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Palatabilidade, o sabor que faz a diferença

Postado em 25 de maio de 2009 | Autor: Mariana Catta-Preta

Email: mcatta@unisuam.edu.br

Objetivo: Evidenciar que o sabor do suplemento é parte fundamental para que haja sucesso e adesão a prescrição da terapia nutricional oral.

Resumo: A utilização de suplementos orais nas últimas décadas tem crescido e com isso alguns questionamentos com relação à eficácia versus o custo tem sido levantados, uma vez que prescrições inapropriadas elevam o custo do tratamento sem trazer reais benefícios aos pacientes.

A prescrição de suplementos nutricionais orais é comum e freqüentemente utilizada como método de suporte nutricional na prevenção e tratamento de desnutrição. Grandes evidências sugerem que a utilização apropriada deste tipo de intervenção possui efeitos benéficos na recuperação e manutenção do estado nutricional.

Sabe-se hoje que a desnutrição intra hospitalar é um importante problema de saúde publica. Uma das causas mais comuns é a ingestão insuficiente de calorias e proteínas, o que resulta na piora do quadro clinico, maior tempo de internação e maior custo.

Além disso, a perda de peso não intencional é um problema comum e está associado ao aumento no custo, nas internações hospitalares e na mortalidade.

Meta analise e revisões sistemáticas mostram que suplementos nutricionais são de fato um tratamento efetivo para a maioria dos pacientes com ou em risco nutricional. A ingestão de 250 a 600 calorias por dia sugere uma redução na mortalidade, complicações e infecções em vários grupos de pacientes incluindo os cirúrgicos, ortopédicos, idosos, portadores de DPOC e doenças hepáticas. Uma meta analise recente sugere que a utilização de suplementos nutricionais orais previne o surgimento das úlceras de pressão em pacientes de alto risco, com potencial custo beneficio.

Todos os benefícios das suplementações orais deixam de ter seus objetivos quando os suplementos prescritos não são ingeridos. Por isso o sabor do suplemento deve ser agradável de forma que a adesão ao tratamento nutricional aconteça da melhor forma possível.

Rahemtulla e colaboradores avaliaram a palatabilidade de três tipos de suplementos (líquido a base de leite, em pó a base de leite e líquido clarificado) em pacientes portadores de câncer (CA) gastrointestinal e os efeitos da quimioterapia. Participaram do estudo 47 portadores de CA e 47 controles. Todos os indivíduos recebiam 30 ml de cada suplemento uma vez ao dia e respondia a um questionário de preferência. O suplemento melhor aceito, tanto antes quanto depois da quimioterapia, foi o em pó a base de leite, sendo este também o preferido entre os controles.

Outro estudo similar ao supracitado, porém avaliando suplementos poliméricos, oligoméricos e elementares, evidenciaram que a preferência entre os controles e portadores de câncer pélvicos não foi diferente, assim como também não foi alterada pela radioterapia. O surpreendente deste estudo é que diferente do que se encontra na literatura, o suplemento de preferência de ambos os grupos foram os elementares, seguido pelo polimérico e posteriormente o oligomérico.

Em 2008 um grupo de pesquisadores da Suíça demonstrou mais uma vez que a preferência dos suplementos orais é pelo a base de leite e que isso interfere de forma direta na adesão ao tratamento e continuidade da prescrição.

Outro grupo de Londres avaliou a palatabilidade e conseqüente tolerância em longo prazo de três suplementos orais específicos para pacientes com câncer. 35% dos pacientes interromperam a utilização dos suplementos alegando que os mesmos eram intragáveis, 19% interromperam por estarem enjoados do gosto e apenas 10% destes pacientes toleraram os suplementos por 90 dias ou mais, evidenciando claramente que o sabor do suplemento interfere de forma direta no tratamento.

Um estudo realizado pelos Departamentos de Gastroenterologia e Instituto de Bioquímica e Nutrição de duas Universidades na Alemanha demonstraram que a ingestão de 400 a 600 ml de suplementos hipercalóricos com fibras por pacientes desnutridos foi capaz de melhorar o IMC de 18 Kg/m2 para 20 Kg/m2 (p<0,001) em apenas duas semanas. Estes resultados foram possíveis devido a excelente aceitabilidade do suplemento prescrito.

Já um estudo realizado por Bruce e colaboradores em 2003 evidenciou que a baixa aceitação dos suplementos nutricionais prescritos interfere de forma direta na efetividade do tratamento. 109 pacientes do sexo feminino foram divididos em 2 grupos (50 – suplementados e 59 não suplementados) e acompanhados por 8 semanas após cirurgia de fratura do quadril. Ao grupo suplementado foram prescritas 352 Kcal/dia. Contudo, apenas 46% dos pacientes apresentou uma boa aceitação do suplemento neste período. Como resultado, os pesquisadores não observaram diferença nos parâmetros analisados sendo ocasionado, segundo eles, pela baixa aceitação do suplemento.

Todos os estudos supracitados evidenciam que a suplementação nutricional só possui efeito quando o palatabilidade do suplemento é aceitável e que este fator interfere de forma direta na adesão ao tratamento e conseqüente, na melhora do prognóstico, morbidade e mortalidade dos pacientes.

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