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Nutrição para câncer de cabeça e pescoço: diretriz ASPEN 2026

câncer de cabeça e pescoço

Fonte: Canva

O câncer de cabeça e pescoço é definido como tumores ou células cancerosas que se originam na mucosa da cavidade oral, lábios, laringe, faringe, esôfago cervical, nariz, seios da face, pele e glândulas salivares. Em 2021, foram o sétimo tipo de câncer mais comum no mundo, representando mais de 792 mil novos diagnósticos.

Pacientes com câncer de cabeça e pescoço apresentam alto risco de desnutrição Isso acontece por conta das dificuldades para mastigar e engolir, da perda de apetite, e de outros sintomas causados ​​pela localização do tumor e pela resposta sintomática ao tratamento (como quimioterapia, radioterapia e cirurgia).

Fonte: Canva

Recentemente, a Sociedade Americana de Nutrição Parenteral e Enteral (ASPEN) elaborou diretrizes direcionadas a esta população, com base em uma revisão sistemática de 92 ensaios clínicos randomizados e estudos quase-experimentais. 

O material destina-se a qualquer profissional de saúde envolvido no cuidado de pacientes adultos com câncer de cabeça e pescoço, tais como nutricionistas, enfermeiros, farmacêuticos, médicos e fonoaudiólogos. A seguir, confira as principais recomendações.

Triagem e avaliação nutricional

A ASPEN recomenda que todos os pacientes sejam triados para desnutrição já em sua primeira apresentação no serviço de saúde, e regularmente durante o tratamento e a recuperação.

Em certos subgrupos que apresentam maior risco de desnutrição, a triagem pode ser dispensada se houver processos estabelecidos para encaminhamento automático a um nutricionista.

Em relação à avaliação nutricional, os especialistas recomendam uma ferramenta validada na população oncológica, como Avaliação Subjetiva Global (ASG) ou Avaliação Subjetiva Global Produzida pelo Paciente (ASG-PPP). A avaliação nutricional deve ocorrer quando:

  1. O paciente foi triado e está em risco de desnutrição
  2. O paciente foi encaminhado automaticamente, devido ao alto risco de desnutrição 
  3. O paciente apresenta um dispositivo de acesso enteral, planejado ou já implantado

Leia também: Qual a diferença entre triagem nutricional e avaliação nutricional?

Terapia nutricional no câncer de cabeça e pescoço

Quando iniciar a nutrição no pós-operatório?

Em adultos com câncer de cabeça e pescoço, sugere-se o início precoce (dentro de 24 horas) da ingestão de nutrição pós-operatória, seja ela oral, enteral ou outra.

Mas há um ponto de atenção: a introdução precoce da alimentação oral deve ocorrer em consulta com a equipe cirúrgica, nutricionista e fonoaudiólogo, pois pode ser inadequada em certas situações.

Para atender às necessidades nutricionais, a ingestão oral deve ser aumentada gradualmente e a nutrição enteral suplementar deve ser mantida até que a ingestão oral seja suficiente.

Quando iniciar a nutrição enteral?

Em adultos com câncer de cabeça e pescoço que planejam ou estão recebendo quimiorradiação, radioterapia ou outra terapia sistêmica, sugere-se o início da nutrição enteral quando houver evidência clínica de que a ingestão ou o estado nutricional estejam comprometidos.

Antes do início da NE, outras estratégias precisam ser testadas, como suplementos nutricionais orais e fortificação de alimentos. 

Gastrostomia ou sonda nasogástrica?

Na nutrição enteral, a decisão de optar por gastrostomia (sonda PEG ou RIG) ou sonda nasogástrica (SNG) deve ser tomada por membros da equipe interdisciplinar, incluindo nutricionista. 

Tal decisão deve se basear:

Geralmente, a gastrostomia é mais apropriada para períodos mais longos (>4–6 semanas), e a SNG para períodos mais curtos do que isso.

O que fazer em caso de anorexia?

