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Os transgênicos no Brasil

Postado em 9 de outubro de 2009

Especialista comenta os alimentos já comercializados no país e quais os benefícios e riscos de seu consumo à saúde

Desde a décadas de 90, os alimentos transgênicos volta e meia são manchete na imprensa mundial. Enquanto a União Europeia autorizava a importação e o processamento da soja transgênica, em 1996, nos Estados Unidos, as culturas transgênicas já estavam aprovadas desde 1995.

No Brasil, só em 1998 veio o primeiro pedido de licença para comercializar a soja geneticamente modificada, concedida naquele mesmo ano pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). De lá para cá, entre autorizações e protestos de grupos ambientalistas, estão liberados para o consumo humano, de forma direta ou indireta, o milho resistente a insetos e ao herbicida glufosinato de amônio, utilizado para combater ervas daninhas; e a soja tolerante ao herbicida glifosato.

De acordo com o dr. João Roberto Nascimento, doutor em ciência de alimentos e professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, estes alimentos são modificados por meio da introdução de novo material genético a fim de conferir novas características, como, por exemplo, aumento da produtividade e maior resistência a pragas. Isso possibilita a redução do uso de agrotóxicos.

Com isto, já poderão contar com matérias-primas geneticamente modificadas em suas composições alimentos infantis, farináceos, óleos, molhos, condimentos, enlatados, sopas e pratos prontos, sobremesas lácteas, cereais matinais, achocolatados, chocolates, balas, salgadinhos, entre outros, desde que devidamente indicadas em seus rótulos.

Enquanto isso, as pesquisas não param. Já vem sendo estudadas a produção e a autorização para outros alimentos, com a batata, o feijão, o tomate e o mamão.

Confira o que pensa o especialista e quais os rumos das alterações genéticas em alimentos no Brasil e no mundo.

1. Como o senhor explica a forte oposição ao consumo dos transgênicos encontrada atualmente? O consumo pode trazer riscos à saúde?
Os produtos geneticamente modificados aprovados para a comercialização e para o consumo humano trazem um risco similar ao dos alimentos convencionais. A postura oposicionista encontrada em alguns grupos nada tem a ver com a segurança alimentar em termos científicos. São posições ideológicas, ou também com interesses econômicos, em que esses grupos utilizam a questão da segurança alimentar simplesmente para sensibilizar a opinião pública.

2. Alimentos geneticamente modificados podem trazer benefícios extras para a saúde nutricional?
Sim, com o avanço nas pesquisas podemos ter, no futuro, alimentos com melhor perfil de proteína ou com outras composições que poderão auxiliar, por exemplo, na prevenção de deficiências nutricionais ou contribuir para diminuição dos riscos de algumas doenças crônico-degenerativas.

3. Como é a legislação atual sobre a rotulagem destes alimentos?
Existe na legislação atual um limite de rotulagem, ou seja, se o teor de matéria prima geneticamente modificada em relação à matéria-prima convencional superar o valor de 1%, deve haver declaração obrigatória no rótulo. Ou seja, podemos presumir que não havendo esta declaração no rótulo, o alimento não seja transgênico, ou o teor de matéria-prima transgênica está abaixo de 1%.

4. E com é a fiscalização desta norma, as empresas seguem à risca a determinação?
Para as empresas, acho que é muito mais barato cumprir essa legislação do que correr o risco de ter o seu nome manchado por conta de uma não conformidade. Portanto, as empresas precisam conhecer sua matéria-prima. Isso é necessário, sobretudo, para a exportação, pois muitos produtos precisam estar acompanhados deste tipo de informação.

5. Qual é a relação entre alimento transgênico e o uso de agrotóxicos?
Estes alimentos, em geral, são mais resistentes a pragas, portanto, podem requerer um uso menor de herbicida, ou menos aplicações. Por exemplo, o milho geneticamente modificado é resistente a lagartas. Esta resistência foi adotada de modo a tornar dispensável o uso de praguicidas para este fim. No entanto, há produtores mal informados ou sem o conhecimento técnico necessário que podem fazer uso indevido de agrotóxicos, independentemente das culturas serem transgênicas ou não.

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