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ESTADO NUTRICIONAL DE PACIENTES SUBMETIDOS AO TRANSPLANTE HEPÁTICO NO DECORRER DO PRIMEIRO ANO PÓS-OPERATÓRIO

Postado em 25 de março de 2009 | Autor: Anastácio LR, et al.

Autores: Anastácio LR; Liboredo JC; Ribeiro HS; Ferreira LG; Correia MITD

Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais

Objetivos

O ganho de peso é comum em pacientes submetidos a transplante hepático. Algum ganho de peso pós-operatório é apropriado já que os pacientes se desnutrem durante o período em lista de espera. Entretanto, o ganho de peso excessivo está associado a doenças de cunho metabólico e cardiovascular. Este estudo objetivou avaliar o estado nutricional de pacientes submetidos a transplante hepático durante o primeiro ano pós-transplante.

Materiais e métodos

Dados de pacientes até 1 ano após o transplante hepático foram coletados. O estado nutricional dos pacientes foi classificado de acordo com o Índice de Massa Corporal (IMC), conforme preconizado pela World Health Organization (1998), em diferentes tempos após o transplante (quando saíram do hospital, 3 meses, 6 meses e 1 ano). Os dados foram analisados com auxílio dos programas Excel da Microsoft e Epi Info versão 6.04. O teste de qui-quadrado foi utilizado.

Resultado

Foram avaliados 129 pacientes, 61,5% eram do sexo masculino (n: 80), com mediana de idade de 51 anos (variando de 15 a 74 anos). As doenças mais freqüentes responsáveis pelo transplante foram cirrose por vírus da hepatite C (n: 43; 33,3%); cirrose etanólica (n: 36; 27,9%) e cirrose criptogênica (n: 19; 14,7%). Dentre esses pacientes, 93% (n:120) usavam tacrolimus e 7% (n:9), ciclosporina, como droga imunossupressora. O tempo de uso de prednisona variou de 1 a 12 meses, com mediana de 4 meses. Na primeira avaliação pós-transplante dos pacientes, o IMC variou de 16,71 a 34,61 kg/m2, com mediana de 22,8 kg/m2, sendo que 9,9% dos pacientes foram considerados desnutridos; 63,1% eutróficos; 20,7% com sobrepeso e 6,3% obesos. Em 3 meses pós o transplante, o IMC mediano subiu para 23,74 kg/m2, mínimo de 17,18 kg/m2 e máximo de 36,9 kg/m2, o percentual de desnutridos caiu para 2,9%, o de eutróficos subiu para 65,7%, bem como o de pacientes com sobrepeso (21,9%) e obesidade (9,5%). Aos 6 meses, o IMC mediano já era 24 kg/m2, e variou de 18,64 a 34,33 kg/m2. Nesse período, já não havia pacientes desnutridos e o percentual de eutróficos caiu para 60,4%, de sorte que o percentual de pacientes com sobrepeso e obesidade aumentou para 28,1% e 11,5%, respectivamente. Finalmente, em 1 ano pós-transplante, o IMC mediano elevou-se para 25,05 kg/m2, com mínimo de 20,01 kg/m2 e máximo de 37,1 kg/m2, sendo que havia mais indivíduos com sobrepeso e obesidade (40 e 11,3%, respectivamente) que eutróficos (48,7%). Comparando-se a prevalência das quatro classificações de estado nutricional no primeiro tempo e um ano pós-transplante, foi observada diferença significativa na prevalência para todas as classificações (desnutridos: p=0,01; eutróficos: p=0,05; indivíduos com sobrepeso: p=0,005), exceto obesidade (p=0,27), embora a prevalência dessa tenha aumentado.

Conclusão

O estado nutricional dos pacientes submetidos ao transplante hepático mudou significativamente no decorrer do primeiro ano pós-operatório. A proporção de indivíduos com sobrepeso aumentou e a de indivíduos com eutrofia diminui significativamente, dessa forma, intervenções dietéticas e de estilo de vida devem ser implementadas a fim de minimizar os riscos associados com o excesso de peso em longo prazo.

Unitermos

Transplante hepático; estado nutricional; sobrepeso

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