Será que café causa infarto mesmo?

Postado em 25 de março de 2019 | Autor: Redação Nutritotal

Veja o que é verdade e o que é mentira sobre a bebida queridinha dos brasileiros

Após uma noite de sono ou durante o expediente, ele é sempre bem quisto pelos brasileiros. O café, uma bebida popular no mundo inteiro, é fonte de cafeína, substância estimulante que deixa as pessoas mais enérgicas e despertas. E o líquido marrom vem ganhando também seu espaço na ciência: ele está sendo estudado mais a fundo por cientistas, em especial no que diz respeito à saúde cardiovascular. Pesquisadores vêm tentando responder perguntas sobre a bebida, como a clássica: será que café causa infarto?

Os resultados de um estudo divulgado pelo PLOS Biology em parceria como a Universidade Heinrich-Heine e o Instituto de Desenvolvimento de Medicina, na Alemanha, apontam dados curiosos sobre o café, em especial seus efeitos em quem costuma tomar, em média, de quatro a cinco xícaras da bebida por dia. A seguir, confira mitos e verdades a respeito dessa relação:

5 mitos e verdades sobre o café

A bebida traz sim benefícios, inclusive à saúde cardiovascular, mas seu consumo deve ser moderado

Xícara de café com espuma em forma de coração

O consumo diário de café deve ser de 250 mg | Imagem: Shutterstock

Café causa infarto?

Mito. Segundo a nutricionista Renata Gonçalves, se pacientes com problemas cardiovasculares consumirem grandes doses de café, o máximo que pode acontecer é a perda do sono à noite e o aumento da arritmia cardíaca. O estudo publicado na PLOS Biology apontou que, ao contrário do que se pensa, o consumo de café é benéfico para a saúde cardiovascular: tomar quatro xícaras por dia pode ajudar a proteger as células cardiovasculares de danos e também facilitar o processo de reparação.

A bebida pode ser ruim para hipertensos

Verdade. Quando a cafeína é ingerida por meio do café, o efeito sobre a pressão arterial é bem menor do que quando a substância é consumida de maneira isolada, explica Renata. Mesmo assim, para os hipertensos, a bebida pode elevar a pressão arterial logo após o consumo, de uma maneira temporária. Por via das dúvidas, o recomendado é moderar.

Mais de cinco xícaras por dia pode ser prejudicial à saúde

Verdade. Embora não seja verdade que café causa infarto, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o consumo recomendado por dia da bebida é de até 250 mg, o que corresponde de 3 a 4 xícaras de café coado. Porém, algumas pessoas são mais sensíveis à cafeína do que outras e as recomendações devem ser individualizadas de acordo com o quadro clínico.

A cafeína do café é diferente da presente no refrigerante e outras bebidas

Parcialmente verdade. A cafeína é a mesma, mas muda a quantidade de concentração em cada bebida. Confira os valores correspondentes para cada uma delas:

Bebida Porção Quantidade de cafeína
Café 150 ml 66 – 99 mg
Refrigerante tipo cola 350 ml 30 – 35 mg
Bebidas energéticas 250 ml 75 – 80 mg
Chá-mate 240 ml 27 mg
Chimarrão 100 ml 36 mg

Todos os tipos de café possuem o mesmo efeito no corpo

Mito. A composição química do grão de café é influenciada pelos seguintes fatores: genética, sistema de cultivo, época de colheita, processo de manipulação e conservação do grão, armazenamento e torrefação, mas principalmente em função da espécie da planta. Cada uma reage de maneira diferente no corpo e possui diferentes quantidades de cafeína. Mas as espécies de café mais conhecidas e comercializadas no Brasil, segundo Renata, são a Coffea arabica (originária do Oriente Médio) e a Coffea canephora, uma variedade conillon, genericamente chamada de robusta (originária da África). O robusta possui cerca de 2,5% de cafeína, que é praticamente o dobro da quantidade contida no do tipo arábica.

 

Este conteúdo não substitui a orientação de um especialista. Agende uma consulta com o nutricionista de sua confiança.

Referências bibliográficas:

Niloofar Ale-Agha et. CDKN1B/p27 is localized in mitochondria and improves respiration-dependent processes in the cardiovascular system—New mode of action for caffeine. PLOS Biology, 2018.

Renata Gonçalves, nutricionista do Ganep Educação e especialista em Terapia Nutricional pela BRASPEN e Nutrição Clínica pelo Ganep.

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