Indica-se aconselhamento dietético (incluindo SNO ou NE) e manejo de sintomas que afetam a ingestão oral como estratégias de primeira linha.

Além disso, um estimulante de apetite pode ser considerado para uso a curto prazo, idealmente em uma decisão conjunta da equipe médica com nutricionista e farmacêutico especializado em oncologia

Acompanhamento com nutricionistas

Em adultos com câncer de cabeça e pescoço em radioterapia, quimiorradiação ou outra terapia sistêmica, recomenda-se:

O objetivo é manter o estado nutricional e a qualidade de vida, prevenindo internações hospitalares e a interrupção precoce do tratamento.

Metas energéticas e proteicas no câncer de cabeça e pescoço

Energia

Em adultos com câncer de cabeça e pescoço, recomenda-se uma ingestão energética de pelo menos 30 kcal/kg/dia.

A diretriz sugere estimar este valor com base no peso corporal atual, devido à insuficiência de evidências que mostram benefícios da individualização com base na composição corporal. 

A exceção é para pacientes com obesidade. Nesses casos, além do peso corporal atual, pode-se utilizar também o peso corporal ideal – mas com julgamento clínico, para determinar se a meta de necessidade energética resultante é alcançável. 

Com frequência, os profissionais devem monitorar indicadores da adequação energética, que incluem: ingestão nutricional, peso, estado nutricional, massa muscular, força muscular e desempenho físico. 

Proteína

A ingestão proteica deve ser de 1,2 a 1,5 g/kg/dia, com auxílio de ingestão oral, suplementos nutricionais orais e/ou nutrição enteral.

Assim como para a energia, tal ingestão deve ser adaptada à intensidade dos sintomas, estado nutricional, planos de tratamento individuais, quadro clínico, aspecto psicossocial e nível socioeconômico.

Novamente, sugere-se estimar as necessidades proteicas com base no peso corporal atual. Contudo, devido ao risco de superestimá-las em pacientes com obesidade, pode-se usar também o limite superior do peso corporal ideal, sempre com julgamento clínico.

Nutrientes específicos

Finalmente, o material também traz orientações para usos de nutrientes no câncer de cabeça e pescoço:

– Glutamina oral/enteral: pode ser aceitável, devido a redução da gravidade da mucosite oral, potencial para redução de toxicidades do tratamento, e melhorar a conclusão do tratamento. A glutamina parenteral, porém, não é indicada por preocupações de segurança (alta certeza de evidência). 

Arginina: pode ser aceitável, considerando possíveis benefícios na sobrevida, redução de fístulas e tempo de internação (baixa certeza da evidência).

– Ômega-3: a suplementação provavelmente não é prejudicial, e pode ser utilizada considerando evidências inconsistentes de benefícios (baixa certeza de evidência).

Nutrientes combinados/imunonutrição: provavelmente não são prejudiciais e podem ser usados (muito baixa certeza de evidência). 

Baixe a diretriz completa

No material completo, os tópicos aqui abordados são aprofundados, com explicações detalhadas do raciocínio por trás das recomendações. Além disso, os especialistas também discutem sobre intervenções fonoaudiológicas e abordagens multidisciplinares.

Para ler a diretriz completa, clique aqui.

Referência:

Kiss N, Findlay M, Frowen J, Lewis WE, Mills J, Singh AK, Church DD, Mey JT, Peterson S, Aguzzi K, Bellini S, Coelho MPV, Cordwin L, Duffy M, Hager S, Mundi MS, Owen-Michaane M, Price K, Stanner H, Storm B, Udagedara M, McKeever L. Guidelines for nutrition in adults with head and neck cancer: The American Society for Parenteral and Enteral Nutrition. JPEN J Parenter Enteral Nutr. 2026 Apr;50(3):274-338. doi: 10.1002/jpen.70067. Epub 2026 Mar 3. PMID: 41773753; PMCID: PMC13047306.

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