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Tragédias intrigam especialistas sobre capacidade do organismo em sobreviver sem alimentação

Postado em 6 de maio de 2010

Em entrevista exclusiva, nutricionista comenta as principais variáveis que envolvem o estado nutricional em casos extremos

Vivemos um período marcado por diversas tragédias. Terremotos, tsunamis, enchentes e deslizamentos de terra

recheiam as manchetes dos jornais em todo o mundo. Após o primeiro impacto das notícias, chegam as informações sobre os sobreviventes e os mais inacreditáveis resgates, que enchem de esperança todos aqueles que assistem ao sofrimento de familiares e amigos dos desaparecidos.

Em muitos casos, mesmo depois de perdidas as esperanças até mesmo por parte de quem tem experiência no assunto, como os membros das equipes de resgate, um gemido, uma movimentação, um sinal muda completamente o rumo das buscas. Recentemente, no Haiti, após o terrível terremoto que vitimou mais de 200 mil pessoas, médicos e profissionais da saúde ainda se intrigam com raros casos de sobrevivência.

Depois da senhora de 70 anos que sobreviveu sete dias nos escombros de Porto Príncipe, e de Guerlande Gay, de 14 anos, que permaneceu soterrada por 13 dias sob a casa onde morava, salva pelos vizinhos, foi a vez de Darlene Etienne, de 16 anos, que sobreviveu durante longos 15 dias sob montes de entulho, sem comer e sem beber água.

Mas afinal, por quanto tempo o ser humano consegue sobreviver sem alimentação? O que define esta resistência e como o estado nutricional pode favorecer, não apenas nas grandes catástrofes, mas também em nosso dia-a-dia, tornando-nos mais resistentes às alterações de temperatura, às viroses e até mesmo ao estresse.

Para sanar estas dúvidas, o Nutritotal conversou com a nutricionista Anita Sachs, do Departamento de Medicina Preventiva da Disciplina de Nutrição da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Confira!

Qual a influencia do estado nutricional para o sistema imunológico? 
Uma série de reações de resistência de combate às doenças é determinada pela quantidade de nutrientes que nós temos no organismo. Eles são responsáveis pela defesa do organismo.

Por que o organismo bem nutrido suporta melhor as adversidades, inclusive em casos extremos, como terremotos ou situações de guerra e suas consequentes privações de água ou alimentos? 
Porque o organismo tem uma reserva energética e, com ela, uma reserva de micronutrientes. A resistência do organismo à estas situações de privação, em parte, se deve à essa reserva.

Tem ideia da diferença na resistência de um indivíduo bem nutrido para um subnutrido? 
Isso é muito relativo, vai de cada indivíduo, depende da idade, do metabolismo, de uma série de fatores, mas lógico que o bem nutrido resiste mais.

Nesta época do ano, com mudanças bruscas de temperatura, como devemos nos proteger por meio de alimentação? 
Consumindo as mais diversas fontes de vitaminas, minerais e um bom aporte energético, de acordo com o gasto energético.

Quais alimentos não deveriam faltar? 
Frutas, hortaliças, cereais, leguminosas, leite ou substituto e carnes ou ovos.

E tem algum alimento que devamos evitar ou consumir moderadamente? 
Por conta das mudanças bruscas de temperatura, não.

Qual o papel da hidratação para a defesa do organismo? 
O papel é fisiológico, auxiliando em todas as reações do organismo.

Há vitaminas específicas para a imunidade? Quais? 
Sim, têm algumas vitaminas específicas para a imunidade, alguns minerais também mais específicos. Exemplo são as vitaminas do complexo B nos cereais, como arroz e trigo; vitamina C, em frutas como manga e laranja, ou em hortaliças, como o pimentão; além de vitamina A, presente em algumas hortaliças e frutas também.

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