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Como o monitoramento contínuo da glicose ajuda os pacientes diabéticos?

Pessoa medindo glicose no dedo. Imagem: Freepik
Leticia Campos

Leticia Fuganti Campos* é nutricionista

O uso de monitoramento contínuo da glicose (CGM) cresceu rapidamente nos últimos anos como resultado de melhorias na precisão do sensor, maior conveniência e facilidade de uso. Inúmeros estudos demonstraram benefícios clínicos significativos do uso de CGM em pessoas com diabetes mellitus (DM).

A tecnologia do CGM expandiu muito a capacidade de avaliar o controle glicêmico ao longo do dia, como quantificar o tempo dentro da meta de glicemia, denominado tempo no alvo ou time in range (TIR). O objetivo principal para o controle glicêmico eficaz e seguro é aumentar o TIR e, simultaneamente, reduzir o tempo abaixo ou acima da meta.

O novo conceito de tempo no alvo trouxe novamente para discussão a relevância do índice glicêmico (IG), por favorecer novos estudos sobre a conduta nutricional no controle da glicemia. O IG representa a velocidade em que o carboidrato é digerido e transformado em açúcar no sangue.

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Uso em discussão

Existe uma grande discussão acerca do real significado do IG no controle glicêmico. Sem dúvidas, a contagem de carboidratos, estratégia onde o indivíduo com diabetes é orientado e treinado para contabilizar a quantidade de carboidratos consumidos em uma refeição, é fundamental para atingir o controle glicêmico.

Mas a associação também do índice glicêmico pode ser benéfica quando esse conteúdo é contabilizado. Embora a literatura ainda seja controversa, estudos mostram que o consumo de dietas com baixo IG pode reduzir de 0,2 a 0,5% da hemoglobina glicada. O impacto do IG no time in range, entretanto, pode ser mais promissor.

É importante destacar que cada organismo responde de uma maneira ao consumo de determinado alimento. Nesse sentido, o acompanhamento da glicemia com um maior número de aferições, o que costuma ser bastante comum no CGM, permite que o indivíduo com diabetes consiga identificar como cada alimento impacta no seu controle glicêmico, e muita vezes, identificar o benefício no consumo de alimentos de menor índice de glicemia.

Alimentos com menos índice glicêmico

Entre os alimentos com menor IG estão as leguminosas (feijão, ervilha, lentilha, grão-de-bico), os alimentos nas versões integrais, farelo de aveia, alguns tubérculos (batata-doce, inhame e aipim), algumas frutas (morango, pera, maçã e melão) e as hortaliças em geral. Muitos fatores interferem no IG dos alimentos como a maturidade, o processamento e a forma de preparo.

Vale ainda lembrar que a associação com outros alimentos também pode impactar no IG. Adicionar fibras (como as hortaliças), proteínas (como carnes magras ou queijo, leite e iogurte com baixo teor de gordura) e gorduras saudáveis (como azeite de oliva ou castanhas) pode contribuir na redução do IG.

Além disso, a quantidade consumida também é fundamental, o que faz com que o conceito de carga glicêmica seja muito mais relevante. Todos esses fatores também podem ser testados com o aumento de aferições possível com a utilização da CGM.

O avanço da tecnologia no controle glicêmico tem contribuído muito para a conduta nutricional, e deve contribuir ainda mais no futuro, com o aumento de pesquisas utilizando essa tecnologia e principalmente com a expansão da oportunidade de uso para mais pacientes.

 

*Leticia Fuganti Campos é Doutora em Clínica Cirúrgica pela UFPR, mestre pela Faculdade de Medicina da USP, presidente do Comitê de Nutrição da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (BRASPEN) e membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes. Instagram: @leticiafuganticampos

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