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Estresse e microbiota intestinal: o que sabemos sobre essa relação?

Postado em 18 de fevereiro de 2021 | Autor: Redação Nutritotal

Os probióticos podem contribuir com o humor | Post patrocinado

O estresse que sofremos por conta de problemas financeiros, no trabalho, nos relacionamentos, entre outros, estabelece, de certa forma, nossa relação com o meio ambiente. Quando estamos estressados por situações como essas, nosso organismo produz uma resposta fisiológica. O problema é que, dependendo da intensidade do estresse e de como manejamos esses acontecimentos que nos afetam, nosso organismo pode responder com distúrbios psíquicos.

Ansiedade, angústia, nervosismo, preocupação em excesso, irritação, impaciência, tontura e problemas de concentração e memória são só alguns exemplos de sintomas capazes de nos acometer como resposta do organismo ao estresse. Além deles, a dificuldade de tomar decisões e a sensação de perda de controle também podem estar presentes e ainda acompanhar reflexos orgânicos, como tensão muscular, sudorese, dor de cabeça, insônia e queda de cabelo.

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Imagem: Freepik

Organismo afetado

A resposta orgânica ao estresse é mediada principalmente pela ativação do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA). O estresse não afeta somente o cérebro. Em meio a tantas reações no organismo que ele pode causar, esse esgotamento físico e emocional é capaz até de comprometer o sistema imunológico, e mesmo a microbiota intestinal faz parte dessa história.

Estresse x microbiota intestinal

O aparelho digestivo possui 70% das células neurais do corpo. Não à toa ele recebe o nome de sistema nervoso entérico e é até considerado um segundo cérebro. Por sua vez, a microbiota possui praticamente o mesmo número de células do nosso organismo e 100 vezes mais genes do que o genoma humano, participando ativamente do diálogo entre o intestino e cérebro.

Assim, mudanças no comportamento e de humor podem modificar gatilhos ambientais – que incluem estilo de vida e hábitos alimentares – e alterar a composição da microbiota intestinal.  Em consequência, pode ocorrer comprometimento da barreira intestinal, ativação de resposta imunológica e produção de mediadores inflamatórios.

Mas o estrago não para por aí. Os mediadores inflamatórios, por exemplo, são capazes de promover alterações nos níveis de substâncias cerebrais. Estes, por sua vez, levam a modificações neurais, comportamentais e de humor, ansiedade, compreensão e interação social. Ou seja: todo esse processo se torna um verdadeiro ciclo vicioso.

Tem solução?

Sim. É nesse sentido que cabe o uso potencial de probióticos, que poderão intervir no eixo microbiota-intestino-cérebro e atuar sobre as consequências do estresse, ou seja, sobre as mudanças induzidas pelo eixo HPA e sistema nervoso autônomo.

Aval da ciência

Diversas pesquisas científicas vêm comprovando a eficácia da medida. Uma delas identificou que em animais de experimentação submetidos a estresse houve um aumento de mediadores inflamatórios e maior concentração de lipopolissacárides (LPS), uma espécie de toxina produzida por algumas bactérias. Porém, nesses animais, a suplementação com o probiótico Lactobacillus farciminis melhorou a toxemia induzida pelo LPS e reduziu os mediadores inflamatórios no hipotálamo.

Vários estudos pré-clínicos e clínicos também avaliaram o uso de probióticos em condições de estresse. Um deles utilizou o probiótico Lactobacillus casei shirota e observou melhora do humor em indivíduos deprimidos, além de redução dos índices de ansiedade em pacientes com síndrome da fadiga crônica.

Outro estudo concluiu que o uso oral da associação dos probióticos Lactobacillus helveticus e Bifidobacterium longum foi acompanhado da redução de estresse psicológico em termos de ansiedade e depressão hospitalar. Também houve uma associação entre lactobacilos e bifidobactéria que encontrou diminuição do humor triste e de sentimentos agressivos.

Mais recentemente, um estudo em humanos mostrou que a associação de Lactobacillus acidophilus Rosell 52 e Bifidobacterium longum Rosell 175 em indivíduos afetados por estresse diário promoveu redução importante de sintomas gastrintestinais induzidos pelo estresse. Outro estudo controlado que comparou, durante quatro semanas, essa mesma associação de probióticos em voluntários saudáveis sujeitos a estresse crônico verificou que o cortisol livre urinário (um biomarcador para estresse) reduziu no grupo probiótico, assim como também a escala de ansiedade.

Para completar a lista de exemplos, uma revisão da literatura científica disponível em 2017 indicou que o tratamento com probióticos pode melhorar os sintomas associados com desordens do humor ao aumentar a disponibilidade de serotonina e/ou diminuir os níveis de marcadores inflamatórios. Esses resultados são animadores, pois podem beneficiar pacientes que sofrem com os efeitos colaterais de medicamentos antidepressivos.

Assista também: A dieta, a microbiota e o envelhecimento saudável

O poder dos probióticos na microbiota intestinal nos salva do estresse

Sabemos que alterações de humor e situações de estresse atinge um número substancial de pessoas nos dias atuais. Assim, essa área de pesquisa torna-se de grande interesse e os estudos já publicados apontam mais um benefício do uso dos probióticos na melhora da saúde e qualidade de vida da população.

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Referências bibliográficas:

Bhagavathi Sundaram Sivamaruthi, Mani Iyer Prasanth, Periyanaina Kesika, Chaiyavat Chaiyasut. Probiotics in human mental health and diseases-A mini-review. Tropical Journal of Pharmaceutical Research. April 2019; 18(4);1596-9827(electronic)© Pharmacotherapy Group,Faculty of Pharmacy, University of Benin,Benin City, 300001 Nigeria.

Chao L, Liu C, Sutthawongwadee S, et al. Effects of Probiotics on Depressive or Anxiety Variables in Healthy Participants Under Stress Conditions or With a Depressive or Anxiety Diagnosis: A Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Front Neurol. 2020;11:421.

Messaoudi, M. et al. Assessment of psychotropic-like properties of a probiotic formulation (Lactobacillus helveticus R0052 and Bifidobacterium longum R0175) in rats and human subjects. British Journal of Nutrition. (2011), 105, 755–764.

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