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O sal e a hipertensão infantil

Postado em 25 de maio de 2009 | Autor: Prof. Dr. Rubens Feferbaum

rfeferbaum@uol.com.br

O sal (cloreto de sódio) tem papel importante em diversas funções do organismo e é essencial para a saúde. É ele que mantém o volume do fluído extra celular oo corpo, evitando a desidratação. O mineral também participa de funções fisiológicas básicas , como contração muscular, impulsos nervosos e ritmo cardíaco, permitindo assim o bom funcionamento do cérebro e o controle das funções vitais do organismo. O sal ainda é a principal fonte de iodo, cuja deficiência é causa de deficiência mental, abortos espontâneos, natimortos e baixo peso ao nascer.

Processos patológicos na criança de importância com perdas extra renais ocasionam perdas acentuadas de sódio. Uma das principais ações efetuadas pela OMS na redução da mortalidade infantil foi o estabelecimento das soluções de hidratação oral onde concentrações em torno de 90mEq/L de sódio são utilizadas no tratamento da diarréia e vômitos da criança.

No entanto, apesar da sua importância e labilidade no organismo o consumo exagerado de sal tem sido fortemente contra-indicado especialmente nas faixas etárias extremas: o idoso e criança

A literatura médica é praticamente unânime em considerar a forte correlação entre a ingestão excessiva de sal e a elevação da pressão arterial. No âmbito populacional, a ingestão de sal parece ser um dos fatores envolvidos no aumento progressivo da pressão arterial que acontece com o envelhecimento.

A hipertensão arterial é observada primariamente em comunidades com ingestão de sal superior a 100 mEq/dia. Por outro lado, a hipertensão arterial é rara em populações cuja ingestão de sal é inferior a 50 mEq/dia. Essa constatação parece ser independente de outros fatores de risco para hipertensão arterial, tais como obesidade e alcoolismo.

Evidências da programação de doenças futuras na criança responsabilizam o excesso de sal na alimentação como futuro risco para hipertensão arterial e suas complicações. Estudos recentes sugerem que o excesso de sódio pode modificar os finos mecanismos de ajusta dos hormônios mineralocorticóides da suprarenal com implicações na regulação renina –angiotensina e consequente aumento nas pressão arterial na criança cujo efeito que pode manter-se na fase adulta.

Por este motivo o atual Codex alimentarius FAO/OMS recomenda a diminuição dos níveis de sódio nas fórmulas infantis que devem situar-se próximos ao leite materno. A concentração de sódio no leite humano maduro, cujo valor corresponde a um terço daquele existente na fase de colostro, oscila ao redor de 7 mEq/l; estes níveis são geralmente suficientes para preencher as necessidades dos RN de termo.

Outro aspecto importante refere-se à criação de hábitos alimentares na criança que conduzem ao uso excessivo de sal na alimentação. O consumo diário de sódio pela população brasileira está duas vezes e meia acima do limite recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Saúde Pública da USP aponta que a quantidade diária de sódio disponível nas refeições brasileiras é de 4,5 g por pessoa, enquanto a OMS recomenda a ingestão máxima de 2 g por dia.

Na faixa etária de escolares e adolescentes o consumo de alimentos industrializados e “fast food” (vide tabela) promovem ingestão excessiva de sódio.

Conclusão: A educação nutricional de crianças, adolescentes e respectivas famílias é o instrumento adequado para profilaxia da hipertensão arterial e outras doenças na fase adulta cuja programação pode ser modificada por uma alimentação adequada.

Alimentos com excesso de sódio:

• Sal de cozinha (NaCl) e temperos industrializados

• Alimentos industrializados (“ketchup”, mostarda, shoyu, caldos concentrados)

• Embutidos (salsicha, mortadela, lingüiça, presunto, salame, paio)

• Conservas (picles, azeitona, aspargo, palmito)

• Enlatados (extrato de tomate, milho, ervilha)

• Bacalhau, charque, carne seca, defumados

• Aditivos (glutamato monossódico) utilizados em alguns condimentos e sopas de pacote

• Queijos em geral

Ref. Bibliográficas

1-Feferbaum R; Falcão MC: Nutrição do Recém-nascido. Atheneu, São Paulo, 2003

2-He FJ, Marrero NM, MacGregor GA. Salt intake is related to soft drink consumption in children and adolescents: a link to obesity? Hypertension. 2008 Mar;51(3):629-34

3- Simonetti GD, Raio L, Surbek D, Nelle M, Frey FJ, Mohaupt MG. Salt sensitivity of children with low birth weight. Hypertension. 2008 Oct;52(4):625-30.

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