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Pare de fumar e fique de bem com a balança

Postado em 31 de julho de 2008

Entenda a relação entre parar de fumar e engordar

Aconteceu em São Paulo, durante o evento Ganepão 2008, um debate sobre a relação entre parar de fumar e engordar. O médico pneumologista Ciro Kirchenchtejn, coordenador do HelpFumo – Serviço de Avaliação Pulmonar do Hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo -, esteve no evento tirando dúvidas e apresentando saídas para enfrentar mais esse obstáculo ao abandonar o tabagismo. Confira a entrevista.

1. Por que as pessoas engordam ao parar de fumar?
São vários os motivos. As alterações neuroendócrinas provocadas pela nicotina, por exemplo, incentivam a produção de catecolaminas, noradrenalina e de adrenalina, aumentando o metabolismo basal. Ao parar de fumar, há redução deste metabolismo em 300 a 500 kcal por dia. Assim, mesmo se o indivíduo mantiver a dieta que tinha enquanto fumava acabará engordando. Por essa razão, é essencial que o paciente planeje o que será colocado em seu prato e não exagere. Também não se deve deixar enganar afirmando que um prato era só sopa, ou outro apenas salada ou que faltou o prato principal. Faça um único prato.

2. O que fazer com a falta do cigarro ao final das refeições?
Este é um hábito subconsciente, finalizar as principais refeições com um cigarro. Haverá crises de fissura, nas quais o indivíduo tem a necessidade de ocupar a boca e freqüentemente vai recorrer a balas, chicletes, chocolates e outros doces para aliviar as crises. Ao deixar o vício, ele deve substituir este sinal de finalização por outros mais saudáveis, como a ingestão de uma fruta, um café ou até mesmo escovar os dentes. A higiene bucal imediata é a melhor medida a ser tomada, pois além de não engordar ou possuir contra indicações, tem como estímulo extra o frescor bucal, que fará o paciente pensar duas vezes antes de fumar um cigarro mal cheiroso.

3. Como enfrentar as crises de fissura no decorrer do dia?
A água é uma das melhores soluções, não só por ocupar a boca, mas por fazer bem ao organismo e demorar tempo suficiente para a crise apaziguar. Outra tática é respirar com calma, contando as inspirações, ou caminhar pequenas distâncias, dar uma volta ao redor de casa ou ir até o elevador. São movimentos que entretém e acalmam.

4. E se comer for inevitável?
Se houver realmente a necessidade de comer, o paciente deve evitar os alimentos altamente calóricos. A melhor atitude é fazer um planejamento com um nutricionista, que poderá auxiliar a identificar entre os alimentos preferidos do paciente quais poderão ser ingeridos nas crises, ou quantos pequenos lanches poderá fazer durante o dia para abrandar a fissura.

5. Quais as opções mais indicadas?
Barrinhas de cereais, balas sem açúcar, frutas e gomas de mascar são algumas delas, mas tomando cuidado para não ter ações impulsivas. Se a pessoa sabe que não se contentará em comer uma única bala e acabará ingerindo todo o pacote ela não deve escolher este alimento para superar as crises e sim algo mais nutritivo, como gomos de mexerica ou uma maçã. Qualquer que seja o alimento, é sempre melhor caminhar, beber água ou respirar vagarosamente. A alimentação é invariavelmente a pior opção.

6. Parar de fumar causa depressão?
O fumante que abandona o vício fica mesmo mais triste. É um estado de luto, com uma coisa que ele gostava sendo arrancada. É preciso tomar cuidado com esse sentimento, para não cair na armadilha de compensar a “perda” comendo. Um grande erro é considerar a abstinência da nicotina um esforço tão grande e se premiar com alimentos, esquecendo que parar de fumar é uma atitude saudável que o recompensará com uma vida mais longa e sadia.

