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NUTRIÇÃO ENTERAL X MIX DE FIBRAS Quais os benefícios de dietas enterais com mix de fibras no trato gastrintestinal?

Postado em 11 de março de 2002

Produção de ácidos graxos de cadeia curta e gás de fontes individuais de fibras e um mix de fibra típico de uma dieta normal usando uma técnica in vitro. Green CJ, Van Hoeiji KA, Pediat. Gastroenterol. Nutr. 1998; 26:591.

OBJETIVO: determinar a produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) e gás, sob condições-padrão de fibras isoladas (celulose, polissacarídeo da soja, goma arábica, inulina, frutooligossacarídeo, amido resistente) que refletem os diferentes tipos de fibras consumidas em uma dieta ocidental normal e de uma mistura dessas fibras em proporções que refletem a composição de uma dieta normal. MÉTODO: para simular os efeitos no intestino delgado, as fibras selecionadas foram pré-digeridas com enzimas salivares, gástricas, pancreáticas e da mucosa. Mono e dissacarídeos liberados foram então transformados em etanol e ácido láctico por Saccharomyces cerevisae e Lactobacillus rhammosus e removidos. Durante a pré-digestão, 5 a 50% da massa de fibra individual foi removida. Fibras pré-digeridas foram então sujeitas à fermentação por suspensão de fezes humanas frescas obtidas de voluntários saudáveis, misturadas com um complexo carbonado e suplementadas com elementos traços em um modelo estático de cólon in vitro, com um sistema de marcador de tempo de produção de gás automatizado. A produção de AGCC foi avaliada usando um cromatógrafo GLC medindo amostras, tirando a mistura em incubação em 4, 24 e 48 horas, as quais refletem o tempo típico que as fibras seriam esperadas para estar presentes no cólon. RESULTADOS: da fonte única de fibras, apenas inulina continuou a produzir AGCC após 24 horas, ao passo que o mix de fibras resultou em produção contínua de AGCC durante 48 horas. A produção de gás não se elevou após 24 horas em nenhuma das amostras estudadas, mas foi maior para todas as fontes individuais de fibras (exceto celulose), quando comparado ao mix de fibras. Isto se reflete numa relação AGCC:gás do mix de fibras aumentada. CONCLUSÕES: estes achados mostram que mix de fibras tem uma produção mais prolongada de AGCC que a maioria dos componentes fermentados separadamente. A favorável relação AGCC:gás indica que o uso do mix de fibras resultaria em uma modesta produção de gás, importante fator na tolerância do paciente com fórmula enteral suplementada com fibras.

Os efeitos de uma fórmula enteral polimérica suplementada com uma mistura de 6 tipos de fibras na função e motilidade colônica normal de um intestino humano. Silk DBA, Walters ER, Duncan HD, Green CJ. Clin. Nutr. 2001; 20:49-58.

Estudo 1. Função intestinal

OBJETIVO: estabelecer a tolerância e a influência na função intestinal do uso de uma fórmula enteral suplementada com uma mistura de 6 diferentes tipos de fibras com fermentabilidade variável em voluntários saudáveis. MÉTODO: 11 voluntários saudáveis foram designados, cada um, a 3 intervenções dietéticas no período de 7 dias, em ordem randomizada, com um período de “wash-out” mínimo de 7 dias. As dietas investigadas foram: dieta livre (DL), consumo oral de 2 litros por dia de uma dieta polimérica sem fibras como fonte única de nutrição e consumo oral de 2 litros por dia de uma mesma fórmula enteral polimérica, suplementada com 15 g/l de fibras, derivadas de um mix de 6 tipos de fibras como única fonte de nutrição. Os parâmetros objetivos de medida da função intestinal foram tempo do trânsito gastrintestinal, média de fezes úmidas diárias (peso e freqüência). Tolerância subjetiva foi avaliada por monitoramento diário na freqüência dos sintomas gastrintestinais. RESULTADOS: 10 indivíduos completaram o estudo com sucesso. O tempo do trânsito intestinal foi significantemente prolongado durante o uso de fórmulas sem fibra, comparado com o uso de uma dieta livre e com mix de fibras. O tempo do trânsito intestinal da dieta com mix de fibra e dieta livre foi similar. O peso das fezes úmidas foi maior durante o uso de uma dieta livre do que cada dieta enteral no período (p<0,05). As freqüências intestinais foram comparáveis nos 3 grupos. CONCLUSÕES: dieta polimérica suplementada com fibras é bem tolerada como única fonte de nutrição e mantém o tempo de trânsito intestinal normal (um índice de função intestinal normal) quando consumida oralmente por voluntários saudáveis.

