A dieta cetogênica tem como principal aplicação clínica o tratamento de crianças e adolescentes com epilepsia que não respondem à terapia medicamentosa. Apesar dos riscos, alguns estudos têm demonstrado evidências sobre o uso terapêutico da dieta cetogênica nas seguintes condições clínicas: obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, acne, câncer, síndrome do ovário policístico e, além da epilepsia, outras doenças neurológicas.
A dieta cetogênica é uma dieta hiperlipídica (com cerca de 80% do valor calórico total, VCT, provenientes de gordura), pobre em carboidrato (de 5 a 10% do VCT) e não necessariamente pobre em proteína (cerca de 15% do VCT). Este alto aporte de calorias derivadas de lipídios faz com que a produção de ATP (adenosina trifosfato) seja prioritariamente a partir destes nutrientes. Essa produção de ATP proveniente dos lipídios promove o desvio do metabolismo da glicose para a geração de corpos cetônicos.
De acordo com Accurso e colaboradores, nas fases iniciais da dieta cetogênica, os indivíduos devem consumir cerca de 50g de carboidratos/dia ou até 10% do valor energético total. Essa estratégia difere das dietas de baixo teor de carboidrato com a finalidade de perda de peso, que pode ter até 130g de carboidratos/dia ou 26% do valor energético total.
Uma metanálise publicada por Bueno e colaboradores demonstrou que os indivíduos submetidos à dieta cetogênica apresentaram reduções significativamente maiores no peso corporal, pressão sanguínea diastólica e triacilglicerois, quando comparados com indivíduos submetidos à dieta com restrição calórica total.
A grande preocupação em relação à prescrição dessas dietas é o risco de complicações metabólicas, por apresentar potencias efeitos adversos para o sistema renal e aumentar o risco de desenvolvimento de acidose metabólica e osteoporose.
Portanto, embora existam algumas evidências sobre o uso da dieta cetogênica em outras condições clínicas além da epilepsia, ainda não há concordância na literatura sobre a sua eficácia absoluta e até mesmo algumas dúvidas são levantadas sobre sua segurança. Neste sentido, estudos adicionais são necessários para investigar detalhadamente os mecanismos terapêuticos potenciais, sua eficácia e segurança em longo prazo.
Leia mais:
Quais as características da dieta cetogênica?