7. O que fazer com os desejos repentinos durante o dia? 
O paciente deve reconhecer seus gatilhos. Se tomar café reacende a vontade de fumar, não tome café. Se determinada atividade faz lembrar do cigarro, tente entreter-se com outra coisa enquanto a realiza. Evitar as situações que o remetem ao tabagismo é a melhor forma de não ter recaídas, enquanto que a desatenção a estes gatilhos pode causar mais crises e o fumante acabar descontando na comida.

8. Mascar chiclete resolve? 
Os chicletes vêm para resolver a questão da oralidade, o hábito de estar o tempo todo levando alguma coisa à boca. Não são exatamente as melhores opções, mesmo os chicletes que não contém açúcar, pois o hábito pode ocasionar problemas gástricos.

9. E as opções de chiclete com nicotina? 
São interessantes, pois permitem que o organismo absorva nicotina de uma forma mais saudável e são importantes ferramentas contra a repetição nas principais refeições. Depois de comer suficientemente, se ainda sentir fome, o chiclete é uma boa opção para enganar este desejo ocasionado pela abstinência. Há inclusive uma técnica especial para mascá-lo: mastigar cerca de 7 vezes o chiclete, para que ele libere a nicotina, e em seguida mantê-lo entre os dentes e as bochechas por cerca de 15 segundos. Quando o gosto passar, repetir as 7 ou 8 mastigadas, e assim por diante, até que se sinta saciado.

10. Fumar emagrece? 
Quem fuma têm em média menos peso que aqueles que não alimentam o vício. Uma das explicações é o metabolismo acelerado. Mas utilizar o cigarro como emagrecedor não faz sentido, pois existem muitos obesos fumantes. Vale lembrar a seguinte frase: “peso, você pode perder, mas o pulmão que se perde, não se recupera mais”. O cigarro coloca toxinas na corrente sangüínea, diminui a oxigenação, aumenta os níveis de adrenalina e o estresse corporal. Tudo isso para tentar diminuir seu peso? O fumante, como o usuário de tantas outras drogas, tem alterações metabólicas, muda seus hábitos alimentares, e sofre com crises de abstinência e efeito rebote. Manter uma alimentação saudável e fazer exercícios não só é a maneira mais benéfica para a saúde, como a única em que não há prejuízos.

11. Qual dica daria para quem quer parar de fumar? 
Focalize os benefícios que terá ao deixar o vício, que além dos pulmões, beneficiará dentes, pele e a saúde como um todo. Ter pessoas que o estimulem também ajuda muito, o apoio dos familiares é essencial, bem como pensar no bem estar do filho pequeno ou mesmo em como o ambiente ficará mais agradável sem toda aquela fumaça. E não esqueça que quem pára de fumar tem uma sobrevida maior que a do fumante, e este tempo a mais com certeza deve ser valorizado e aproveitado por uma pessoa mais saudável.

12. Como o nutricionista pode auxiliar a tentativa de abandono do tabagismo? 
O auxílio destes profissionais é muito importante para a aceitação das críticas e das mudanças no cardápio. Muitas vezes o fumante não aceita sugestões de amigos e familiares, mas o profissional especializado tende a ser ouvido. É preciso que os nutricionistas incentivem o paciente a seguir a dieta e a não desistir, mesmo após tentativas fracassadas, sempre ressaltando os benefícios de uma vida mais saudável.

13. Que orientação o senhor daria à nutricionista, para o atendimento ao ex-fumante?
O nutricionista deve ajudar lembrando que a prioridade é, realmente, parar de fumar e que, simultaneamente, poderá auxiliar o paciente a não engordar demais ou manter o peso. É importante que o nutricionista frise que no momento em que a pessoa sentir a perda de um prazer, no caso o cigarro, ela não faça grandes substituições, não saudáveis, com relação aos seus hábitos alimentares, evitando a troca de uma compulsão por outra. Caso ainda existam dúvidas remanescentes, há mais orientações no http://www.helpfumo.com.br.

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