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Quais são os controles laboratoriais necessários para o acompanhamento da nutrição parenteral em doente estável metabolicamente no hospital e domicílio e em UTI?

Postado em 15 de dezembro de 2006 | Autor: Camila Garcia Marques

Segundo a Portaria n. 272, de 1998, que regulamenta os requisitos mínimos para o uso da nutrição parenteral (NP), todos os pacientes que recebem essa terapia nutricional devem ser controlados quanto à eficácia do tratamento, efeitos adversos e modificações clínicas que possam influenciar na qualidade da dieta. Por isso, realizam-se testes laboratoriais que fornecerão dados objetivos e de grande importância para a identificação de alterações nutricionais (1-3).

Porém, além dos exames laboratoriais, é necessário observar o grau de hidratação do paciente, sinais clínicos de distúrbios hidroeletrolíticos, ocorrência de edema, alterações do nível de consciência, curva térmica, número de evacuações e propedêutica abdominal. Sempre que possível, solicitar controle de diurese e cálculo do balanço hídrico. Também devem ser avaliados: ingressos de nutrientes, tratamentos farmacológicos concomitantes, sinais de intolerância à NP, alterações antropométricas, hematológicas e hemodinâmicas, assim como modificações em órgãos e sistemas cujas funções devem ser verificadas periodicamente (1,2,4).

Portanto, ao iniciar a NP em pacientes metabolicamente estáveis, os testes laboratoriais devem fornecer as dosagens referidas no quadro abaixo e, ainda, como prevenção de dislipidemias, solicita-se exame de colesterol total e triglicérides. No quadro, seguem os exames e a freqüência com que devem ser solicitados para pacientes em NP em fase estável (4,5).

Exames

Controle

Observação

Sódio, potássio e cloro

Semanal

Na primeira semana após a introdução de NP, devem ser controlados 3 vezes por semana

Cálcio iônico, fósforo e magnésio

Semanal

Na primeira semana após a introdução de NP, devem ser controlados 2 vezes por semana

Glicose

Semanal

Na primeira semana após a introdução de NP, deve ser controlada diariamente

Uréia plasmática, creatinina, proteína total e frações

Semanal

 

Provas de função hepática: TGP (transaminase glutâmico-pirúvica), TGO (transaminase glutâmico-oxalacética), GGT (gama-glutamil transferase), fosfatase alcalina, plasmáticas

Semanal

Na primeira semana após a introdução de NP, devem ser controladas 2 vezes por semana

Hemoglobina, hematócrito

Semanal

 

Glicose urinária

2 vezes por dia

Na primeira semana após a introdução de NP, deve ser controlada 4 a 6 vezes por dia

Densidade ou osmolaridade urinária

diário

Na primeira semana após a introdução de NP, deve ser controlada 2 a 4 vezes por dia

Balanço hídrico

12 em 12 horas

 

Quanto aos pacientes em NP em fase instável, em unidade de terapia intensiva (UTI), segue-se o controle (5):

Exame

Controle

Sódio, potássio e cloro

A critério do médico

Cálcio iônico, fósforo e magnésio

2 vezes por semana

Glicose

A critério do médico

Osmolaridade plasmática

Diário

Uréia e creatinina plasmáticas

2 vezes por semana

Proteína total e frações

2 vezes por semana

Bilirrubina total e frações

Semanal

Provas de função hepática ALT, AST, GGT, fosfatase alcalina, plasmáticas

Semanal ou quando necessário

Hemoglobina, hematócrito

Diário

pH e gasimetria

Diário

Glicose urinária

4 a 6 vezes por dia

Densidade ou osmolaridade urinária

2 a 4 vezes por dia

Balanço hídrico

6 em 6 horas

Colaboração: Mariana Raslan.

 

Referências

1. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Portaria nº 272, de 8 de abril de 1998, Ministério da Saúde. Aprova o Regulamento Técnico para fixar os requisitos mínimos exigidos para a Terapia de Nutrição Parenteral

http://www.nutritotal.com.br/diretrizes/?acao=bu&categoria=3&id=48. Acessado em 11/12/06.

2. Bottoni A, Oliveira GPC, Ferrini MT, Waitzberg DL. Avaliação Nutricional: Exames Laboratoriais. In: Waitzberg DL. Nutrição Oral, Enteral e Parenteral na Prática Clínica. 3ed. São Paulo; Editora Atheneu, 2000. p.279-94.

3. Brito S, Dreyer E. Terapia Nutricional – Condutas do Nutricionista. Grupo de Apoio Nutricional Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional GAN/EMTN – HC (Hospital das Clínicas). Disponível em: http://www.nutritotal.com.br/publicacoes/files/139–manual%20nutricionista%20TN.pdf. Acessado em 11/12/06.

4. Manual de terapia nutricional do hospital das clínicas da UNICAMP. Acessado em 07/12/2006. Disponível em: http://virtual.unaerp.br/servlets/Download?idContent=2699. Acessado em 11/12/06.

5. Guia Básico de Terapia Nutricional – Manual de Boas Práticas. São Paulo; Editora Atheneu, 2005. p.137-39.

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