Ícone do site Nutritotal PRO

Por que devemos indicar a feira?

nutrição em consultório

Comer mais frutas, legumes e verduras sempre fez parte de qualquer orientação nutricional. No entanto, você tem o hábito de indicar aos pacientes onde encontrar esses alimentos? E já se questionou sobre todos os fatores envolvidos na produção de alimentos de origem agrícola?

Desde o plantio até sua mesa, tenha certeza de que há muita ciência e tecnologia envolvida no processo e, atualmente, é a combinação desses dois elementos que permite que tais alimentos cheguem a grande parte da população.

nutrição em consultório

Fonte: Shutterstock

Precisamos falar sobre Segurança Alimentar e Nutricional

O direito de acesso regular e permanente a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, é uma das premissas da Lei Nº 11.346, também conhecida como Lei de Segurança Alimentar e Nutricional.

Assim, a garantia de refeições nutricionalmente adequadas, promotoras da saúde, e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis, é um direito de todo cidadão brasileiro.

A falta de acesso a qualquer tipo de alimento, com aumento do risco de fome, ou, por outro lado, o maior acesso a produtos pouco saudáveis, com alto teor de açúcar, sal, gordura e aditivo, aumentam a chamada “insegurança alimentar” da população.

Esse termo define uma situação em que, a alimentação de uma determinada parcela da população está inadequada seja quantitativa ou qualitativamente. E por ser uma realidade para tantos brasileiros ainda hoje, é importante que todos saibam o que o termo significa e como é possível mudar esse cenário.

Em um inquérito nacional de 2020, revelou-se que do total de 211,7 milhões de brasileiros, 116,8 milhões conviviam com algum grau de insegurança alimentar. Eram 43,4 milhões de pessoas sem alimentos em quantidades suficientes, e 19 milhões enfrentando a fome em si.

Em um período de apenas 2 anos (2018 a 2020), foram cerca de 9 milhões a mais de indivíduos com a experiência da fome, retornando a patamares próximos ao que enfrentávamos em 2004, 18 anos atrás.

Tais dados, combinados a projeções de crescimento da população mundial nos próximos anos, nos faz querer buscar alternativas para que a produção de alimentos se mantenha adequada e seja capaz de chegar a todas as camadas da população.

 

A produção de alimentos diante do aumento populacional

Ao pensar nas demandas futuras, as projeções indicam um crescimento populacional acelerado e contínuo nas próximas décadas, com a população mundial superando 9,5 bilhões de pessoas em 2050. Como, então, alimentar a todos, sem esgotar os recursos naturais, de forma a prevenir o agravamento da insegurança alimentar e garantir o acesso a uma alimentação de boa qualidade?

Esse é um desafio muito discutido na atualidade. Os agricultores precisam de soluções para produzir o suficiente, de forma sustentável, na limitada terra disponível. Diante desse cenário, a ampliação da produtividade se apresenta como um caminho necessário para o aumento da oferta.

Neste contexto, a modificação genética tem sido uma importante ferramenta da biotecnologia moderna para a introdução específica de características desejadas em culturas agrícolas, tais como proteção contra pragas e tolerância a produtos que combatem o nascimento de ervas daninhass. As culturas geneticamente modificadas (GM) desempenham um papel crucial para auxiliar os agricultores a produzir mais, de forma sustentável, sem comprometer a segurança ambiental e alimentar, bem como trazendo benefícios associados à redução da liberação de gases de efeito estufa.

Além disso, o emprego de técnicas para produções agrícolas mais produtivas deve estar aliado a políticas públicas direcionadas à redução da pobreza e da desigualdade social.

 

Mas, por que indicar a feira?

Como visto anteriormente, a insegurança alimentar inclui a falta de acesso a alimentos de qualidade. Desse modo, pessoas nessas condições perdem todos os benefícios que uma dieta equilibrada é capaz de proporcionar à saúde (como a melhora na disposição, prevenção de doenças crônicas, aumento na qualidade de vida, longevidade e etc).

Baratos e mais acessíveis, produtos ultraprocessados vêm ganhando lugar, substituindo o espaço que as frutas, legumes, verduras, grãos, sementes e cereais deveriam ocupar na alimentação do povo brasileiro. Em relação aos alimentos orgânicos, são igualmente nutritivos aos convencionais, porém costumam ser mais caros, e com pontos de venda isolados.

As feiras livres tradicionais são eventos que ocorrem em dias fixos na maioria das cidades, em que são ofertados alimentos frescos, saudáveis, sazonais e com preços acessíveis, além de propiciar a socialização e o contato com os produtores do campo, responsáveis por levar os produtos da agricultura moderna até você.

Desse modo, acreditamos que o incentivo ao consumo de produtos destes locais seja uma importante opção para a população que deseja se alimentar de forma adequada e apoiar o comércio local –  tudo isso de modo compatível com o contexto socioeconômico de cada um.

Nos próximos meses, como parte do projeto “Indique a Feira”, traremos mais conteúdo com a temática de segurança alimentar e nutricional, modos de produção do campo, e acessibilidade a alimentos saudáveis.

Então, pegue sua lista de compras e sua ecobag: vamos juntos à feira?

 

Referências:

MEDEIROS, Carlos Alberto Barbosa; BUENO, Ynaiá Masse; SÁ, TD de A. Erradicação da fome: as soluções desenvolvidas pela Embrapa. Embrapa – Capítulo em livro científico, 2018.

Ramankutty, N. et al. Trends in Global Agricultural Land Use: Implications for Environmental Health and Food Security. Annual Review of Plant Biology, (2018).

Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede Penssan). VIGISAN: Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil. Rio de Janeiro: Rede Penssan, 2021.

SAATH, Kleverton Clovis de Oliveira; FACHINELLO, Arlei Luiz. Crescimento da demanda mundial de alimentos e restrições do fator terra no Brasil. Revista de Economia e Sociologia Rural, v. 56, p. 195-212, 2018.

 

Parceria:

 

Sair da versão mobile