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A dieta da mãe pode aliviar a cólica do bebê

Postado em 5 de fevereiro de 2019 | Autor: Redação Nutritotal

Conheça alguns alimentos que causam gases no bebê na amamentação, de acordo com estudos científicos, e saiba como ajudar seu filho

Bebê chorando no colo da mãe

A cólica é um dos principais incômodos dos bebês | Imagem: Shutterstock

As cólicas estão entre os principais incômodos que acometem os recém-nascidos. Para tentar amenizá-las, massagens, compressas mornas e exercícios são as principais recomendações. Mas cientistas têm revelado outra prática que pode ser tão eficaz quanto essas: adequar a dieta da mãe. A dica vem de estudos que listam os alimentos que causam gases no bebê na amamentação.

Um deles, por exemplo, chama atenção para os FODMAPs. Essa sigla em português significa Oligossacarídeos, Dissacarídeos, Monossacarídeos e Polióis Fermentáveis – todos carboidratos presentes em diversos alimentos. Entre os ingredientes ricos em FODMAPs estão cereais como centeio e trigo, leite e derivados, algumas frutas (como maçã, pera, manga, melancia, pêssego e ameixa), oleaginosas e ainda algumas hortaliças e legumes (caso do aspargo, alcachofra, cebola, alho, beterraba, couve e milho doce).

De acordo com o estudo, a redução do consumo de FODMAPs pelas mães apontou uma diminuição nos sintomas da cólica pelos bebês. A seguir, veja mais sobre o estudo e entenda por que os FODMAPs podem se encaixar entre os alimentos que causam gases no bebê na amamentação.

Conheça o estudo

Para chegar à conclusão de que a redução da ingestão de FODMAPs seria capaz de diminuir a cólica infantil, foram registradas, durante três dias, informações de atividades e dos hábitos alimentares de mães (entre 18 e 45 anos) e de seus filhos (menores de 6 meses de idade), que estavam em aleitamento materno (exclusivo ou predominante) e apresentavam cólicas.

Nesse período também foram coletadas uma amostra do leite materno e outra das fezes do bebê. Após essa primeira avaliação, os cientistas forneceram orientações alimentares para uma dieta pobre em FODMAPs para a mãe e também para o bebê, no caso daqueles que não estavam sob amamentação exclusiva. Eles aderiram à nova alimentação durante sete dias e, nos últimos três, foram coletadas novamente as informações e novas amostras de leite materno e fezes.

Segundo os resultados, houve reduções significativas em durações de choro (de 142 minutos para 52) e agitação. Também foram menores os episódios de choro e períodos combinados de choro e agitação. Já a duração do sono e da alimentação não sofreram mudanças. Ainda não houve alteração significativa no pH fecal e o teor de lactose do leite materno permaneceu estável. No final do estudo, as mães relataram que seus bebês “estavam muito mais contentes” e que “podiam ser colocados para deitar sem chorar”.

A dieta FODMAP na amamentação

Os alimentos que causam gases no bebê na amamentação também se estendem às mães. Dessa forma, as mulheres que aderirem a uma dieta com menos FODMAPs podem ter os mesmos benefícios que os seus filhos. “Como os FODMAPs são cadeias curtas de açúcares, isso significa que eles puxam a água do tecido do corpo para o intestino. Isso pode levar a sintomas como inchaço e diarreia em pessoas sensíveis”, explica a nutricionista Maria Izabel Lamounier de Vasconcelos. “Por exemplo, quando você come a frutose do FODMAP, ela atrai o dobro de água para o intestino que a glicose, que não é um FODMAP.”

Portanto, ao reduzir esses ingredientes do cardápio, de acordo com a especialista, a mulher pode sentir uma melhora em sintomas digestivos gerais, dores abdominais, inchaço, gases e hábitos intestinais alterados (como diarreia e constipação).

Contudo, é preciso ter cautela, pois eliminar de vez os FODMAPs da alimentação pode não ser a melhor saída. Isso porque os oligossacarídeos possuem também efeito prebiótico, uma propriedade funcional bastante benéfica. Ou seja, esse carboidrato estimula o crescimento e a atividade de bactérias que fazem bem à flora intestinal e à saúde.

O cardápio ideal

Levando tudo isso em conta, o ideal é que a mãe converse com o seu médico e nutricionista para chegar a uma dieta equilibrada durante o período de aleitamento. De maneira geral, cada mulher acaba percebendo com o tempo os alimentos que causam gases no bebê na amamentação e as tão temidas cólicas. “Toda dupla mãe-bebê tem suas características próprias”, frisa Maria Izabel.

A dieta da mãe durante a amamentação deve conter essencialmente alimentos in natura ou minimamente processados , Maria Izabel Lamounier de Vasconcelos (nutricionista)

“A alimentação da mãe durante a amamentação deve conter essencialmente alimentos in natura ou minimamente processados”, aponta a nutricionista, destacando que o consumo de líquidos – como água e chás – pode ser feito à vontade. Ainda de acordo com ela, a mulher deve dar preferência a alimentos orgânicos, comidas feitas em casa e pratos com frutas, legumes, verduras, arroz, feijão, carnes e ovos. Já aspartame, álcool, cafeína e alimentos fermentáveis devem ser evitados. “E o cuidado com a hidratação deve ser redobrado, já que a parte líquida do leite é produzida a partir da hidratação da mãe”, finaliza a profissional.

Referências bibliográficas:

Iacovou M, Mulcahy EC, Truby H, Barrett JS, Gibson PR, Muir JG. Reducing the maternal dietary intake of indigestible and slowly absorbed short-chain carbohydrates is associated with improved infantile colic: a proof-of-concept study. J Hum Nutr Diet. 2018.

Com consultoria do comitê científico Nutritotal, realizada por Maria Izabel Lamounier de Vasconcelos, nutricionista especialista em Nutrição Clínica, Nutrição Parenteral e Enteral pela Sociedade Brasileira de Nutrição Paraenteral e Enteral (SBNPE).

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