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Doenças cardíacas na infância

Postado em 19 de dezembro de 2008

Confira os principais problemas que acometem o coração dos pequenos e também como prevenir, diagnosticar e tratá-los

Os defeitos cardíacos congênitos ocorrem em quase 1% das crianças e constituem uma das principais causas de óbito por problemas congênitos no primeiro ano de vida. Para conhecer um pouco mais sobre o assunto, e como a alimentação pode contribuir tanto para melhorar como para agravar estes problemas, o Nutritotal conversou com a dra. Dra. Marina Maccagnano Zamith, cardiologista e ecocardiografista pediátrica e fetal da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) e do complexo hospitalar Santa Joana e Pró-matre paulista.

Mestre em cardiologia pela UNIFESP e coordenadora do curso de rastreamento pré-natal das malformações cardíacas da UNIFESP, a especialista fala sobre doenças como a febre reumática, que podem ser adquiridas e tratadas durante a infância, ou defeitos congênitos, que pode ser diagnosticados e até mesmo tratados ainda durante a gestação. Confira!

1. Quando costumam ser detectados e quais as principais formas de tratamento?
Os defeitos cardíacos congênitos mais graves se manifestam logo após o nascimento ainda nos primeiros dias de vida. Os demais usualmente são detectados nos primeiros meses de vida durante o acompanhamento pediátrico mensal quer seja com o surgimento de sintomas como cansaço, falta de ar ou com a ausculta de sopro durante o exame. Dependendo do problema identificado pode ser necessário o uso de medicamentos e a programação de algum procedimento para correção que pode ser cirurgia ou por cateterismo. Isto será esclarecido aos pais durante o acompanhamento que é feito pelo especialista no assunto que é o cardiologista pediátrico.

2. Quais os principais avanços em diagnósticos e tratamentos nesta área nos últimos anos?
Um dos maiores avanços foi, sem dúvida, a possibilidade de se realizar o diagnóstico antes do nascimento durante a gestação, graças aos avanços nos equipamentos de ultra-som. A ecocardiografia fetal é o ultra-som do coração do feto e permite este diagnóstico precoce, assim, ao nascimento, se este bebê tiver um defeito mais grave, ele será recebido de imediato por uma equipe especializada em cardiologia neonatal e terá o tratamento iniciado antes mesmo de apresentar sintomas mais sérios. Com isso, os pais já se preparam para o nascimento de um filho que precisará de mais cuidados no início da vida. Alguns defeitos podem necessitar de tratamento intra-útero, o que será avaliado por uma equipe especializada nestes procedimentos. Com relação ao tratamento após o nascimento, nas últimas duas décadas se observou um grande avanço no tratamento cirúrgico de defeitos cardíacos tidos antes como sem prognóstico, inclusive com técnicas desenvolvidas por equipes de cirurgia cardíaca pediátrica brasileiras. As intervenções por cateterismo também evoluíram do mesmo modo e são recomendadas para alguns tipos de defeitos.

3. Há previsão de novidades para um futuro próximo?
Sempre existem novidades com relação ao diagnóstico e tratamentos das cardiopatias congênitas. Por este motivo, deve-se sempre procurar um cardiologista pediátrico, que é o especialista nesta área e tem a obrigação de se manter atualizado.

4. A senhora tem observado aumento da incidência de problemas cardíacos em crianças? A que se deve este aumento?
Sim, principalmente os relacionados à obesidade. Na sociedade moderna, cada vez mais as crianças são sedentárias e apresentam hábitos alimentares errados, levando à obesidade. Este tem sido um problema que tem aumentado nos últimos tempos.

5. Como o sobrepeso e a obesidade na infância influenciam a saúde do coração infantil e quais as repercussões na idade adulta?
A criança com sobrepeso ou obesa pode ter níveis aumentados do colesterol ruim (o LDL – lipoproteína de baixa densidade) e níveis baixos do colesterol bom (o HDL – lipoproteína de alta densidade), o que leva ao acúmulo de placas de gordura nas artérias no decorrer da vida. A aterosclerose do adulto já se inicia na infância. Além disso, pode haver uma predisposição genética a níveis altos de colesterol na infância.

6. Como a alimentação pode interferir positiva e negativamente nas crianças?
A alimentação errada pode desencadear ou agravar os diversos problemas acima citados, enquanto que hábitos alimentares adequados são fundamentais na prevenção da obesidade.

7. Quais os principais cuidados que pais e educadores devem ter com a alimentação das crianças?
A escolha dos alimentos e o preparo evitando o excesso não só de gordura, como também do sal, é importante na formação dos hábitos alimentares saudáveis que vão acompanhar esta criança ao longo da vida. Na verdade, toda a família deve incorporar os mesmos hábitos, pois o exemplo vale mais que mil palavras. Evitar alimentos industrializados é muito importante. Cabe também às escolas esta parcela na educação alimentar, com apoio de nutricionista na cantina e da escolha do que é oferecido nas lanchonetes da escola.

8. Que alimentos não devem faltar, e quais devem ser restritos da dieta infantil, visando à saúde cardíaca?
Frutas, verduras e legumes não devem faltar na alimentação diária. Deve-se preferir as carnes magras e o preparo na forma de grelhados do que as frituras. A diversidade, tanto na escolha dos alimentos como no preparo, é importante para que a criança não enjoe e passe, com o tempo, a evitar os alimentos saudáveis. Alimentos industrializados, frituras e fast foods devem se evitados. O profissional nutricionista é o que melhor tem capacidade técnica para acompanhar e orientar a alimentação desse público.

9. Em circunstâncias normais, sem intercorrências, é necessário fazer uma avaliação cardiológica ainda na infância?
No primeiro ano de vida, habitualmente a criança passa em consultas regulares com o pediatra, que encaminhará a criança ao cardiologista, se necessário. Durante a infância, devem realizar avaliação cardiológica crianças que apresentem história familiar para infarto, doença cardíaca congênita ou níveis altos de colesterol. Crianças e jovens obesos ou que se dediquem a esportes com treinamentos mais intensos também devem realizar uma avaliação cardíaca.

10. Equipamentos e recursos necessários para o diagnóstico e tratamento de distúrbios cardíacos na infância estão disponíveis no sistema público de saúde?
Existem na rede pública hospitais de referência no atendimento a crianças com problemas cardíacos. Em São Paulo, temos o Hospital São Paulo da UNIFESP, o Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, entre outros.

11. Qual o maior desafio do Brasil na assistência a esta população?
A demanda ainda é maior que a capacidade destes centros de referência. Em um país como o Brasil, com dimensões continentais, a assistência e acesso a locais de referência ainda é precário. O maior desafio continua sendo a universalização do acesso e do atendimento a toda população além de programas educativos com relação a prevenção de doenças relacionadas aos maus hábitos alimentares.

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