Alimentos para ajudar na menopausa: soja

Postado em 31 de janeiro de 2019 | Autor: Redação Nutritotal

Uma pesquisa revelou que, se consumida com moderação, a proteína da soja fortalece os ossos e alivia os incômodos dessa fase

Colher cheia de soja

A soja é um dos melhores alimentos para ajudar na menopausa | Imagem: Shutterstock

A menopausa está associada a muitos sintomas desagradáveis ​​que variam em diferentes fases da transição do corpo da mulher, desde fadiga, cansaço, dores nas costas e nos braços, até osteoporose, queda de cabelos, mudança de humor e desconforto vaginal. Mas amenizar esses incômodos pode ser mais fácil do que imaginamos – o segredo pode estar no prato. É isso mesmo: cientistas estão investindo na busca de alimentos para ajudar na menopausa, e os resultados estão sendo promissores.

Um dos ingredientes que tem se destacado é a soja, que possui alta densidade nutritiva, sendo capaz de suprir as necessidades proteicas em todas as fases da vida. Se consumida com moderação durante a menopausa, a proteína da soja pode estimular o fortalecimento dos ossos, além de aliviar os sintomas somáticos e psicológicos dessa fase, apontam estudos.

Prevenção no prato

Para chegar a essa conclusão, uma pesquisa investigou o efeito da suplementação com lecitina de soja nos sintomas da menopausa, em 96 mulheres japonesas de 40 a 59 anos. As pacientes foram divididas em três grupos: o primeiro em pré-menopausa, o segundo em estado perimenopausal (ou seja, mulheres que tiveram um período menstrual nos últimos 12 meses, mas com ciclos irregulares nos últimos três meses) e o terceiro em pós-menopausa, sem menstruação nos últimos 12 meses. A distribuição da lecitina de soja foi feita nos três grupos com alta dose (1200 mg/dia), baixa dose (600 mg/dia) e placebo.

Foram avaliados sintomas físicos, psicológicos, questões sociais, fadiga, altura, peso, índice de massa corpórea (IMC), massa gorda, massa livre de gordura, sintomas cardiovasculares, aptidão física e qualidade do sono durante oito semanas.

Os grupos que receberam uma alta quantidade de lecitina por dia tiveram uma melhora significativamente maior no controle dos sintomas. A suplementação também foi associada à melhora da saúde cardiovascular e no vigor em mulheres de meia-idade que apresentavam fadiga.

Reeducação alimentar

Apostar em determinados alimentos ajuda a mulher a ter mais controle hormonal após a menopausa, pois alterar a dieta, a princípio, não desencadeia efeitos colaterais. Mas é importante reforçar que a Terapia de Reposição Hormonal (TRH) é considerada o modo mais eficaz de tratamento para essa fase e, aliada a uma boa nutrição, pode aliviar os sintomas mais incômodos.

O estudo japonês foi realizado com lecitina de soja, mas, para realizar essa reeducação alimentar e incluir o alimento na dieta, a nutricionista Danielle Fontes, especializada em  Terapia Nutricional e Fitoterapia Funcional, afirma que o melhor jeito de consumir a soja é comendo os grãos ou o tofu (uma espécie de queijo feito com o alimento), além de optar pela sua versão orgânica para ter um melhor aproveitamento dos nutrientes.

Ela ainda explica que não é recomendável um consumo exagerado da soja para as brasileiras, especialmente em mulheres propensas a terem câncer de mama. O ideal é consumir uma quantidade pequena, de uma a duas vezes por semana, o equivalente a uma fatia de tofu ou a duas colheres (sopa) dos grãos cozidos.

Referências bibliográficas:

Hirose A, Terauchi M, Osaka Y, Akiyoshi M, Kato K, Miyasaka N. Effect of soy lecithin on fatigue and menopausal symptoms in middle-aged women: a randomized, double-blind, placebo-controlled studyNutr J. 2018 Jan 8;17(1):4.

Danielle Fontes é nutricionista formada pelo Centro Universitário São Camilo; com especialização em Terapia Nutricional e Nutrição Clínica pelo Grupo de Alimentação e Nutrição Enteral e Parenteral (GANEP ); especialização em Fitoterapia Funcional -Instituto Valeria Pascoal; mestre em Ciências pelo departamento de Oncologia e Radiologia da FMUSP e especialista em Teorias e Técnicas para Cuidados Integrativos pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

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