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Restrição hídrica na prática hospitalar

Postado em 10 de março de 2010

A restrição hídrica é a limitação da quantidade de líquidos que um paciente pode receber. Sua indicação depende das condições clínicas do paciente e é especialmente importante em situações que causem uma intoxicação hídrica, como em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva, síndrome nefrótica ou insuficiência hepática com ascite.

Em entrevista exclusiva ao Nutritotal, o dr. Carlos E. Pompilio, médico-supervisor da UTI – Divisão de Clínica Cirúrgica II e do Serviço de Transplante Hepático do Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, esclarece as principais dúvidas acerca do assunto.

1. O que caracteriza a restrição hídrica?
Restrição hídrica é toda restrição de fluidos que se faz necessária como ferramenta terapêutica.

2. Quando é necessária essa restrição? 
Ela é especialmente necessária em situações onde há intoxicação hídrica, seja nos estados edematosos ou de hipo-osmolalidade. A medida é necessária para evitar que a água dilua os eletrólitos, em especial o sódio, causando distúrbios osmóticos.

3. Há mudanças fisiológicas no organismo após o início da restrição hídrica? 
Sim, e são estas mudanças fisiológicas, consequentes da restrição hídrica, que colaboram na reversão dos estados patológicos mencionados acima. Por exemplo, a conservação do sódio e consequente concentração dos solutos no plasma.

4. Como calcular a quantidade de líquidos a ser restrita? 
Não há uma forma de cálculo específica. O balanço hídrico e, principalmente, a pesagem diária do paciente servem como guia.

5. Além da restrição hídrica, que outras mudanças devem ser instituídas na dieta oral do paciente? 
Nos estados edematosos, a restrição hídrica normalmente é acompanhada de restrição de sal.

6. A água presente nos alimentos também é computada? 
A água intrínseca dos alimentos não, mas todos os líquidos via oral devem ser computados.

7. Como é feita a distribuição e o monitoramento de líquidos no decorrer do dia? 
O paciente e/ou acompanhante devem ser orientados sobre o problema. O próprio paciente, quando possível, faz sua distribuição. Quando isso não é viável, mantemos os horários das refeições. Uma integração entre a equipe de enfermagem e a de nutrição é fundamental para bons resultados.

8. Qual profissional é responsável por fazer esse monitoramento? 
Toda a equipe multiprofissional, em especial a nutrição e a enfermagem.

9. Há particularidades no caso de paciente que recebe nutrição enteral ou parenteral? 
Não muda. As dietas enterais e parenterais têm a quantidade de líquidos e sais conhecidas, o que facilita bastante.

10. Como proceder caso o paciente sinta sede? 
Existem alguns truques, o mais conhecido é oferecer gelo. A espironolactona, por inibir a aldosterona, hormônio que participa do mecanismo da sede, pode ajudar. Outra opção são os betabloqueadores, que desempenham um papel no controle da sede.

11. Pacientes com complicações renais se beneficiam da restrição hídrica? 
Depende da complicação. Em estados edematosos de causa renal, a resposta é sim.

12. E em relação às complicações cardíacas? 
Também depende do caso. Nos estados edematosos pode ser a conduta mais importante, antes das medicações, juntamente com a restrição de sal.

13. Quais outras patologias ou estados clínicos requerem restrição hídrica? 
Alguns dos principais diagnósticos que precedem a indicação de restrição hídrica são a insuficiência cardíaca congestiva, a síndrome nefrótica ou a insuficiência hepática com ascite, entre outros.

14. Como é feita a orientação da restrição hídrica quando o paciente recebe alta hospitalar? 
O paciente deve ser orientado sobre o volume máximo que pode ser ingerido (por exemplo, uma garrafa de água mineral de 1 litro ao dia). Também é importante solicitar a mensuração da diurese, que auxilia no controle, pois ao monitorar o volume de diurese, o paciente aprende quando pode ou não beber mais líquidos.

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