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Suplementação de ômega-3, carotenóides e prevenção de demência

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Devido à crescente prevalência de doenças relacionadas à demência senil, tal como o Alzheimer, estratégias de prevenção e redução de riscos estão sendo levantadas. Atualmente, evidências acumuladas sugerem que substâncias neuroprotetoras, como os ácidos graxos ômega-3 e os carotenóides, possuem um papel importante na melhora do desempenho cognitivo.

Neste sentido, um novo estudo irlândes teve o objetivo de investigar o efeito combinado da suplementação de ômega-3, carotenóides e vitamina E na cognição de idosos. Continue lendo para descobrir quais foram os achados desta pesquisa.

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Fonte: Shutterstock

 

Idosos saudáveis foram recrutados

Neste ensaio clínico duplo-cego, foram recrutados sessenta idosos com 65 anos ou mais, cognitivamente saudáveis, ou seja: sem relatos de perda de memória, sem diagnóstico de demência, sem uso de terapias cognitivas, e sem histórico de AVC, depressão, doenças psiquiátricas e glaucoma.

Os indivíduos foram alocados aleatoriamente entre grupos de intervenção ativa (n = 30) ou placebo (n = 30).

Por 24 meses, os grupos de intervenção ativa consumiam diariamente 1 g de óleo de peixe, contendo 430 mg ácido docosahexaenoico (DHA), 90 mg de ácido eicosapentaenoico (EPA), 22 mg de carotenóides (luteína, mesozeaxantina, e zeaxantina) e 15 mg de vitamina E. Já os participantes do grupo placebo receberam cápsulas com óleo de girassol.

Para medir os resultados primários de domínios cognitivos, foi utilizada a avaliação neuropsicológica RBANS (“Bateria Repetível para Avaliação do Status Neuropsicológico”).  Já as medidas de resultados secundários incluíram variáveis como: memória de trabalho ou episódica, atenção, volume óptico do pigmento macular (MPOV), pontuação de carotenóides da pele (SCS), concentrações plasmáticas de ômega-3, e concentrações séricas de carotenóides e vitamina E.

Confira os principais resultados a seguir.

 

Ômega-3 e aumento nos níveis de carotenóides 

Foi identificada uma associação positiva entre as concentrações sanguíneas de ômega-3 e carotenóides (provenientes da suplementação) e as concentrações de carotenóides nos tecidos, principalmente no volume óptico do pigmento macular.

Os autores sugerem que esse aumento tecidual de carotenóides se deve à suplementação combinada com os ácidos graxos ômega-3, principalmente ao ácido docosahexaenoico (DHA), e indicam a necessidade de uma investigação mais aprofundada em trabalhos futuros.

No entanto, não foram observadas melhorias nos níveis de vitamina E, e as razões para essa baixa respostas permanecem obscuras.

 

Melhorias na memória de trabalho

Após os 24 meses de pesquisa, o principal resultado encontrado foi a melhoria na memória de trabalho nos indivíduos que receberam a intervenção ativa.

Ao total, os participantes que tomaram a suplementação registraram 26% menos erros totais nos testes aplicados em comparação ao grupo placebo, onde o número de erros aumentou 14% após 2 anos.

As regiões do cérebro envolvidas na memória de trabalho incluem o córtex pré-frontal, as regiões parietais e o hipocampo. Essa função é responsável pela retenção temporária de informação para acesso a aplicações futuras.

São exemplos de atividades que envolvem a memória de trabalho: manter em mente um número de telefone ou endereço, ouvir e responder a informações faladas em uma conversa, e dividir a atenção entre tarefas (como cantar uma música enquanto se dirige).

Em termos de significância clínica, essas melhorias podem se traduzir em benefícios práticos para as funções do dia-a-dia, aumentando a capacidade de reter e lembrar de informações importantes, tomar decisões, planejar-se, resolver problemas, concentrar-se em tarefas, cumprir compromissos, entre outros.

Além da memória de trabalho, melhorias em pequena escala na atenção, linguagem e cognição global também foram registradas.

 

Os resultados foram animadores

Em suma, os resultados encontrados na publicação sugerem que os ácidos graxos ômega-3 e os carotenóides atuam de maneira sinérgica para melhorar o desempenho cognitivo, e, assim, prevenir ou retardar de doenças relacionadas à demência.

Além disso, outras evidências acumulados sugeriram anteriormente que uma boa nutrição, composta por alimentos saudáveis (peixes, frutas, vegetais, etc) e bons padrões alimentares são de grande importância para reduzir o declínio cognitivo.

 

Leia também:

Qual o papel dos suplementos no tratamento de idosos com demência?

Diretriz ESPEN sobre Nutrição na demência

Guideline OMS: Redução do risco de declínio cognitivo e demência

 

Referência: POWER, Rebecca et al. Omega-3 fatty acid, carotenoid and vitamin E supplementation improves working memory in older adults: A randomised clinical trial. Clinical Nutrition, v. 41, n. 2, p. 405-414, 2022.

 

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