Antropometria, dobras cutâneas e composição corporal

Postado em 7 de julho de 2026

A análise da composição corporal permite diagnósticos e condutas nutricionais mais assertivas, com relevância comprovada para doenças cardiovasculares, diabetes, câncer, osteoporose e desfechos hospitalares. E entre os métodos disponíveis, as dobras cutâneas se destacam por sua acessibilidade e versatilidade.

Com mais de um século de história, esse método continua sendo amplamente utilizado na prática clínica, esportiva e hospitalar. Mas dominá-lo vai muito além de saber usar um adipômetro.

dobras cutâneas

Fonte: Canva

Afinal, o que são as dobras cutâneas?

As dobras cutâneas – também chamadas de pregas cutâneas – representam uma propriedade antropométrica específica utilizada para descrever a composição corporal no 5º nível de organização: o nível do corpo como um todo.

A avaliação consiste em medir, com um adipômetro, a espessura de uma dobra dupla de pele em diferentes locais anatômicos, com o objetivo de estimar a adiposidade subcutânea. 

O método é classificado como de dois compartimentos (massa gorda e massa livre de gordura) e pode ser indireto ou duplamente indireto, dependendo do uso ou não de equações preditivas.

Vantagens e limitações

As dobras cutâneas apresentam vantagens que justificam sua popularidade: baixo custo, portabilidade, não invasividade e menor influência de fatores como ingestão alimentar e estado de hidratação em comparação com outros métodos. A soma das dobras também apresenta alto grau de concordância com medidas obtidas por DXA.

No entanto, limitações importantes devem ser consideradas. A técnica pressupõe que a espessura e a compressibilidade da pele sejam constantes entre indivíduos, o que nem sempre ocorre. 

Além disso, a experiência do avaliador é determinante: uma diferença de apenas 1 cm no ponto de marcação pode impactar significativamente os resultados. Em pessoas com elevada adiposidade, algumas equações tendem a subestimar o percentual de gordura.

Como realizar a mensuração corretamente?

Protocolos padronizados, instrumentos calibrados e especialização contínua são indispensáveis para a boa aplicação do método. 

Os principais passos da técnica padronizada são:

  1. a) Avaliar sempre no hemicorpo direito; 
  2. b) Marcar os referenciais anatômicos com lápis ou caneta dermatográfica; 
  3. c) Identificar e separar o tecido adiposo subcutâneo com polegar e indicador da mão esquerda, a aproximadamente 8 cm de distância; 
  4. d) Fazer a pega da dobra a 1 cm acima do ponto marcado e mantê-la elevada durante toda a medição; 
  5. e) Aplicar o adipômetro perpendicularmente à dobra, aguardar 2 a 3 segundos e realizar a leitura; 
  6. f) Realizar três aferições de cada dobra em rodízio e calcular a média.

As principais dobras utilizadas nas equações preditivas são: subescapular, tríceps, bíceps, peitoral, axilar média, suprailíaca, abdominal, coxa e panturrilha.

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Referências

Cintra J, Lohman T, Campa F, Heymsfield S. Systematic organisation of skinfold callipers: an approach based on physical-mechanical properties and characteristics. Br J Nutr. 2025;134(11):929-935.

Quaresma MVLS (org.). Manual de avaliação da composição corporal: aspectos teóricos e práticos para avaliação e monitoramento dos compartimentos corporais. São Paulo: Centro Universitário São Camilo, 2024.

Ripka WL, Cintra-Andrade JH, Ulbricht L. A century of skinfolds for body composition estimation: what we learned? Rev bras cineantropom desempenho hum. 2022;24:e85412.

Kasper AM et al. Come Back Skinfolds, All Is Forgiven: A Narrative Review of the Efficacy of Common Body Composition Methods in Applied Sports Practice. Nutrients. 2021;13(4):1075.

Sanches PM, Bresan D, Ré PVD. Guia prático de antropometria para adultos: técnicas, índices e indicadores. Campo Grande: Ed. UFMS, 2020.

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