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Felicidade à Mesa: Nutrientes Com Ação Sobre o Humor e Personalidade: Capisaicina

Postado em 25 de maio de 2009 | Autor: Rosângela Passos de Jesus

Após realizar intensa pesquisa sobre o tema, não foram encontradas evidências diretas sobre o efeito da capsaicina na alteração do humor e da personalidade. No entanto, alguns trabalhos demonstraram participação efetiva deste fitoquímico no controle da inflamação, da dor, do estresse e estimulo do sistema nervoso central, condições geralmente associadas ao comprometimento do bom humor e portanto, essas evidencias serão apresentadas neste trabalho.

A capsaicina, um importante constituinte da pimenta, possui propriedade confirmadamente anti-inflamatória. Posteriormente, um trabalho foi realizado com objetivo de identificar o mecanismo subjacente da sinalização antiinflamatória da capsaicina, em modelo experimental de produção de moléculas inflamatórias por macrófagos peritoneais murinos, estimulado por administração de lipopolissacarídeo (LPS). O nível de prostaglandina (PGE2), a expressão da enzima cicloxigenase (COX-2), do oxido nítrico sintase induzida (iNOS), da subunidade IKB-a do fator de transcrição NFK-B, e do receptor vanilóide-1 (RV-1) foi determinado por RT-PCR. Após administração de capsaicina, observou-se inibição significativa da produção de PGE2 induzida por LPS de forma dose-dependente e que não foi inativada pela ação da capsazepina, um antagonista específico do receptor VR-1. No entanto, a capsaicina não afetou a expressão da COX-2, mas inibiu a atividade da enzima COX-2 e da expressão da iNOS. A capsaicina inativou o NFK-B devido ao bloqueio da proteólise da sub-unidade IKB-a. Estes resultados sugerem que a ação antiinflamatória da capsaicina pode ocorrer por meio de um mecanismo novo, não mediado pelo receptor vanilóide RV-1 e no futuro, pode ser uma droga promissora para melhorar o humor de pacientes com doenças inflamatórias (Kim CS et al, 2003).

Receptores TRPV1 são definidos classicamente como canais de cálcio, não seletivos, sensíveis ao calor, que integram os neurônios sensoriais de percepção ao estímulo doloroso. Portanto, é necessária a ativação destes canais para estimular a depressão sináptica a longo termo (LTD), pois as sinapses excitatórias nos neurônios hipocampais são deprimidas pela capsaicina, potente ativador dos canais TRPV1.

Atualmente, sabe-se que o estresse atua como importante fator relacionado à exacerbação de distúrbios neuropsiquiátricos e cognitivos. Sabe-se que o hipocampo, região cerebral relacionada com a memória, principalmente a espacial, é extremamente sensível ao estresse. Alguns tipos de memória são dependentes da plasticidade da atividade sináptica hipocampal como o potencial a longo-termo (LTP) e a depressão sináptica, a longo prazo (LTD), sendo que o estresse suprime o LTP e estimula a LTD, resultando na redução da memória espacial. Embora o receptor potencial transitório vanilóide 1 (TRPV1 ou VR1) é amplamente expresso no hipocampo, ainda não se sabe se o canal TRPV1, antagoniza os efeitos sobre o estresse na função hipocampal. De forma a responder essa pergunta, utilizou-se modelo experimental para testar se agentes agonistas do TRPV1 como capsaicina e antagonistas seletivos como a capsazepina, são capazes de ativar os receptores TRPV1 influenciando a atividade do LTP e LTD no hipocampo de ratos jovens. Posteriormente foi avaliado se o efeito do stress agudo sobre a plasticidade memória espacial pode ser prevenido pela infusão intra-gástrica, ou intra-hipocampal de capsaicina, agonista dos receptores TRPV1. Observou-se que a capsaicina facilitou as sinapses relacionadas com o potencial à longo prazo (LTP) e suprimiu a depressão sináptica a longo prazo (LTD). Essas alterações eram mediadas via TRPV1, pois o antagonista capsazepina bloqueou a ação da capsaicina. O estresse agudo suprimiu o LTP e estimulou a LTD, mas a capsaicina preveniu esse efeito de forma efetiva. O canal TRPV1 é atualmente considerado como potencial facilitador das sinápses LTP e supressor das sinapses LTD, protegendo dessa forma, a plasticidade da atividade sináptica hipocampal e memória espacial, comprometidos com o estresse (Li HB et al, 2008).

