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Quais as aplicações clínicas para a dieta cetogênica?

Postado em 15 de novembro de 2013 | Autor: Rita de Cássia Borges de Castro

A dieta cetogênica tem como principal aplicação clínica o tratamento de crianças e adolescentes com epilepsia que não respondem à terapia medicamentosa. Apesar dos riscos, alguns estudos têm demonstrado evidências sobre o uso terapêutico da dieta cetogênica nas seguintes condições clínicas: obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, acne, câncer, síndrome do ovário policístico e, além da epilepsia, outras doenças neurológicas.

A dieta cetogênica é uma dieta hiperlipídica (com cerca de 80% do valor calórico total, VCT, provenientes de gordura), pobre em carboidrato (de 5 a 10% do VCT) e não necessariamente pobre em proteína (cerca de 15% do VCT). Este alto aporte de calorias derivadas de lipídios faz com que a produção de ATP (adenosina trifosfato) seja prioritariamente a partir destes nutrientes. Essa produção de ATP proveniente dos lipídios promove o desvio do metabolismo da glicose para a geração de corpos cetônicos.

De acordo com Accurso e colaboradores, nas fases iniciais da dieta cetogênica, os indivíduos devem consumir cerca de 50g de carboidratos/dia ou até 10% do valor energético total. Essa estratégia difere das dietas de baixo teor de carboidrato com a finalidade de perda de peso, que pode ter até 130g de carboidratos/dia ou 26% do valor energético total.

Uma metanálise publicada por Bueno e colaboradores demonstrou que os indivíduos submetidos à dieta cetogênica apresentaram reduções significativamente maiores no peso corporal, pressão sanguínea diastólica e triacilglicerois, quando comparados com indivíduos submetidos à dieta com restrição calórica total.

A grande preocupação em relação à prescrição dessas dietas é o risco de complicações metabólicas, por apresentar potencias efeitos adversos para o sistema renal e aumentar o risco de desenvolvimento de acidose metabólica e osteoporose.

Portanto, embora existam algumas evidências sobre o uso da dieta cetogênica em outras condições clínicas além da epilepsia, ainda não há concordância na literatura sobre a sua eficácia absoluta e até mesmo algumas dúvidas são levantadas sobre sua segurança. Neste sentido, estudos adicionais são necessários para investigar detalhadamente os mecanismos terapêuticos potenciais, sua eficácia e segurança em longo prazo.

Leia mais:

Quais as características da dieta cetogênica?

 

Bibliografia

Paoli A, Rubini A, Volek JS, Grimaldi KA. Beyond weight loss: a review of the therapeutic uses of very-low-carbohydrate (ketogenic) diets. Eur J Clin Nutr. 2013;67(8):789-96.

Bueno NB, de Melo IS, de Oliveira SL, da Rocha Ataide T. Very-low-carbohydrate ketogenic diet v. low-fat diet for long-term weight loss: a meta-analysis of randomised controlled trials. Br J Nutr. 2013;110(7):1178-87.

Accurso A, Bernstein RK, Dahlqvist A, Draznin B, Feinman RD, Fine EJ, et al. Dietary carbohydrate restriction in type 2 diabetes mellitus and metabolic syndrome: time for a critical appraisal. Nutr Metab (Lond). 2008 Apr 8;5:9.

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Ruth MR, Port AM, Shah M, Bourland AC, Istfan NW, Nelson KP, et al. Consuming a hypocaloric high fat low carbohydrate diet for 12weeks lowers C-reactive protein, and raises serum adiponectin and high density lipoprotein-cholesterol in obese subjects. Metabolism. 2013 Sep 26.

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