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Por que utilizar a suplementação de beta-alanina?

A suplementação contendo beta-alanina tem sido usada com a finalidade de aumentar a quantidade de carnosina no músculo no intuito de neutralizar a acidez muscular produzida em exercícios físicos.

A beta-alanina é um aminoácido não essencial, pois é endogenamente produzida pelo fígado, e não proteogênica, pois ela não faz parte da estrutura de proteínas. Esse aminoácido é um precursor da carnosina, um dipeptídeo formado pela ligação da beta-alanina com a histidina. A beta-alanina é o principal limitante da disponibilidade de carnosina no organismo humano.

A produção de ácido lático durante a glicólise anaeróbia, ocorrida durante exercícios físicos de alta intensidade, resulta na formação de uma grande quantidade de íons H+, que gera acidez muscular, dor em queimação e pode estar associado à fadiga. Para neutralizar essa acidose, o organismo dispõe de sistemas de tamponamento, dentre os quais se encontra a carnosina. Neste sentido, o objetivo da suplementação de beta-alanina é de aumentar os níveis musculares de carnosina e, consequentemente, retardar a fadiga e diminuir a concentração de metabólitos em resposta ao exercício.

Evidências científicas sugerem que a suplementação de beta-alanina pode retardar o aparecimento de fadiga neuromuscular e melhorar o limiar anaeróbico. Os efeitos ergogênicos da suplementação de beta-alanina são evidentes em atividades que provocam uma forte condição de acidose intramuscular, como os exercícios físicos de alta intensidade e intermitentes ou em exercícios de alta intensidade com duração superior a 60 segundos.

Atualmente, o único efeito adverso conhecido da suplementação de beta-alanina são os sintomas de parestesia (formigamento), que são provocados por uma dose única elevada e aguda, que desaparecem dentro de aproximadamente uma hora após a ingestão. Com a finalidade de estabelecer doses que minimizem esse efeito adverso, Harris e colaboradores concluíram que a dose única de beta-alanina de 10 mg/kg  de peso corporal (que corresponde a uma média de 800 mg), não resultou em sintomas significativos de parestesia. Esses pesquisadores também observaram que o tempo para o pico de beta-alanina no sangue era de aproximadamente 30-40 minutos após a ingestão da cápsula, e a sua eliminação no sangue ocorreu 3 horas após a sua ingestão. Com isso, os autores sugerem que é possível aumentar a dose diária total se for respeitado um intervalo mínimo de 3 horas entre doses únicas.

As doses utilizadas nos estudos variam de 3,2 g/dia, divididas em quatro doses diárias de 800 mg ou 4 g/dia na primeira semana, seguido de 6,4 g/dia, utilizando cápsulas de liberação controlada (contendo doses de 1600 mg em vez de 800 mg), com o objetivo de melhorar a síntese de carnosina intramuscular e reduzir os sintomas de parestesia.

Portanto, estudos futuros devem explorar o metabolismo da beta-alanina e carnosina para confirmar a sua eficácia como um recurso ergogênico nutricional.

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