Quais são os distúrbios nutricionais relacionados com o autismo?

Postado em 1 de março de 2013 | Autor: Rita de Cássia Borges de Castro

Além das anormalidades associadas com o desenvolvimento motor e comportamental, estudos observam alterações no metabolismo de nutrientes, principalmente das proteínas, do paciente com autismo.

A literatura científica tem reportado níveis sanguíneos elevados de gluteomorfina (peptídeos derivados da proteína do glúten) e a caseomorfina (peptídeos derivados da caseína). O aumento da concentração dessas substâncias está relacionado com alteração do nível de acidez estomacal, alteração da motilidade intestinal, redução do número de células nervosas do sistema nervoso central e inibição da neurotransmissão.

A partir desses achados surgiram algumas hipóteses sobre a possível relação entre autismo e distúrbios do metabolismo proteico, correlacionando o consumo das proteínas derivadas do leite e glúten ao agravamento dos sintomas do transtorno autístico. Além disso, pesquisas relatam que indivíduos autistas que aderiram a uma dieta isenta de caseína e glúten apresentaram melhora dos sintomas.

Um estudo realizado com crianças brasileiras autistas identificou que 50% dos autistas expressam o comportamento de comerem muito rápido e 46% consomem porções exageradas de alimentos. Essa pesquisa também revelou que 57% têm o consumo de energia superior ao recomendado e baixo consumo de fibras, vitamina C e cálcio. Outros estudos detectaram ingestão inadequada de ácido fólico, vitamina B6, vitamina A, vitamina C e zinco. Foi verificado também que crianças autistas apresentam níveis sanguíneos mais baixos de vitamina D, quando comparadas com crianças da mesma idade e sem o transtorno. Neste sentido, alguns pesquisadores sugerem que a suplementação vitamínica/mineral pode ser uma abordagem benéfica para crianças e adultos com autismo.

Os ácidos graxos poli-insaturados (AGPIs), como o ácido araquidônico (AA, ômega-6), ácido eicosapentaenoico (EPA, ômega-3) e ácido docosaexaenoico (DHA, ômega-3), parecem desempenhar um papel significativo na formação de sinapses cerebrais, memória, e no desenvolvimento da função cognitiva. A deficiência de AGPIs pode ter um papel na fisiopatologia do autismo, pois estudos demonstraram que a composição de ácidos graxos dos fosfolipídios de células sanguíneas está alterada em pacientes com autismo. Resultados de estudos preliminares demonstram que a suplementação com ômega-3 melhora a habilidade motora e cognitiva, sociabilidade, contato visual e concentração, além de reduzir a agressividade, irritabilidade e hiperatividade em crianças autistas.

O autismo é um transtorno neuropsiquiátrico que se desenvolve na infância precoce, caracterizado pela deterioração ou demora na interação social e da linguagem, com padrões repetitivos de comportamento. A sua etiologia ainda é desconhecida, apresentando anormalidades na estrutura e função cerebral, especialmente no sistema límbico e cerebelar.

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Bibliografia

Das UN. Nutritional factors in the pathobiology of autism. Nutrition. 2013 Feb 11. doi:pii: S0899-9007(12)00436-4.

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