A análise da composição corporal permite diagnósticos e condutas nutricionais mais assertivas, com relevância comprovada para doenças cardiovasculares, diabetes, câncer, osteoporose e desfechos hospitalares. E entre os métodos disponíveis, as dobras cutâneas se destacam por sua acessibilidade e versatilidade.
Com mais de um século de história, esse método continua sendo amplamente utilizado na prática clínica, esportiva e hospitalar. Mas dominá-lo vai muito além de saber usar um adipômetro.
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Afinal, o que são as dobras cutâneas?
As dobras cutâneas – também chamadas de pregas cutâneas – representam uma propriedade antropométrica específica utilizada para descrever a composição corporal no 5º nível de organização: o nível do corpo como um todo.
A avaliação consiste em medir, com um adipômetro, a espessura de uma dobra dupla de pele em diferentes locais anatômicos, com o objetivo de estimar a adiposidade subcutânea.
O método é classificado como de dois compartimentos (massa gorda e massa livre de gordura) e pode ser indireto ou duplamente indireto, dependendo do uso ou não de equações preditivas.
Vantagens e limitações
As dobras cutâneas apresentam vantagens que justificam sua popularidade: baixo custo, portabilidade, não invasividade e menor influência de fatores como ingestão alimentar e estado de hidratação em comparação com outros métodos. A soma das dobras também apresenta alto grau de concordância com medidas obtidas por DXA.
No entanto, limitações importantes devem ser consideradas. A técnica pressupõe que a espessura e a compressibilidade da pele sejam constantes entre indivíduos, o que nem sempre ocorre.
Além disso, a experiência do avaliador é determinante: uma diferença de apenas 1 cm no ponto de marcação pode impactar significativamente os resultados. Em pessoas com elevada adiposidade, algumas equações tendem a subestimar o percentual de gordura.
Como realizar a mensuração corretamente?
Protocolos padronizados, instrumentos calibrados e especialização contínua são indispensáveis para a boa aplicação do método.
Os principais passos da técnica padronizada são:
- a) Avaliar sempre no hemicorpo direito;
- b) Marcar os referenciais anatômicos com lápis ou caneta dermatográfica;
- c) Identificar e separar o tecido adiposo subcutâneo com polegar e indicador da mão esquerda, a aproximadamente 8 cm de distância;
- d) Fazer a pega da dobra a 1 cm acima do ponto marcado e mantê-la elevada durante toda a medição;
- e) Aplicar o adipômetro perpendicularmente à dobra, aguardar 2 a 3 segundos e realizar a leitura;
- f) Realizar três aferições de cada dobra em rodízio e calcular a média.
As principais dobras utilizadas nas equações preditivas são: subescapular, tríceps, bíceps, peitoral, axilar média, suprailíaca, abdominal, coxa e panturrilha.
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Referências
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Kasper AM et al. Come Back Skinfolds, All Is Forgiven: A Narrative Review of the Efficacy of Common Body Composition Methods in Applied Sports Practice. Nutrients. 2021;13(4):1075.
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