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INFECÇÃO DE CATETER VENOSO CENTRAL X PEDIATRIA Quais fatores de risco podem contribuir para infecção de cateter venoso central em pediatria?

Postado em 12 de abril de 2002

    Risk factors for central vascular catheter-associated bloodstream infections among patients in a neonatal intensive care unit. Mahiel LM, de Muynck AO, Ieven MM, de Dooy JJ, Goossens HJ, van Reempts PJ. J Hosp Infect 2001; 48(2): 108-16.

    OBJETIVO: identificar os fatores de risco de infecção sangüínea associada ao cateter venoso central (CVC) em neonatos. TIPO DE ESTUDO: prospectivo. MÉTODO: foram estudados os fatores de risco para a infecção sangüínea por CVC relacionado ao paciente, ao CVC e ao tratamento. Foram investigadas as relações entre a infecção sangüínea por CVC e a colonização do túnel e do orifício de saída do CVC durante 8.028 dias de permanência do CVC. RESULTADOS: durante 8.028 dias de permanência do CVC, ocorreram 35 episódios de infecção sangüínea em 862 CVCs. Fatores independentemente associados com infecção sangüínea por CVC foram: colonização do túnel do CVC, colonização do orifício de saída do CVC, peso extremamente baixo (menor que 1.000 gramas) no momento da inserção do CVC, duração da nutrição parenteral e inserção do CVC após a primeira semana de vida. Em 15 de 35 episódios (43%) de infecção sangüínea por CVC, o túnel do CVC estava colonizado; em 9 casos (26%), o orifício de saída do CVC estava colonizado e em 3 casos (9%), havia colonização nas duas extremidades do CVC. CONCLUSÃO: foram identificados cinco fatores de risco dos quais dois pode ser destacados: peso ao nascer e momento de inserção do CVC. Também foi enfatizada a importância da colonização do orifício de saída e do túnel do CVC e exposição à nutrição parenteral como causa da infecção sangüínea por CVC.

    Central venous catheter-related infections in children on long-term home parenteral nutrition: incidence and risk factors. Colomb V, Fabeiro M, Dabbas M, Goulet O, Merckx J, Ricour C. Clin Nutr 2000; 19(5): 355-9.

    OBJETIVO: avaliar a incidência e a etiologia de infecção por cateter venoso central (CVC) em crianças submetidas à nutrição parenteral domiciliar (NPD). TIPO DE ESTUDO: retrospectivo. MÉTODO: foram estudados 207 anos de permanência de CVC de 47 crianças (idade média de 8,1 +/- 5,0 anos) submetidas a NPD. Foram incluídos em um primeiro grupo, 24 crianças com incidência de infecção por CVC menor ou igual a 2,1 por 1.000 dias e no segundo grupo 23 crianças com mais de 2,1 por 1.000 dias de NPD. Foram introduzidos 125 CVC (2,6 CVC por paciente e 21 meses de utilização por CVC). RESULTADOS: duração média da NPD e o tempo entre o início da NPD e a primeira infecção foram maior no primeiro grupo (p < 0,05). Não houve diferença entre os dois grupos em relação a doença de base, presença de ostomias, idade no início da NPD ou microrganismo responsável pela infecção. CONCLUSÃO: este estudo não destaca nenhum fator de risco de infecção relacionada ao CVC, porém infecções do CVC logo após o início da NPD parece antever mau prognóstico.

    Central venous catheter bloodstream infections in the neonatal intensive care unit. Fallat ME, Gallianaro RN, Stover BH, Wilderson S, Goldsmith LJ. J Pediatr Surg 1998; 33(9): 1383-7.

    OBJETIVO: identificar sinais e sintomas de infecção sangüínea relacionada ao cateter venoso central (CVC) em neonatos de unidade de terapia intensiva. TIPO DE ESTUDO: retrospectivo. MÉTODO: foram estudados 157 neonatos que permaneceram 5.212 dias com CVC durante 29 meses. O critério laboratorial utilizado para determinar a infecção foi do Centers for Disease Control (CDC). RESULTADOS: de 54 pacientes, 24% apresentaram infecção. Os sintomas mais observados da infecção foram: febre (49%) e disfunção pulmonar (30%). Eritema e secreção purulenta no local da inserção do CVC foram encontrados em 20% dos casos. Fatores que reduziram significativamente a incidência de infecção foram: aumento da idade gestacional estimada (p < 0,0013) no momento da inserção do CVC, uso associado da vancomicina (p < 0,0057) no momento do posicionamento do CVC e poucos dias de uso do CVC (p < 0,0291). Staphylococcus epidermidis foi o microrganismo isolado mais comum. CONCLUSÃO: febre e disfunção pulmonar foram os sinais mais comuns da infecção sangüínea por CVC em neonatos. Pouca idade gestacional e aumento da duração do CVC foram significativamente relacionados com infecção. O uso de vancomicina no momento da inserção do CVC foi associado com a redução da incidência de infecção sangüínea por CVC, mas o surgimento de microrganismos resistentes a vancomicina impede seu uso como agente profilático rotineiro.

    COMENTÁRIOS

    O desenvolvimento de cateter venoso central (CVC) e técnicas de sua inserção em neonatologia e pediatria permitiram a sobrevida de inúmeros prematuros, lactentes e crianças necessitando de acesso venoso central. Nos prematuros e lactentes, geralmente a indicação de CVC contempla situações graves e agudas, tratadas em unidade de terapia intensiva (UTI), como nascimento com baixo ou muito baixo peso, necessidade de nutrição parenteral, antibioticoterapia prolongada, hidratação endovenosa, entre outras. O CVC de longa permanência, geralmente de silicone, implantados para quimioterapia ou nutrição parenteral prolongada domiciliar é indicado para crianças maiores.

    A sepse do CVC permanece uma grave complicação que obscurece o seu uso. Esforços têm sido devotados para verificar quais são as condições favoráveis para a ocorrência de sepse. Em população de neonatos internados em UTI, Mahieu e col. identificaram, em estudo prospectivo, cinco fatores de risco para bacteremia. São eles colonização do túnel do cateter, colonização do local de saída do cateter, muito baixo peso corpóreo, longa duração de nutrição parenteral e inserção do cateter na primeira semana de vida.

    Em estudo retrospectivo, Fallat e col. já haviam relatado que idade gestacional baixa e maior tempo de uso do CVC se correlacionaram diretamente com maior incidência de infecção. Os mesmos autores chamaram a atenção que febre e disfunção pulmonar foram os principais sintomas de infecção do cateter causada principalmente por Staphylococcus epidermidis. Fica claro que todos os esforços devem ser empregados em protocolos rígidos para impedir a contaminação e infecção de CVC em UTI neonatal.

    Em crianças mais velhas sob nutrição parenteral domiciliar, Colomb e col. verificaram retrospectivamente o uso de CVC
    por 21 meses, em média, e 2,6 CVC por paciente. Metade das reinternações das crianças for devido a infecção do CVC. Os fatores de risco agravantes de infecção do CVC foram tempo prolongado de nutrição parenteral e a precocidade do primeiro episódio de infecção após introdução de nutrição parenteral.

     

    Por: Dr. Dan L. Waitzberg
    Professor Associado do Departamento de Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – FMUSP e Diretor do Grupo de Nutrição Humana – GANEP

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