Estudo 2. Motilidade colônica

OBJETIVO: comparar os efeitos da motilidade colônica distal com uma fórmula enteral suplementada com um mix de 6 fibras administradas oralmente ou por sonda nasogástrica (SNG). MÉTODO: 2 grupos de 6 voluntários cada recebeu 250 ml de uma fórmula enteral suplementada com uma mistura de 6 fibras por 15 min (em duas ocasiões separadas por 2 horas) e 250 ml da mesma fórmula, administrada por SNG gravitacional, numa velocidade de 1.000 ml/h por 15 min (em 2 ocasiões separadas por 2 horas). Gravações de pressão intraluminal contínua foram feitas por 3 horas antes e 5 horas depois da administração da dieta enteral. RESULTADOS: administração oral em bolus de fórmula enteral suplementada com fibras foi bem tolerada, enquanto administração da mesma fórmula de SNG em bolus resultou em fezes líquidas em 5 pessoas. Estes resultados refletem achados em estudos similares usando dieta enteral sem fibra. Não houve mudança no índice da atividade colônica no grupo recebendo nutrição oral. Em contraste, o índice de atividade caiu significativamente nas 2 horas seguintes da administração de SNG em bolus, mas recuperou para um nível significativamente maior do que o jejum por 5 horas após a administração em bolus. Isto contrasta com trabalho prévio mostrando uma depressão continuada do índice de atividade pela administração de SNG em bolus de uma fórmula sem fibras. CONCLUSÕES: em comparação com trabalho prévio mostrando uma supressão prolongada da motilidade colônica, após administração em bolus de fórmula sem fibras, a mesma fórmula suplementada com uma mistura de 6 fibras resultou na recuperação da motilidade colônica maior que no jejum. Isto indica que a presença de um mix de fibras por ter um efeito protetor em um período mais prolongado de nutrição.

Efeitos de uma nutrição enteral suplementada com mix de fibras na função gastrintestinal. Trier E, Wells JCK, Thomas AG. J. Pediatr. Gastroenterol. Nutr. 1999; 28:595.

OBJETIVO: determinar a tolerância e efeitos na função gastrintestinal de uma nova fórmula pediátrica polimérica, enriquecida com uma mistura de 6 fibras. MÉTODO: 16 crianças requerendo terapia nutricional enteral (TNE) com um peso entre 8 a 20 Kg (idade média de 60 meses, uma variação de 13 a 125 meses) entraram no estudo duplo-cego, estudo cruzado controlado. As crianças foram randomizadas para cada uma receber uma fórmula enriquecida com mix de fibras ou uma fórmula isocalórica sem fibras por 14 dias, seguindo para uma fórmula alternativa por 14 dias. O tempo de trânsito intestinal foi medido usando um marcador cármino. Outros aspectos de função intestinal foram avaliados por monitoramento diário da freqüência dos sintomas gastrintestinais. RESULTADOS: ganho de peso foi satisfatório e ambas as fórmulas foram bem toleradas pelas 16 crianças. O número de dias de constipação foi significativamente menor durante administração de fórmula enriquecida com mix de fibras, o que foi associado com redução significativa de laxantes. CONCLUSÕES: fórmula enriquecida com mix de fibras é bem tolerada pelas crianças acima de 1 ano requerendo TNE, e reduz significativamente a freqüência de constipação.

COMENTÁRIOS

Durante os últimos anos, o maior conhecimento sobre as fibras tem tornado mais claro os efeitos específicos no trato gastrintestinal que os diferentes tipos de fibras possuem. A primeira tentativa foi incluir polissacarídeo de soj
a nas dietas enterais. Alguns estudos provaram que esta fibra poderia ter influência na freqüência e no peso das fezes. Mas os efeitos dessas fibras são geralmente limitados, e com o uso de apenas um tipo de fibra, o paciente após certo período de tempo acostuma-se e lentamente seus efeitos desaparecem. Graças a essas evidências, e em razão da alimentação saudável demonstrar o consumo de vários tipos de fibras diferentes, levou as empresas a desenvolver um raciocínio lógico e claro na criação de um mix de fibras tecnologicamente viável apresentando quantidade, qualidade, viscosidade e homogenização capazes de proporcionar todos os benefícios de seu uso.

Por: Nut. Adriana Alvarenga
Nutricionista da Support Produtos Nutricionais

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