O poder digestivo das folhas de alcachofra

Postado em 14 de agosto de 2019 | Autor: Sula de Camargo

Em forma de chá ou suco é possível aproveitar todos os benefícios

Sula de Camargo

Sula de Camargo* é nutricionista

Se você já tomou o chá feito com as folhas da alcachofra, provavelmente nunca esqueceu o seu gosto, mais puxado para o amargo. A infusão feita como a folhagem do vegetal, cujo nome botânico é Cynara scolymus, é opção de muitos quando estão com dificuldade de digestão.

O chá da alcachofra pode dar uma forcinha devido à sua ação digestiva, desencadeada pelos princípios amargos. Ao consumi-lo, é possível notar um aumento do suco gástrico e também a diminuição nos espasmos intestinais, que são as contrações da musculatura no intestino.

Mais benefícios da alcachofra

Outros benefícios da alcachofra em forma de chá englobam a ação colerética que ela oferece, que se refere ao aumento na produção de bile responsável por auxiliar na digestão das gorduras da alimentação. Também tem efeito hepatoprotetor, ou seja, protege o fígado contra agressões, graças a sua ação antioxidante e anti-inflamatória.

Pode-se citar ainda que o chá das folhas de alcachofra tem propriedades hipolipemiantes, ou seja, tem a capacidade de reduzir os níveis de colesterol. Isso pode ocorrer principalmente com o uso do chá das folhas frescas ou do suco das folhas. Mas não é fácil encontrar a folha fresca.

Orientações

Mas apesar de todos os benefícios que a alcachofra oferece, não deixe de tomar seus remédios e, se faz uso de medicações, primeiro consulte seu médico. Isso porque a alcachofra pode diminuir a eficácia de medicamentos que interferem na coagulação sanguínea (anticoagulantes) e pode interagir com outras medicações, diminuindo a concentração sanguínea de alguns fármacos, o que prejudica sua ação.

E caso você apresente sintomas relacionados a má digestão, constipação e inchaço e deseja tomar o chá de alcachofra, procure primeiro o médico para que ele investigue a causa destes sintomas, pois podem ser indícios de alguma doença. No tratamento, o nutricionista pode auxiliar e orientar as doses corretas para o seu caso, tempo de uso e combinação com outras plantas medicinais que mascarem o sabor característico da planta sem prejudicar sua ação.

Os principais grupos fitoquímicos presentes na folha da alcachofra são os princípios amargos, ácidos fenólicos, ácidos-álcoois alifáticos entre outros. É importante ressaltar ainda que, pela sua eficácia, a folha do vegetal faz parte da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename) e pode ser distribuída gratuitamente em alguns serviços públicos de saúde, desde haja a compra pelo município e a prescrição.

Sobre suas contraindicações, não deve ser consumida durante a gravidez e em menores de 12 anos, por falta de estudos. E na lactação, os princípios amargos podem alterar o sabor do leite materno e a consistência.

E se você tem litíase biliar (pedra na vesícula) não tome o chá sem consultar um profissional da área. O uso inadequado pode causar prejuízos à sua saúde. O uso da folha de alcachofra pode causar diarreia leve com espasmos abdominais, náuseas e azia, mas estes efeitos não são comuns.

Por fim, quando se fala em fitoterapia, uma dica importante e sempre válida é não comprar a planta medicinal em qualquer lugar, busque empresas idôneas que comercializem produtos de qualidade. Observe na embalagem o nome botânico e a parte da planta se é correspondente e se não está fungada.

*Sula de Camargo é nutricionista, docente e palestrante. Vice-presidente da Associação Paulista de Fitoterapia (APFit).

Referências bibliográficas:

Alonso J. Tratado de fitofármaco e nutracêutico. 1 ed. São Paulo: AC Farmacêutica; 2016.

Saad G. Et al. Fitoterapia contemporânea. 2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.

Santos HO et al. The effect of artichoke on lipid profile: A review of possible mechanisms of action. Pharmacol Res. 2018 Nov;137:170-178.

Gebhardt R. Inhibition of cholesterol biosynthesis in primary cultured rat hepatocytes by artichoke (Cynara scolymus L.) extracts. J Pharmacol Exp Ther. 1998 Sep;286(3):1122-8.

ANVISA. Memento de fitoterapia Farmacopéia Brasileira. 1 ed. 2016.

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