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Como calcular e prescrever a nutrição parenteral de um adulto estável de 70 kg, cuja indicação seja desnutrição pré-operatória?

Postado em 8 de dezembro de 2006 | Autor: Camila Garcia Marques

As necessidades nutricionais dos indivíduos que recebem nutrição parenteral (NP) devem fornecer todos os nutrientes essenciais em quantidades adequadas, garantindo a manutenção da vida, crescimento celular e tecidual. Porém, essas necessidades podem variar conforme o estado nutricional, doença, condição metabólica, duração da terapia nutricional, dentre outros (1-2).

Como os métodos disponíveis para medir o gasto energético impõem condições que dificultam suas aplicações na prática clínica, utilizam-se fórmulas para o cálculo da estimativa das necessidades energéticas (3).

Dessa maneira, realiza-se primeiramente o cálculo do gasto energético total do paciente, e logo após avalia-se a quantidade de calorias que o paciente deve receber. A partir disso quantifica-se cada nutriente, iniciando pela proteína e depois completando com os carboidratos e os lipídeos (4-5). A NP pode ser ofertada contendo todos os nutrientes juntos, conhecida como solução 3:1, ou com a quantidade de lipídios separadamente, chamada de solução 2:1.

É importante ressaltar que a determinação correta das calorias é fundamental, visto que em excesso podem acarretar diversas complicações aos pacientes, tais como aumento da produção de calor, freqüências respiratória e cardíaca, esteatose hepática nos casos de aumento de carboidratos, entre outros (6).

Uma estimativa de caloria a ser ofertada para o paciente, de acordo com a Associação Americana de Nutrição Enteral e Parenteral (Aspen), é de 20 a 35 kcal/kg de peso/dia, que é uma faixa de caloria referente aos diferentes graus de estresse devido a condição clínica do paciente. Para carboidratos, deve-se administrar até 7 g/kg/dia, e lipídios até no máximo 2,5 g/kg/dia. Em pacientes críticos, especialmente, indica-se o uso de até 1 g/kg/dia de lipídios. Para a prevenção de deficiência de ácidos graxos essenciais, recomenda-se o uso entre 1 a 2% do valor calórico total (VCT) de ácido graxo ômega-6 (ácido linoléico) e 0,5% do VCT de ácido graxo ômega-3 (ácido alfa-linolênico). Em pacientes estáveis, orienta-se 0,8 g/kg/dia de proteína e, para deficiências metabólicas, essa necessidade aumenta para até 2 g/kg/dia de proteína (4).

Para a adequação de micronutrientes deve-se avaliar qual a melhor dieta que garanta as necessidades diárias do paciente. Se for preciso, realiza-se a reposição com solução de vitaminas e de oligoelementos em soro, fora da solução de NP (5).

Portanto, para um homem de 70kg sem restrições específicas de macronutrientes e micronutrientes, o seguinte cálculo deve ser realizado:

Primeiro passo: calcular o valor calórico.

70 kg x 30 calorias = 2.100 calorias

Segundo passo: calcular a quantidade de proteínas.

1,2 g x 70 kg = 84 g, ou seja, 16%

Terceiro passo: após determinar a proteína, distribuir o restante dos valores entre os carboidratos e lipídeos:

carboidratos: 283,5 g, ou seja, 54%.

lipídeos: 70 g, ou seja, 30%.

Ao introduzir e finalizar a NP, ou seja, no primeiro e no último dia, deve-se utilizar a metade do volume prescrito para que haja adaptação metabólica, enzimática e hormonal, evitando ocorrência de alterações como hiperglicemia, distúrbios hidroeletrolíticos, dentre outros (7).

Caso a NP seja ofertada pela via periférica, deve-se verificar a osmolaridade da solução para evitar, por exemplo, a flebite (1).

Colaboração: Mariana Raslan

Referências

1. Waitzberg DL, Júnior PEP, Cecconello I. Indicação, Formulação e Monitorização em Nutrição Parenteral Total Central e Periférica. In: Waitzberg DL. Nutrição Oral, Enteral e Parenteral na Prática Clínica. 3ed. São Paulo; Editora Atheneu, 2000. p.735-51.

2. Marchini JS, Okano N, Cupo P, Passos NMRRS, Sakamoto LM, Basile-Filho A. Nutrição Parenteral – Príncipios gerais, formulários de prescrição e monitorização. Medicina, Ribeirão Preto. 1998;31:62-72. Disponível em: http://www.fmrp.usp.br/revista/1998/vol31n1/nutricao_parenteral.pdf. Acessado em: 30/11/06.

3. Avesani CM. Necessidades e Recomendações de Energia. In: Cuppari L. Guias de medicina ambulatorial e hospitalar UNIFESP – Escola Paulista de Medicina. São Paulo; Editora Manole, 2002. p. 27-46.

4. ASPEN Board of Directors and the Clinical Guidelines Task Force. Guidelines for the use of parenteral and enteral nutrition in adult and pediatric patients. JPEN J Parenter Enteral Nutr. 2002;26(1 Suppl):1SA-138SA.

5. Brito S, Dreyer E. Terapia Nutricional – Condutas do Nutricionista. Grupo de Apoio Nutricional Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional GAN/EMTN – HC (Hospital das Clínicas). Disponível em: http://www.nutritotal.com.br/publicacoes/files/139–manual%20nutricionista%20TN.pdf. Acessado em: 30/11/06.

6. Rocha EM. Determinação do Gasto Energético em Pacientes Críticos. In: Ferro HC. Nutrição Parenteral e Enteral em UTI. Editora Atheneu, 2001. p.01-23.

7. Manual de terapia nutricional do hospital das clínicas da UNICAMP. Acessado em 07/12/2006. Disponível em: http://virtual.unaerp.br/servlets/Download?idContent=2699. Acessado em: 30/11/06.

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