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Arginina: vilão ou anjo da guarda

Postado em 25 de maio de 2009 | Autor: Maria Isabel Toulson Davisson Correia

Objetivo: Descrever o papel da arginina como aminoácido importante em situações de estresse, tentando elucidar seu papel de vilão ou de anjo da guarda.

Discussão: A arginina é um aminoácido condicionalmente essencial, que tem suas necessidades aumentadas durante o estresse metabólico. É carreadora de nitrogênio e precursora de moléculas de grande relevância biológica como uréia, ornitina, poliaminas, óxido nítrico, creatina e agmatina dentre outras. O metabolismo da arginina é especialmente importante em macrófagos e linfócitos T, atuando na modulação da resposta inflamatória.

Estudos experimentais demonstraram que animais cujas dietas foram suplementadas com arginina apresentaram menor taxa de translocação bacteriana e melhor aspecto morfológico da mucosa intestinal após enterite. Estudos clínicos revelaram melhora do balanço nitrogenado e da cicatrização, diminuição das taxas de infecção e do período de internação e, aumento da competência imunológica sistêmica e intestinal em pacientes críticos. No entanto, é exatamente na presença de alto estresse metabólico e de infecção que o papel da arginina tem sido questionado. Isto porque conforme a via metabólica que a arginina é utilizada, os resultados podem ser distintos. Neste sentido, o óxido nítrico (NO) parece ser exatamente o ponto da discórdia.

O óxido nítrico é sintetizado pela eNOS em condições fisiológicas, e é responsável pela manutenção do fluxo sanguíneo mesentérico e da integridade das barreiras mucosa e microvascular. A síntese via iNOS é o mecanismo pelo qual macrófagos eliminam microrganismos intra e extracelulares. Entretanto, a síntese contínua de NO por esta via leva a hipotensão resistente a agentes vasoconstritores. O óxido nítrico também pode ter ação citotóxica, agravando injúrias tissulares. Alguns autores apontam o NO como molécula inerente e necessária ao processo inflamatório, considerada protetora contra vasoconstrição e injúrias orgânicas durante desordens como choque hemorrágico, isquemia/reperfusão e septicemia. Outros trabalhos mostram que o NO pode agravar lesões provocadas pela inflamação e infecção.

Os metabólitos da arginina como as poliaminas, produzidas via arginase, estão envolvidos na diferenciação das células imunológicas e na regulação da reação inflamatória, tendo ação imunomoduladora. Além dessa ação, as poliaminas apresentam efeitos tróficos sobre as vilosidades da mucosa intestinal, podendo evitar ou reduzir o aumento da permeabilidade intestinal.

Conclusão – A ação da arginina ainda é aspecto controverso. Dependendo da via metabólica predominante a arginina pode ter ação protetora e altamente benéfica em situações de estresse, ou seja atuar como anjo da guarda. Contudo, quando da produção de grande quantidade de óxido nítrico, como na sepsis, a arginina pode ter impacto negativo e ser sim vilã.

Referências

1 – Ochoa JB, Mararenkova V, Bansal V. A rational use of immune enhancing diets: when should we use dietary arginine supplementation. Nutrition in Clinical Practice, 2004; 19: 216-225.

2 – Luiking YC, Deutz NE.Exogenous arginine in sepsis.Crit Care Med. 2007;35(9 Suppl):S557-63.

3 – Zhou M, Martindale RG. Arginine in the critical care setting.J Nutr. 2007;137(6 Suppl 2):1687S-1692S.

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