Desafios da alimentação de crianças e adolescentes durante a quarentena

Postado em 6 de maio de 2020 | Autor: Adriana Servilha Gandolfo e Patrícia Zamberlan

Veja quais são as recomendações para os pais e pequenos

Adriana Servilha Gandolfo e Patrícia Zamberlan, nutricionistas

Adriana Servilha Gandolfo e Patrícia Zamberlan são nutricionistas*

Com a pandemia do COVID-19, a alimentação em casa tornou-se praticamente obrigatória em meio às recomendações de distanciamento social. E no caso crianças e adolescentes, vale destacar que é necessário, ainda, a presença de algum familiar nas refeições. Essa aproximação possibilita observar o comportamento alimentar da criança ou adolescente, identificar problemas e pensar em alternativas possíveis para uma alimentação saudável (rica em proteínas, vitaminas e minerais), tão importante para o fortalecimento do sistema imunológico.

O ambiente doméstico influencia diretamente no que as crianças e adolescentes vão comer. Logo, a familiaridade com o alimento será maior quanto maior for a demonstração e o exemplo de consumo pelos pais.

Como incentivar crianças e adolescentes a uma alimentação saudável

  • Os pais devem dar o exemplo, consumindo os mesmos alimentos oferecidos às crianças;
  • Devem disponibilizar frutas, verduras e legumes nas refeições junto aos alimentos preferidos, tornando-os acessíveis (lavados, descascados e picados);
  • Variar a oferta de pães, biscoitos e bolos, substituindo-os por milho, mandioca ou batata cozida;
  • Realizar receitas como saladas, leite batido com frutas, salada de frutas, bolos e biscoitos caseiros, com a participação das crianças. Essa interação é importante para estimular o contato, principalmente, com novos alimentos;
  • Evitar realizar refeições na presença de dispositivos eletrônicos como televisão, computador, celular, tablet;
  • Oferecer o mesmo alimento em diferentes formas de preparação e apresentação (ex.: cenoura. Adicionar a bolos, sucos, arroz, omelete, molhos. Oferecer ralada, fatiada, cozida, crua etc.);
  • Compreender que, por vezes, a criança pode estar sem fome ou indisposta para comer;
  • Oferecer água com frequência e evitar bebidas açucaradas;
  • Limitar a oferta de alimentos industrializados como biscoitos, sorvetes, carnes processadas (hambúrguer, salsicha etc.), salgadinhos.

O que não deve ser feito:

  • Obrigar ou forçar a criança a comer, o que gera conflitos;
  • Chantagear a criança. Exemplo: “se comer todo o legume, vai ganhar a sobremesa”;
  • Substituir a alimento recusado por outro de preferência da criança;
  • Desistir de oferecer o alimento após poucas tentativas;
  • Compensar com pães, biscoitos, leite, em caso de inapetência;
  • Classificar os alimentos em “saudáveis” e “não saudáveis” ou “proibidos” e “permitidos”;
  • Obrigar o filho a terminar o prato quando ele não quer mais, ou não permitir que ele repita algo, quando pede mais.

Responsabilidades dos pais:

  • Escolher, comprar, preparar ou providenciar o preparo dos alimentos;
  • Decidir o que, quando e onde será feita a refeição;
  • Estabelecer horários, evitando que os filhos “belisquem” e bebam (exceto água) entre as refeições e os lanches;
  • Proporcionar momentos agradáveis durante as refeições;
  • Ensinar aos filhos o que eles precisam aprender sobre comida e comportamento alimentar;
  • Ser exemplo para o filho sobre o que e como comer;
  • Evitar categorizar alimentos que “gostam” e “não gostam”. Isso pode contribuir para que os filhos não provem os alimentos novamente ou não experimentem novos;
  • Estimular comportamentos alimentares adequados como comer com calma; sentir o gosto, o cheiro e a textura dos alimentos; e perceber os sinais produzidos pelo organismo que indicam a hora de começar e parar de comer.

Responsabilidades de crianças e adolescentes:             

  • Decidir se vai comer e quanto vai comer;
  • Comer somente a quantidade necessária;
  • Aprender a comer o que seus pais comem;
  • Aprender a se comportar nas refeições como sentar à mesa, usar os talheres de maneira adequada, mastigar de boca fechada, não falar enquanto come.

*Adriana Servilha Gandolfo é nutricionista pelo Centro Universitário São Camilo. Pós-graduada em Saúde Materno Infantil pela Faculdade de Saúde Pública da USP. Pós-graduada em Desnutrição e Recuperação nutricional pela Unifesp. Mestre em Ciências pelo departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da USP. Nutricionista Supervisora do Serviço de Nutrição e Dietética do Instituto da Criança/HCFMUSP. Coordenadora da Câmara Técnica de Nutrição Clínica (CONUCLI) do Comitê Assistencial, Técnico-científico e Administrativo de Nutrição (CANUT)/HCFMUSP.

*Patrícia Zamberlan é nutricionista pela Faculdade de Saúde Pública da USP. Mestre e Doutora em Ciências pelo Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da USP. Nutricionista da EMTN do Instituto da Criança, HCFMUSP. Especialista em nutrição parenteral e enteral pela Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE/BRASPEN).

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Anderson KL. A review of the prevention and medical management of childhood obesity. Child Adolesc Psychiatric Clin N Am 2018;27:63-76.

Gualano B. Como manter uma alimentação saudável em tempos de isolamento? FORC, 2020.

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