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NUTRIÇÃO PARENTERAL X CUSTO-BENEFÍCIO Qual o sistema de admistração de nutrição parenteral apresenta melhor custo-benefício?

Postado em 1 de novembro de 2002

Economic investigation of the use of three-compartment total parenteral nutrition bag: prospective randomized unblinded controlled study. Pichard C, Schwarz G, Frei A, Kyle U, Jolliet P, Morel P, Romand JA, Sierro C. Clin Nutr 2000; 19(4): 245-51.

OBJETIVO: comparar a aplicação de três tipos de sistemas de nutrição parenteral total (NPT) disponíveis: frascos separados, bolsas manipuladas no hospital e bolsas de três compartimentos. TIPO DE ESTUDO: clínico e randomizado. MÉTODO: sessenta pacientes foram randomizados para receber um dos três sistemas. Três soluções de NPT padrão foram prescritas para atingir as necessidades energéticas e protéicas. Atividades relacionadas com a equipe composta por médico, enfermeiro e farmacêutico foram contadas durante 24 horas de administração da NPT. Custos com pessoal, soluções de nutrientes e médicos foram calculados com base na média de salário e preços hospitalares da Suíça. RESULTADOS: bolsas de três compartimentos foi o sistema de NPT mais barato. Frascos separados e bolsas manipuladas no hospital atingiram um custo de 20 a 50% maior que as bolsas com três compartimentos. Frascos separados requereram mais itens e manipulação resultando em maior custo do pessoal de enfermagem. Custos de manipulação por farmacêuticos foi responsável pelo aumento dos custos das bolsas hospitalares. CONCLUSÃO: dados detalhados de pessoal observados neste estudo permitiu estimar os custos da aplicação de NPT em outros hospitais utilizando salários locais, preços de produtos específicos e custos de manipulação.

Infection risk and cost-effectiveness of comercial bags or glass bottles for total parenteral nutrition. Durand-Zaleski I, Delaunay L, Langeron O, Belda E, Astier A, Brun-Buisson C. Infect Control Hosp Epidemiol 1997; 18(3): 183-8.

OBJETIVO: determinar se um maior gasto diário de administração de nutrição parenteral total (NPT) através de bolsas plásticas trocadas uma vez por dia comparados com frascos de vidro trocados três vezes por dia poderia ser contrabalancear os custos através de economias decorrentes da redução de infecções nosocomiais. MÉTODO: foram comparados os custos e benefícios potenciais das bolsas de NPT disponíveis comercialmente e NPT em recipientes de vidro. Os custos foram computados pelo ponto de vista do hospital, primeiro de modo geral e depois para dois exemplos específicos (doença de Crohn e pacientes na unidade de terapia intensiva). O custo extra da utilização de bolsas foi de 20 dólares por dia. O custo total de bacteremia nosocomial foi estimado em seis mil dólares. Os benefícios monetários em usar bolsas de NPT foram de seis mil dólares considerando o desvio da porcentagem de infecções nosocomiais. Também foi considerado que a redução de manipulação intravenosa poderia reduzir a mortalidade relacionada a bacteremia e computada a uma escala de custo por vida salva. RESULTADOS: foi observado que bolsas de NPT poderia fornecer um valor líquido quando a redução absoluta do risco diário de uma bacteremia nosocomial alcançasse o valor básico de 0,3%. Tal redução não poderia ser conseguida com pacientes com doença de Crohn e correspondia de 50 a 60% de redução na escala de infecções de pacientes na unidade de terapia intensiva. O risco de mortalidade atribuída a infecção de 1 a 13% resultou num custo-efetividade, pelo uso de bolsas de NPT, na escala de 90 para 7 mil dólares por vida salva, presumindo uma redução de dois terços das infecções e de 180 para 14 mil dólares se o grau de infecção for reduzido por um terço. CONCLUSÃO: análise básica do custo mínimo concluiu que o custo extra de bolsas de NPT não foi justificado pelas economias extras obtidas. Entretanto, a análise do custo-efetividade concluiu que o custo por vida salva se encontrava dentro da margem aceita por intervenções de saúde pública, contanto que uma grande fração de infecções foram evitadas pelo uso de bolsas de NPT.

COMENTÁRIOS

O sistema de saúde vivencia crescente demanda por novas tecnologias e estratégias de combate à doença. Simultaneamente, novas intervenções cirúrgicas de grande porte (transplantes), novas doenças infecto-contagiosas (AIDS) e o progressivo envelhecimento de população adulta competem avidamente para consumir os recursos de saúde.

Os orçamentos de saúde são limitados e esforços tem sido feitos para conter os custos de saúde. Estes podem ser obtidos graças a avanços tecnológicos no seu preparo e dispensação. É neste contexto que estudos de custo-efetividade são bem-vindos. Na edição de hoje, discutimos as vantagens de dois sistemas de administração de nutrição parenteral (NP).

O estudo francês de Durand e col. comparou a solução de NP ministrada em conjuntos de vidros, trocados três vezes ao dia versus NP em bolsas plásticas trocadas uma vez ao dia. Embora o custo unitário da bolsa plástica fosse mais caro, o estudo de custo-efetividade indicou que este custo foi aceitável, uma vez que evitou infecção por contaminação.

O estudo suíço de Pichard e col. comparou três sistemas mais comuns de preparo de NP, verificando que, em termos de custo de pessoal de enfermagem e farmácia, e sistema industrializado pronto para uso foi o mais econômico, embora aparentemente com custo unitário maior.

Estes estudos apontam a necessidade da prática de estudos de custo-benefício e custo-efetividade para obter o real valor de uma novidade, que não pode se julgada somente na base de seu valor unitário.

Por: Dr. Dan L. Waitzberg
Professor Associado do Departamento de Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – FMUSP e Diretor do Grupo de Nutrição Humana – GANEP

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