Os análogos de GLP-1 consolidaram-se como uma das principais estratégias farmacológicas no tratamento do sobrepeso e da obesidade devido à sua eficácia no emagrecimento e na melhora de fatores cardiometabólicos, como os associados ao diabetes tipo 2.
Ensaios clínicos com semaglutida e tirzepatida, por exemplo, demonstraram resultados superiores aos de outras terapias medicamentosas anti-obesidade, ampliando as possibilidades de prevenção de complicações do excesso de peso. Contudo, evidências indicam que a descontinuação do tratamento com os análogos de GLP-1 pode levar à recuperação significativa do peso perdido e a redução dos benefícios metabólicos.
Partindo desses dados e do desconhecimento sobre como a descontinuação e seu momento afetam os resultados na prática clínica, um grupo de pesquisa decidiu caracterizar as alterações no peso corporal e na hemoglobina glicada em pacientes com pré-diabetes, desde o início do estudo até 12 meses, de acordo com o status de descontinuação da farmacoterapia para obesidade.
Confira os principais achados deste estudo de coorte retrospectivo a seguir.

Fonte: Canva
Como o estudo foi realizado
Utilizando dados eletrônicos de saúde de uma clínica localizada em Ohio e na Flórida, foram selecionados ao todo 7.881 adultos que receberam uma prescrição inicial de análogos de GLP-1 (semaglutida – 6.109 ou tirzepatida – 1.772) entre 1º de janeiro de 2021 e 31 de dezembro de 2023.
Com as informações obtidas, analisou-se as trajetórias de redução percentual do peso corporal e, em pacientes com pré-diabetes no início do estudo, a redução percentual da HbA1c do início do estudo até 12 meses. Em segunda instância, avaliou-se também se houve perda de peso de 10% ou mais em 1 ano, visto que essa medida de perda de peso tem um impacto benéfico importante nas comorbidades relacionadas à obesidade.
Impactos da descontinuação dos análogos de GLP-1
Entre os participantes com medidas de peso disponíveis após 1 ano (n = 6.477), a redução percentual média de peso em 1 ano foi de 8,7%, sendo que, para aqueles que interromperam o tratamento farmacológico para obesidade precocemente foi de 3,6% e aqueles que pararam a medicação tardiamente, 6,8%. Aqueles que não interromperam o tratamento, porém, perderam em média, 11,9% do peso.
Com relação ao parâmetro avaliado para diabetes nesse estudo, no caso a hemoglobina glicada (HbA1c), nos pacientes com pré-diabetes (n = 895), a redução média na HbA1c em 1 ano foi de 0,3%, sendo 0,1% naqueles que interromperam o tratamento com análogos de GLP-1 precocemente, 0,2% naqueles que interromperam tardiamente e 0,4% naqueles que não interromperam.
Outro achado importante, é que mesmo usando a medicação, 30 pacientes (3,4%) progrediram para diabetes tipo 2, inclusive àqueles que não interromperam o tratamento (1,7%, n = 8).
Diferenças entre semaglutida e tirzepatida nos desfechos clínicos
Comparando os tipos de medicações, a redução média de peso em 1 ano foi de 7,7% com semaglutida e 12,4% com tirzepatida. Já no contexto do diabetes, nos pacientes com pré-diabetes, a redução média da HbA1c em 1 ano foi de 0,3 com semaglutida e 0,4 com tirzepatida.
Esses achados apontam dados importantes para a escolha do fármaco a ser prescrito para cada paciente e, consequentemente, os resultados esperados e intervenções dietéticas mais adequadas por parte do nutricionista.
Conclusão e direcionamentos
Os resultados demonstram que a eficácia dos análogos de GLP-1 no manejo do peso e do pré-diabetes está fortemente associada à continuidade do tratamento e à dose de manutenção utilizada. Embora a perda de peso média observada tenha sido inferior à relatada em ensaios clínicos de fase 3 (de 14,9% a 20,9%), pacientes que mantiveram a farmacoterapia, especialmente com uso de tirzepatida, alcançaram reduções de peso relevantes.
A elevada taxa de descontinuação observada reforça que existem diversos fatores a serem considerados na prescrição, como custo, acesso, tolerabilidade e adesão, e que esses exercem papel central nos resultados alcançados.
Para o nutricionista, esses achados destacam a importância de uma atuação integrada, que considere não apenas a prescrição do médico, mas também o acompanhamento nutricional contínuo, a educação do paciente e o planejamento de estratégias sustentáveis de longo prazo para manutenção do peso e do controle glicêmico.
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Referência
Gasoyan H, Butsch WS, Schulte R, et al. Changes in weight and glycemic control following obesity treatment with semaglutide or tirzepatide by discontinuation status. Obesity (Silver Spring). 2025; 33(9): 1657-1667. doi:10.1002/oby.24331
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