Trabalho clínico investigou o efeito da capsaicina, sobre a atividade do sistema nervoso autônomo, temperatura corporal, pressão arterial (PA) e freqüência cardíaca (FC) após ingestão da pimenta doce e da pimenta vermelha para elucidar os mecanismos da termogênese induzida pela dieta. Os resultados demonstraram que a pimenta doce ativa o sistema nervoso simpático (SNS) e aumenta a termogênese tão eficazmente quanto a pimenta vermelha, no entanto a perda de calor, provocada pela pimenta doce foi mais fraca do que a provocada pela pimenta vermelha. Além disso, observou-se que a ingestão da pimenta doce não afetou a pressão arterial sistólica ou freqüência cardíaca, enquanto a ingestão da pimenta vermelha elevou transitoriamente esses parâmetros. Estes resultados indicam que a termogênese provocada pela pimenta doce e vermelha pode ser induzida por meio da ativação do SNS, mas as alterações nos parâmetros clínicos e perda de calor ocorrem de forma diferenciada entre essas duas espécies de pimenta (Hachiya S et al. 2007).

A magnitude dos efeitos para a redução do apetite e da ingestão energética de princípios bioativos depende do balanço energético, portanto, investigou-se a influencia da capsaicina, do chá verde, isolados ou associados sobre o apetite e a ingestão energética durante balanço energético negativo e positivo. Para tanto, 27 indivíduos foram submetidos de forma aleatória a três semanas de balanço energético negativo e três semanas de balanço energético positivo, período durante o qual, os indivíduos ingeriram capsaicina, chá verde ou capsaicina + chá verde ou placebo, com intervalo de dez dias. Os efeitos sobre o apetite, ingestão energética, o peso corporal e freqüência cardíaca foram avaliados durante esse período. A capsaicina e a combinação de capsaicina com chá verde reduziram o consumo energético durante o balanço energético positivo. Capsaicina e chá verde suprimiram a fome e aumentaram a saciedade principalmente no balanço negativo do que durante o balanço energético positivo. Os autores concluíram que a capsaicina isolada ou combinada com o chá verde, apresentam efeitos redutores sobre a ingestão energética, mesmo em balanço energético positivo. Estes princípios bioativos, talvez possam ser úteis na redução da ingestão energética e poderiam colaborar com a perda de peso em períodos maiores devido à supressão da fome e melhora da saciedade (Reinbach HC et al, 2009).

Provavelmente, a capsaicina por apresentar esses efeitos descritos pode interferir de forma positiva sobre o humor e personalidade dos indivíduos, principalmente em condições envolvendo inflamação, dor, estresse e dieta para redução de peso.

Referencias

1. Hachiya S, Kawabata F, Ohnuki K, Inoue N, Yoneda H, Yazawa S, Fushiki T. Effects of CH-19 Sweet, a non-pungent cultivar of red pepper, on sympathetic nervous activity, body temperature, heart rate, and blood pressure in humans. Biosci Biotechnol Biochem. 2007;71(3):671-6.

2. Kim CS, Kawada T, Kim BS, Han IS, Choe SY, Kurata T, Yu R. Capsaicin exhibits anti-inflammatory property by inhibiting IkB-a degradation in LPS-stimulated peritoneal macrophages. Cell Signal. 2003;15(3):299-306.

3. Li HB, Mao RR, Zhang JC, Yang Y, Cao J, Xu L. Antistress effect of TRPV1 channel on synaptic plasticity and spatial memory. Biol Psychiatry. 2008 15;64(4):286-92.

4. Gibson HE, Edwards JG, Page RS, Van Hook MJ, Kauer JA. TRPV1 channels mediate long-term depression at synapses on hippocampal interneurons. Neuron. 2008;57(5):746-59.

5. Reinbach HC, Smeets A, Martinussen T, Møller P, Westerterp-Plantenga MS. Clin Nutr. Effects of capsaicin, green tea and CH-19 sweet pepper on appetite and energy intake in humans in negative and positive energy balance. 2009 Apr 2. [Epub ahead of print].

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