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Nutrição parenteral: quando indicar e qual a melhor formulação?

Postado em 3 de novembro de 2009

Aproveitamos a vinda da dra. Valéria Abrahão a São Paulo e tiramos estas e várias outras dúvidas sobre o tema

A dra. Valéria Abrahão, médica especialista em terapia intensiva pela AMIB, especialista pela Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE), é professora de pós-graduação em nutrição clínica da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Dra. Valéria falou do uso da glutamina na UTI, sobre a equipe multiprofissional de terapia nutricional e também das deficiências vitamínicas no paciente crítico, entre outros assuntos.

Entre um debate e outro, conversou com a equipe do Nutritotal para esclarecer os principais pontos relacionados à nutrição parenteral. Confira.

1. Quando indicar e qual a melhor formulação de nutrição parenteral? 
A nutrição parenteral está indicada a todo paciente que não tem capacidade de comer ou de absorver todos os nutrientes de forma total ou parcial pelo tubo digestivo. O mercado dispõe de uma variedade de nutrientes específicos que devem ser usados conforme a condição clínica do paciente. As melhores formulações contêm estabilidade e devem ser prescritas por profissionais que realmente conhecem seus fundamentos, calculando-as de acordo com as necessidades individuais de cada paciente.

2. Quais pacientes podem receber nutrição parenteral? 
Desde que bem indicada, qualquer paciente pode receber nutrição parenteral, que pode, inclusive, ser recomendada por toda a vida para aqueles que tenham o aparelho digestivo sem autonomia para um bom funcionamento. Vale ressaltar que é extremamente importante que a aplicação seja bem feita, controlada e prescrita corretamente.

3. Qual o melhor momento para indicar a NP? 
A partir do momento em que, mediante a avaliação clínica, percebemos que o paciente não tem condições de absorver os nutrientes necessários pelo tubo digestivo. As sociedades americana e européia indicam que todo paciente que não consegue alcançar suas necessidades em sete dias deve receber nutrição parenteral, seja ela associada à nutrição enteral, seja nutrição parenteral exclusiva total. As diretrizes da sociedade européia, previstas para serem lançadas em agosto deste ano, serão um pouco mais incisivas quanto ao início da nutrição parenteral. Elas propõem que a equipe médica inicie uma abordagem nesse sentido já com três dias de jejum.

4. A NP está indicada no pré-operatório? 
Sim, quando o paciente não está em condições de se alimentar por via oral e quando ele está com desnutrição grave. O paciente bem nutrido no pré-operatório terá uma melhora de prognóstico no pós-operatório.

5. A NP pode estar associada a outras terapias nutricionais, como a nutrição enteral? 
Pode sim, aliás, o novo conceito empregado recentemente, e as sociedades européia e brasileira começam a citar isso, uma vez que já está acessível em muitos estudos da literatura, é que a nutrição mista pode ser benéfica aos pacientes para que alcancem as metas de proteína e calorias.

6. Há formulações mais eficazes entre as dietas parenterais existentes?Dispomos hoje de grande variedade de formulações de nutrição parenteral, desde as manipuladas até as prontas para uso. Dependendo da situação clínica do paciente, ele pode necessitar de nutrientes especiais. Falamos muito de modulação lipídica e como os lipídios podem influenciar alguns pacientes, por exemplo. Há também o Ômega 3, indicado quando há hipermetabolismo grave; e o Ômega 9, que são soluções bem estáveis e podem ser usadas em várias fases devido à sua função neutra, que evita danos ao fígado. Contamos, ainda, com as soluções de triglicerídeos de cadeia longa e média.

7. Quais as dietas parenterais mais estudadas no momento? 
Sem dúvida o assunto do momento é a modulação lipídica com Ômega 3, Ômega 9, lipídios estruturados e a glutamina intravenosa. A formulação lipídica tem como característica a possibilidade de interferir nos processos inflamatórios gerados pela doença. Dependendo do tipo de lipídio utilizado, e considerando a fase da doença em que o paciente está, o profissional poderá, de certa forma, abrandar este estado inflamatório ou simplesmente não interferir.

8. Há nutrientes especiais dentro de uma NP capazes de melhorar o estado nutricional do paciente? Destaque alguns deles e seus possíveis benefícios. 
A simples possibilidade de ofertar nutrição por alguma via, quando o tubo digestivo não funciona, já é um benéfico. A única coisa completamente maléfica ao paciente é ficar em jejum, ainda mais se for prolongado, uma vez que aumenta o tempo de hospitalização e também o risco de morte. Podemos destacar as soluções de lipídios, como Ômega 3, que modula a inflamação do doente hiperinflamado; o Ômega 9, que tem efeito neutro sobre a reação inflamatória e algumas implicações relacionadas à peroxidação lipídica e modulação do estresse oxidativo. Temos, ainda, a glutamina venosa, que é uma solução de aminoácidos que, dependendo das condições da doença, se torna extremamente importante por conta de suas funções antioxidantes e de preservação da barreira intestinal do paciente que não pode utilizar o tubo digestivo.

9. Pode haver algum prejuízo à saúde humana com o uso desses nutrientes na NP? 
Os riscos são sempre relacionados às prescrições. Por isso, a equipe de terapia nutricional deve ficar atenta para que o paciente receba a nutrição calculada corretamente. Não se pode nutrir menos ou mais. É preciso buscar o equilíbrio nutricional. Para tanto, a prescrição deve partir de um profissional que entenda a terapia de nutrição parenteral.

10. Os mesmos benefícios da NP podem ser encontrados no ambiente residencial? 
Sim. A terapia parenteral domiciliar traz benefícios àqueles que tem impedimento de usar o tubo digestivo a longo prazo, que não sobreviveriam em jejum. Com o aporte da nutrição parenteral eles passam a usufruir de melhor qualidade de vida.

11. As dietas parenterais estão acessíveis facilmente ao consumidor? 
A dieta parenteral é uma compra hospitalar ou pela assistência de home care, pois precisa de prescrição médica.

 

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