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Pancreatite aguda e crônica: quais são as recomendações nutricionais?

Pancreatite aguda e crônica

Fonte: Canva.com

A pancreatite é uma inflamação do pâncreas, que pode ser dividida em dois tipos: a pancreatite aguda e crônica. Enquanto a pancreatite aguda ocorre repentinamente e a curto prazo, a pancreatite crônica é uma condição de longa duração, na qual a glândula pancreática é substituída por tecido fibroso. 

Pancreatite aguda e crônica

Fonte: Canva.com

Neste artigo, iremos nos aprofundar nas causas, sintomas, complicações e tratamento nutricional da pancreatite aguda e crônica. Confira!

O que leva a pessoa ter pancreatite?

As principais causas da pancreatite são os cálculos biliares e o consumo abusivo de álcool.

Os cálculos biliares causam inflamação do pâncreas, à medida que ficam presos na alça biliar ou no ducto pancreático. Já o álcool estimula o órgão a produzir e liberar enzimas digestivas em quantidades anormais, que se acumulam e geram a pancreatite. Alguns cientistas sugerem que doses a partir de 80 g/d de álcool, por 6 anos, seja uma causa da pancreatite crônica.

Outras causas comuns das pancreatites são:

  • Doenças pancreáticas genéticas
  • Fibrose cística
  • Medicamentos
  • Infecções
  • Lesões abdominais
  • Câncer de pâncreas
  • Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) 
  • Altos níveis de gorduras ou cálcio no sangue
  • Bloqueios no ducto pancreático

Quais são os sintomas da pancreatite aguda e crônica?

O principal sintoma da pancreatite aguda e crônica é a dor na parte superior do abdômen, que pode se espalhar para as costas. Diarréia, náusea e vômito também são sintomas dessa enfermidade.

Na pancreatite aguda, outros sintomas também incluem batimento cardíaco acelerado e abdômen inchado ou sensível. Geralmente, pessoas com pancreatite aguda se sentem gravemente doentes e precisam consultar um médico imediatamente.

Já na pancreatite crônica, pode-se haver fezes gordurosas e com mau cheiro, bem como uma perda de peso acentuada. A dor abdominal pode tornar-se constante e grave, piorando depois de comer. Por isso, o paciente pode criar uma inibição ao momento das refeições.

Complicações da pancreatite aguda e crônica

Tanto a pancreatite aguda quanto a crônica podem levar a complicações. São exemplos:

  • Estreitamento ou bloqueio em um ducto biliar ou pancreático
  • Vazamento do ducto pancreático
  • Pseudocistos pancreáticos
  • Insuficiência cardíaca, pulmonar ou renal

Cerca de dois terços dos pacientes com pancreatite aguda apresentam um curso leve da doença com melhora rápida. Porém, o restante dos pacientes podem desenvolver complicações locais (necrose e/ou acúmulo de líquidos que podem estar infectados), e/ou falência de órgãos, associadas à maior morbimortalidade. 

Além disso, episódios repetidos de pancreatite aguda podem levar à pancreatite crônica. Esta, por sua vez, associa-se a complicações específicas, como má digestão e absorção, desnutrição, diabetes, osteopenia e osteoporose, fraturas ósseas e câncer de pâncreas.

Recomendações nutricionais da pancreatite aguda

Por se tratar de um quadro agudo, o tratamento nutricional da pancreatite aguda é centrado principalmente na terapia nutricional. 

Nesse sentido, a alimentação por via oral deve ser priorizada nas primeiras 24 a 72 horas. Entretanto, alguns pacientes podem não tolerar essa via, portanto, a nutrição enteral está indicada. A NE nasogástrica é a primeira opção, mas, no caso de gastroparesia ou obstrução gástrica ou duodenal, recomenda-se a NE nasojejunal.

Na pancreatite aguda, especialmente moderada a grave, a inflamação e as complicações sépticas aumentam o metabolismo; o gasto energético pode ser 139% daquele previsto pela equação de Harris-Benedict. Portanto, orienta-se elevar a oferta calórica e proteica. 

Recomendações nutricionais da pancreatite crônica

Assim como na pancreatite aguda, pacientes com pancreatite crônica necessitam de um maior requisito energético, a fim de equilibrar a potencial má absorção e a baixa ingestão calórica. Em um indivíduo de 70 kg, uma ingestão de 2.800 a 3.000 kcal/d é recomendada. 

Da mesma forma, orienta-se uma ingestão proteica adequada, de 1 a 1.5 g/kg/d, prevenindo a desnutrição.

Além disso, manter uma dieta com ingestão baixa a moderada de fibras irá prevenir que as fibras reduzam a eficácia do tratamento com enzimas e piorem a má absorção.

Em seguida, um problema comum na pancreatite crônica é a redução dos níveis de vitaminas lipossolúveis (vitamina A, D, E e K). Portanto, deve-se haver medições frequentes desses nutrientes, rastreando e corrigindo prováveis deficiências. 

A suplementação de vitamina D deve ser considerada em pacientes com osteopatia (osteopenia e osteoporose), especialmente se houver história de fraturas ósseas.

Uma recomendação comum na pancreatite crônica é a dieta com baixo teor de gordura (30 a 50 g/dia). Entretanto, restrições dietéticas excessivas podem piorar a desnutrição. Sendo assim, uma dieta low-fat é recomendada apenas a curto prazo, para pacientes com dor abdominal e nas costas.

Caso contrário, o paciente pode tolerar até 30 a 40% do VET como gordura, especialmente de fontes vegetais.

Por fim, também indica-se o consumo de polifenóis, pois estes compostos podem ter um papel na melhoria de doenças inflamatórias, através da regulação e gestão de espécies reativas de oxigénio (ROS) e imunomodulação.  Contudo, a evidência sobre polifenóis nas doenças pancreáticas ainda é limitada.

Conclusão

A pancreatite é uma condição complexa, que pode se resolver a curto prazo (pancreatite aguda) ou perdurar por anos (pancreatite crônica). 

As recomendações nutricionais para pancreatite aguda é a oferta adequada da terapia nutricional, atendendo aos requisitos calóricos e proteicos. Já a pancreatite crônica conta com orientações dietéticas mais específicas, como a suplementação de vitaminas lipossolúveis e o consumo de polifenóis.

Além da nutrição outras modificações de estilo de vida também estão indicadas para os pacientes de pancreatite aguda e crônica: cessar o tabagismo e o consumo de bebidas alcóolicas. Por fim, o tratamento tradicional, como fármacos e cirurgias, não pode ser esquecido.

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Referências:

Cañamares-Orbís P, García-Rayado G, Alfaro-Almajano E. Nutritional Support in Pancreatic Diseases. Nutrients. 2022 Oct 31;14(21):4570. doi: 10.3390/nu14214570. PMID: 36364832; PMCID: PMC9656643.

Definition & Facts for Pancreatitis. National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney  Diseases.

Shimizu K, Ito T, Irisawa A, Ohtsuka T, Ohara H, Kanno A, Kida M, Sakagami J, Sata N, Takeyama Y, Tahara J, Hirota M, Fujimori N, Masamune A, Mochida S, Enomoto N, Shimosegawa T, Koike K. Evidence-based clinical practice guidelines for chronic pancreatitis 2021. J Gastroenterol. 2022 Oct;57(10):709-724. doi: 10.1007/s00535-022-01911-6. Epub 2022 Aug 22. PMID: 35994093; PMCID: PMC9522716.

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