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GASTROSTOMIA ENDOSCÓPICA PERCUTÂNEA Quais são os efeitos do método de gastrostomia endoscópica percutânea?

Postado em 15 de abril de 2002

Percutaneous endoscopic gastrostomy: the preferred method of elective feeding tube placement in trauma patients. Dwyer KM, Watts DD, Thurber JS, Benoit RS, Fakhry SM. J Trauma 2002; 52(1): 26-32.

OBJETIVO: determinar se a nutrição enteral posicionada por gastrostomia endoscópica percutânea (GEP) resulta em menos e menores complicações graves quando comparada com a gastrostomia cirúrgica (GC). MÉTODO: foram estudados 158 pacientes com gastrostomia eletiva e registradas as complicações relacionadas durante cinco anos. GEP foi realizada em 60,1% dos pacientes e GC, em 39,9%. RESULTADOS: pacientes submetidos a GC apresentaram 5,4 vezes mais complicações relacionadas com a sonda; 2,6 vezes mais complicações graves, como extravasamento interno, deiscência, peritonite e fístula, e 5,5 vezes mais complicações menos graves, como infecção de pele, saída acidental, má localização, extravasamento externo e mau funcionamento da sonda. Intervenção cirúrgica foi indicada nas complicações graves do grupo submetido a GC. De 39 complicações relacionadas com a localização da sonda, sete ocorreram nos pacientes com GEP e 27 nos com GC; de 31 complicações menores, oito ocorreram nos pacientes com GEP e 27 nos com GC. Os dois grupos não apresentaram diferença no tempo de permanência na unidade de terapia intensiva, tempo de internação hospitalar ou mortalidade (p > 0,005). O custo total foi menor no grupo GEP comparado ao grupo GC (p < 0,001). CONCLUSÃO: gastrostomias posicionadas por via endoscópica percutânea apresentaram menos complicações e menor custo se comparadas às sondas posicionadas por GC. A GEP é o método indicado no tratamento de pacientes com trauma e sem contra-indicação de nutrição enteral.

Percutaneous endoscopic gastrostomy: complications and suggestions to avoid them. Schurink CA, Tuynman H, Scholten P, Arjaans W, Klinkenberg-Knol EC, Meuwissen SG, Kuipers EJ. Eur J Gastroenterol Hepatol 2001; 13(7): 819-23.

OBJETIVO: avaliar a freqüência e gravidade de complicações clínicas relacionadas a gastrostomia endoscópica percutânea (GEP). MÉTODO: em um hospital universitário, foram estudados pacientes adultos (18 anos ou mais) com GEP por cinco anos. No início do estudo (período I), a indicação da GEP foi feita por meio de protocolos liberais; porém, depois de ocorridas várias complicações graves, implementou-se um protocolo mais rigoroso após dois anos e nove meses (período II). Os pacientes foram acompanhados, em média, por 111 dias. RESULTADOS: foram posicionadas 263 GEP em 254 pacientes com câncer de cabeça e pescoço (70%), doenças neurológicas (20%) ou desordens da motilidade do trato gastrointestinal alto (10%). Foram posicionadas 167 sondas por GEP no período I e 96 no período II, sendo que as complicações graves ocorreram com maior freqüência no período I. As complicações menos graves ocorreram em 13% dos pacientes e as complicações graves em 8%. CONCLUSÃO: posicionamento da sonda de GEP é um procedimento seguro quando indicado conforme protocolos rigorosos.

Complications of percutaneous endoscopic gastrostomy. Petersen TI, Kruse A. Eur J Surg 1997; 163(5): 351-6.

OBJETIVO: relatar a experiência do grupo sobre o procedimento de gastrostomia endoscópica percutânea (GEP) em relação a complicações e disfunções da sonda. MÉTODO: foram estudados retrospectivamente 135 pacientes de um hospital universitário que necessitaram de 178 sondas de gastrostomia por três anos e seis meses. Foram avaliadas complicações e disfunções da GEP. Em 101 pacientes, a sonda foi posicionada pela técnica da introdução e, em 34, pela técnica da tração. RESULTADOS: incidência de complicações foi de 32%, incluindo disfunção da sonda, 13% de complicações graves (extravasamento intraperitoneal, infecção da ferida ou enfisema subcutâneo) e mortalidade de 4%. 21% dos pacientes tiveram que trocar a sonda mais de uma vez. A vida média das sondas foi 3,8 meses, independentemente da técnica de posicionamento. 49% dos pacientes morreram com a sonda em funcionamento e 18% morreram no período de um mês após a passagem da sonda. CONCLUSÃO: 13% dos pacientes que tiveram a sonda posicionada via introdução desenvolveram complicações graves que conduziram a laparotomia, a infecção da ferida ou ao abscesso intraperitoneal. A técnica de tração pode ser a mais segura e recomendada.

COMENTÁRIOS

Gastrostomias cirúrgicas para terapia nutricional foram descritas há muitos anos para pacientes com dificuldade prolongada ou permanente de ingerir alimentos por via oral em decorrência de trauma, câncer ou estenoses inflamatórias. Com o desenvolvimento de procedimentos endoscópicos invasivos para o trato digestivo alto, descreveram-se técnicas que possibilitaram a inserção de uma sonda no estômago exteriorizada na pele, com a finalidade de substituir a técnica de gastrostomia cirúrgica.

O desenvolvimento de técnicas endoscópicas percutâneas precisas, aliada a materiais de silicone biocompatíveis, fez com que a GEP ficasse muito popular, particularmente nos EUA. A gastrostomia de nutrição deve ser procedimento seguro e com pouca morbidade, cuja finalidade precípua é possibilitar uma via de acesso enteral para o paciente.

Os estudos aqui apresentados indicam que, quando comparada à gastrostomia cirúrgica tradicional, a GEP evolui com menos complicações graves e tem menor custo (Dwyer KM, e col, 2002). Isto não quer dizer que a GEP não apresenta complicações. Ao contrário: Schurink e col. mostraram que somente protocolos rígidos de indicação e técnica de procedimento foram capazes de reduzir as complicações inerentes ao método. No entanto, os relatos dos autores variam de acordo com a experiência pessoal de cada um com determinada técnica.

Por: Dr. Dan L. Waitzberg
Professor Associado do Departamento de Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – FMUSP e Diretor do Grupo de Nutrição Humana – GANEP

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