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Como eu uso dieta imunomoduladora na UTI

Postado em 25 de maio de 2009 | Autor: Maria Izabel Lamounier de Vasconcelos

A terapia nutricional deve ser ajustada continuamente de acordo com a evolução do paciente crítico. A relação entre mortalidade e oferta de nutrientes ocorre tanto no excesso, como na deficiência dos nutrientes, em relação às necessidades calóricas.

Com o propósito de melhorar a função imunológica e prevenir o catabolismo, há mais de uma década, grande interesse tem sido destinado ao uso de nutrientes específicos, a fim de alterar a resposta metabólica à agressão, infecção e câncer. A evolução tecnológica, assim como o desenvolvimento científico e econômico, tem proporcionado aumento da expectativa de vida da população e maior preocupação com doenças degenerativas, tais como: câncer, obesidade, arteriosclerose e cardiopatias. A literatura preconiza os efeitos de alguns componentes alimentares e a prevenção de doenças: óleo de peixe e aterosclerose; beta-caroteno e câncer; cálcio e osteoporose; fibras e problemas intestinais; zinco e infecções. A literatura classifica estes alimentos em três grupos: 1. Alimentos com propriedades imunomodulatórias; 2. Alimentos com atividade antioxidante; 3. Alimentos com ácidos graxos poliinsaturados ômega-3 e ômega-6.

Os alimentos funcionais com propriedades imunomodulatórias atuam modulando e ativando os componentes celulares e seus mediadores químicos. Assim, aumenta a efetividade da ação do sistema imune contra diferentes antígenos – microorganismos patogênicos e células tumorais – evitando sua instalação e o aparecimento de patologias no organismo. Alexander e cols., (1980) relataram a associação de uma dieta com maior oferta protéica que aumenta a defesa e sobrevivência de crianças gravemente queimadas. Desde então, estudos em animais e, recentemente, em humanos apontam para a influência dos nutrientes específicos sobre a resposta imune quando administrados em quantidades superiores às normais. Os ácidos graxos poliinsaturados das séries ômega-3, a arginina, a glutamina, as vitaminas A, C e E, assim como os nucleotídeos têm sido usados como nutrientes farmacológicos imunomoduladores.

Os nutrientes imunomoduladores atuam na resposta imunológica, estimulando-a ou suprimindo-a, dependendo da quantidade ingerida e/ou administrada desses nutrientes. Sabe-se que a imunossupressão é de origem multifatorial e a desnutrição é um desses fatores. Muitos são os estudos que mostram a reversão da imunossupressão tão logo ocorra uma melhora no estado nutricional.

Pacientes críticos têm alto risco de desenvolver complicações infecciosas. A integridade da mucosa gastrointestinal é freqüentemente prejudicada, predispondo a translocação da flora entérica, toxinas e macromoléculas para a circulação sangüínea. Desta forma, a nutrição enteral precoce é considerada a rota fisiológica recomendada. Apesar do fornecimento adequado de calorias, as fórmulas padrões parecem não manter a função imune em níveis ótimos. Assim sendo, esforços foram realizados para mudar a dieta padrão, para uma terapia nutricional – farmacológica. De acordo com um novo conceito, que vem sendo discutido e testado em vários estudos que envolvem animais e seres humanos, certos nutrientes administrados tanto pela via enteral como parenteral influenciam o sistema imune, diminuindo a bacteremia e a taxa de infecção. Proporcionam, ainda, uma redução significativa na morbidade destes pacientes, na diminuição do período de permanência na UTI e de internação hospitalar e, conseqüentemente, no custo do tratamento. O grupo de candidatos que podem se beneficiar dessas dietas imunomoduladas são, dentre outros, os pacientes operados, os de UTI e os que apresentam a função imune deprimida.

Os resultados obtidos com estudos clínicos, comparando-se dietas enterais com e sem nutrientes imunomoduladores também vem sendo bastante difundidos na literatura especializada. Segue um resumo dos pontos mais importantes do Consenso Americano em Terapia Enteral Imunomoduladora publicado no JPEN de março/abril de 2001.

Que doentes que se beneficiam?

• Com desnutrição moderada ou severa e submetidos a grandes cirurgias eletivas de trato digestório alto;

• Com desnutrição severa submetida a cirurgias de trato digestório baixo;

• Portadores de trauma com escore de severidade maior ou igual a 18; índice de trauma abdominal maior ou igual a 20; ou a combinação de ferimentos graves e não graves em múltiplos órgãos;

• Cirurgia eletiva de reconstrução aórtica com doença pulmonar obstrutiva crônica e candidatos à ventilação mecânica prolongada. Grandes cirugias de cabeça e pescoço com desnutrição preexistente;

• Traumatismo craniano grave;

• Queimados – terceiro grau (superior a 30%);

• Dependentes de ventilação mecânica, clínicos não sépticos ou cirúrgicos com risco de morbidade infecciosa.

Os seguintes doentes não são considerados candidatos para uso imediato de terapia nutricional com ou sem fórmula imunomoduladora.

• Aqueles em que se espera o uso de alimentação via oral ad libitum em prazo de até cinco dias após o evento agressor;

• Em terapia intensiva apenas para acompanhamento e estabilização;

• Com obstrução intestinal distal;

• Com ressuscitação incompleta ou hipoperfusão esplênica;

• Com hemorragia digestiva alta causada por varizes ou úlceras pépticas.

Quando iniciar a Terapia Nutrição com Fórmula Imunomoduladora?

Sempre que possível, iniciar antes da lesão ou do evento desencadeador da resposta imunossupressora. Sugere-se:

• Em cirurgias eletivas de grande porte: preparo nutricional imunomodulador iniciando cinco a sete dias antes da cirurgia;

• No seguimento do pós-operatório: jejunostomia intra-operatória para terapia nutricional enteral precoce imunomoduladora no pós-operatório.

Qual a dose, duração e forma de administração de Fórmula Imunomoduladora?

Dose: de 1.200 a 1.500 mL diários ou até atingir 50 a 60% das necessidades nutricionais.

Diuração: sugere-se um mínimo de cinco dias e máximo de 10 dias ou até a saída da UTI ou até a redução significativa do risco ou da complicação infecciosa.

Forma de administração: infusão gástrica deve ser a primeira escolha; o volume gástrico pode ser aumentado em 25mL/h a cada 8 a 12h até atingir a taxa ideal. A administração deve ser diminuída ou suspensa, se o resíduo gástrico for maior que 200mL.

Que resultados esperar com o uso de Dietas Enterais Imunomoduladoras?

Espera-se:

• Redução em complicações infecciosas;

• Menor utilização de recursos de pessoal e financeiro;

• Redução no tempo de internação;

• Menor tempo de ventilação mecânica;

• Menor risco para falência de múltiplos órgãos;

• Menor duração de antibioticoterapia.

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