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Qual a importância do iodo para a saúde? Funções, fontes alimentares e mais!

iodo

Fonte: Canva

O iodo foi isolado pela primeira vez em 1811, a partir das cinzas de alga marinha. Desde então, muitas pesquisas se empenharam em descrever este elemento químico, que hoje sabemos ser essencial para a saúde humana.

Iodo

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O iodo é um oligoelemento naturalmente presente em alguns alimentos, e adicionado ao sal de cozinha. A seguir, você vai entender tudo sobre o iodo e sua importância na saúde individual e na saúde pública, passando pelas suas funções, fontes alimentares, recomendações, consequências da deficiência e mais.

Quais as funções do iodo?

O iodo é o principal elemento químico presente na formação dos hormônios tireoidianos, T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina). 

Consequentemente, suas funções estão diretamente ligadas ao papel desses hormônios no metabolismo humano, como: 

  • Desenvolvimento de vários órgãos (como cérebro e coração)
  • Crescimento infantil (desenvolvimento cerebral, fechamento das epífises, etc)
  • Remodelação óssea  
  • Regulação de frequência cardíaca
  • Regulação da temperatura (efeito termogênico)
  • Metabolismo de macronutrientes (carboidrato, proteína e lipídio) 

Além disso, estudos mostram que nas glândulas salivares, estômago e intestino, o iodeto (íon do iodo no estado de oxidação) pode participar da resposta imunológica inata

Por fim, estudos experimentais têm indicado que o iodeto ou iodo, dependendo do tecido, pode provocar efeitos antiproliferativos e apoptóticos em células malignas. Mais pesquisas ainda são necessárias, mas tais evidências sugerem que esse micronutriente pode contribuir positivamente no combate ao câncer.

Onde encontrar iodo nos alimentos?

De uma forma geral, as fontes alimentares mais ricas em iodo são os alimentos marinhos como as algas, peixes, crustáceos, mariscos e moluscos.

Produtos lácteos, ovos e carnes (cujo animal produtor tenha sido alimentado com ração enriquecida) também podem representar uma fonte de iodo.

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Na alimentação, peixes, algas e frutos do mar são boas fontes de iodo.

O conteúdo de iodo em alguns alimentos são descritos na tabela a seguir.

Alimento Quantidade de iodo (µg por 100g)
Alga nori 2.930 a 4.580
Alga wakame 9.390 a 18.510
Alga kombu 24.100 a 492.100
Arenque 32
Atum 50
Bacalhau fresco 170
Biscoito água e sal 115
Camarão 130
Cavala 170
Carne bovina cozida 14,6 
Frango cozido 1,5
Ovo de galinha 9,5 a 57,6
Pescada 66,7
Sardinha em óleo 23,3
Salmão fresco 7,7 a 44
Leite desnatado 19,5 a 21

Além dos alimentos, o iodo também pode ser encontrado na água potável, variando de acordo com a sua abundância no solo, proximidade da água do mar e escoamento agrícola. 

Iodo no sal de cozinha: uma medida de saúde pública

As fontes alimentares de iodo não constituem a base alimentar da maior parte da população mundial. Por isso, a deficiência de iodo era uma grande preocupação nas décadas passadas, com o desenvolvimento de bócio endêmico em alguns países.

Assim, desde a década de 90, a Organização Mundial da Saúde decidiu pela obrigatoriedade legal de iodação do sal como medida para eliminar e prevenir a deficiência de iodo e o bócio. Desde então, notou-se um notável progresso na eliminação dos distúrbios por deficiência de iodo.

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Sal de cozinha: a principal fonte de iodo na dieta comum.

No entanto, o Brasil já havia implementado essa medida décadas antes. A primeira lei sobre o tema (nº 1.944, de 14 de agosto de 1953) determinava a obrigatoriedade da iodação do sal de consumo humano nas áreas de bócio endêmico, na proporção de 10 mg de iodo por quilograma de sal, utilizando iodeto de sódio ou iodeto de potássio.

Após diversas mudanças, em 2013 foi aprovada a alteração da concentração para 15 a 45 mg de iodo por kg de sal, que perdura até os dias atuais.

Assim, o sal de cozinha é o verdadeiro responsável por grande parte da ingestão de iodo na população brasileira. Vale ressaltar que outras fontes alternativas ao sal (como sal rosa e sal negro) não possue a adição de iodo.

Qual é a biodisponibilidade do iodo?

Em um organismo humano sadio e em condições normais, mais de 90% da ingestão de iodo é absorvida no estômago e duodeno.

Entretanto, alguns alimentos denominados “bociogênicos” possuem substância que podem interferir na absorção ou uso desse mineral pela tireoide. As principais substâncias são:

  • Glicosídeos cianogênicos: são capazes de diminuir a absorção de iodo pela tireoide e competem com o iodo pela captação na glândula. Presente em alimentos como mandioca, milho, broto de bambu, batata doce, pêssego, brócolis, couve flor, amêndoa e soja. Porém, em geral, são totalmente inativadas pelos processos culinários usuais.
  • Flavonóides: prejudicam a atividade da enzima tireoperoxidase e diminui a incorporação de iodo pela tireoide. São exemplos de alimentos que possuem essa substância são soja e babaçu.
  • Perclorato e nitrato: competem pelo mesmo transportador que o iodo, por isso, diminui seu transporte na glândula.

Além dessas substâncias bociogênicas, a deficiência de alguns nutrientes, como selênio, ferro, zinco e vitamina A também pode interferir no uso do iodo para síntese de hormônios tireoidianos.

Conclusão

Como visto, o iodo é um micronutriente fundamental para o funcionamento adequado da tireoide e para processos vitais como crescimento, desenvolvimento neurológico, regulação metabólica e resposta imune. 

Embora esteja presente em algumas fontes alimentares, o sal iodado continua sendo a principal estratégia de saúde pública para garantir ingestão adequada na população. Compreender suas funções, fontes e fatores que interferem na sua absorção é essencial para promover escolhas alimentares mais conscientes e prevenir distúrbios relacionados à tireoide.

Na próxima semana, abordaremos em detalhes a deficiência de iodo, incluindo seu diagnóstico, consequências, prevenção e manejo. Não perca!

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Referências

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