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DIETA HIPERLIPÍDICA RICA EM ÁCIDOS GRAXOS TRANS NA LACTAÇÃO ALTERA A FISIOLOGIA MATERNA E PROGRAMA A COMPOSIÇÃO CORPORAL, A TRIGLICERIDEMIA E O PERFIL HORMONAL DE RATOS ADULTOS

Postado em 25 de março de 2009 | Autor: Brito PD, et al.

Autores: Brito PD; Lisboa PC; Passos MCF; Moura EG

Instituição: IPEC/FIOCRUZ

Objetivos

Avaliar o efeito de uma dieta hiperlipídica rica em ácidos graxos trans na lactação sobre a regulação da composição corporal, perfis lipídico e hormonal de ratas lactantes e suas proles.

Materiais e métodos

Ratas Wístar de 3 meses de idade, lactantes, foram divididas em 2 grupos: controle – ração normal (23% de proteína, 66% de carboidrato e 11% de lipídeo) e dieta – ração hiperlipídica rica em ácidos graxos trans (15% de proteína, 55% de carboidrato e 30% de lipídeo), permanecendo neste tratamento durante todo o período da lactação. Após o desmame, as ratas foram sacrificadas, e todos os filhotes receberam ração normal, sendo sacrificados somente aos 180 dias de idade. Peso corporal e ingestão alimentar foram monitorados. Foram retirados sangue, glândula adrenal e tecido adiposo visceral. A carcaça eviscerada foi utilizada para análise da composição corporal. Lipídeos séricos foram determinados através de métodos colorimétricos, e hormônios através de radioimunoensaio. O conteúdo adrenal de catecolaminas foi quantificado pelo método fluorimétrico de trihidroxiindol. A composição bioquímica do leite das ratas foi avaliada aos 21 dias da lactação através de métodos colorimétricos. Os dados foram expressos como média ± erro padrão. As diferenças entre os grupos controle e dieta foram determinadas através de teste t de Student. Para os dados de evolução de peso e de ingestão, foi utilizada Anova bivariada com pós-teste de Bonferroni. O nível de significância considerado foi de p<0,05.

Resultado

A dieta hiperlipídica rica em ácidos graxos trans produziu alterações importantes na fisiologia materna: menor ingestão alimentar (diferença de 30% aos 21 dias; p<0,01), maior perda ponderal (89% do peso das ratas controle aos 21 dias; p<0,05), com 51% a mais de gordura corporal (p<0,005) e 71% a mais de tecido adiposo visceral (p<0,005), maior leptina sérica (57%; p<0,05), e maiores triglicerídeo (47%; p<0,05) e colesterol (16%; p<0,05) séricos. Estas ratas apresentaram menor corticosteronemia (36%; p<0,05) e maior conteúdo adrenal de catecolaminas (39%; p<0,05). O leite destas ratas apresentou menores concentrações de colesterol e triglicerídeos (62%; p<0,001; para ambos). Aos 180 dias, as proles das ratas do grupo dieta igualaram a ingestão alimentar e o peso corporal com o grupo controle, entretanto apresentaram maior percentual de gordura corporal (45%; p<0,005), hipertrigliceridemia (20%; p<0,05), hiperleptinemia (100%; p<0,05), menor corticosteronemia (50%; p<0,05) e menor conteúdo adrenal de catecolaminas (56%; p<0,05).

Conclusão

A dieta hiperlipidica rica em AG trans na lactação, além de produzir alterações deletérias na mãe, programa para alguns dos componentes da síndrome metabólica na prole adulta.

Unitermos

programação metabólica, lactação, gordura trans

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