumantes. O estudo foi randomizado, duplo cego e controlado com placebo. Cada indivíduo recebeu sete tipos diferentes de chiclete: com 0/0, 1/0, 2/0, 1/50, 2/50, 1/100 e 2/100 mg de nicotina/mg de cafeína. Todos deveriam mascar o chiclete por 25 min para aumentar a absorção dos componentes em estudo. A resposta termogênica foi 3,7%, 4,9%, 7,9%, 6,3%, 8,5% e 9,8%, respectivamente. O efeito termogênico foi mais pronunciado no chiclete contendo 1 mg de nicotina/100 mg de cafeína.

“Pelo fato de que a nicotina induz resistência insulínica, que aumenta o risco para doença cardiovascular, é vantajoso conseguir o mesmo balanço energético com reduzidas doses de nicotina”, defendem os autores. “O efeito termogênico de 1 mg de nicotina aumenta em 100% quando ela é combinada com 100 mg de cafeína, enquanto que o aumento de 1 mg para 2 mg de nicotina não elevou a termogenicidade e ainda provocou efeitos colaterais na maioria dos indivíduos”.

“A nicotina faz aumentar a atividade simpática, com maior liberação de norepinefrina das terminações nervosas e subseqüente estimulação de beta-adrenoreceptores nos tecidos-alvo da termogênese. A cafeína age amplificando o sinal pós-recepção via antagonismo do efeito da adenosina e inibição do monofosfato de adenosina cíclica.”

Referência (s)

Jessen AB, Toubro S, Astrup A. Effect of chewing gum containing nicotine and caffeine on energy expenditure and substrate utilization in men. Am J Clin Nutr. 2003;77(6):1442-7.

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