DHA: uma gordura essencial nos primeiros anos de vida

Postado em 8 de maio de 2019 | Autor: Mário Cícero Falcão

Presente no ômega 3, descubra agora a real importância do DHA para a saúde cerebral do bebê

Mário Cícero Falcão

Mário Cicero Falcão* é especialista em Pediatria com atuação em Nutrologia Pediátrica

Você pode ainda não ter ouvido falar sobre ele, mas não tem problema, vou explicar: o DHA (ácido docosaexaenoico) é um ácido graxo polinsaturado de cadeia longa que pertence à família dos ômegas 3, cujos principais componentes são o ALA (ácido alfa-linolênico), o EPA (ácido eicosapentaenoico) e, claro, o já apresentado DHA.

Também é preciso dizer que o DHA é a principal gordura para o desenvolvimento da criança. Ele é preferencialmente incorporado na composição da massa cerebral e da retina no último trimestre da gestação e nos dois primeiros anos de vida do bebê. No caso da retina, ele é capaz de auxiliar o processo de transformação do sinal luminoso em elétrico para que haja uma visão normal.

O DHA é considerado essencial para uma função cerebral normal, sendo o principal ácido graxo presente na substância cinzenta do cérebro, correspondendo a 15% da composição total de ácidos graxos no córtex frontal humano.

Ainda, ele atua nos neurotransmissores, nas sinapses e na mielina, ou seja em todo o processo de comunicação dos neurônios, auxiliando no desenvolvimento cognitivo da criança.

E as fontes naturais de DHA são os peixes de água fria, como salmão, cavala, arenque anchova, atum, bacalhau etc. Porém, é importante salientar que alimentos de origem vegetal não contêm DHA, mas sim o seu precursor que é o ácido alfa-linolênico.

E quanto é preciso consumir para garantir todos esses benefícios? A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a ingestão mínima de 200 mg de DHA por dia para gestantes e mulheres que estejam amamentando, seja na forma de alimentos fontes ou em cápsulas, como suplementação. Já para as crianças, a OMS recomenda a ingestão diária mínima de 100 mg entre 2 e 4 anos de idade e de 150 mg diárias entre 4 e 6 anos, seja na ingestão de alimentos fontes ou suplementação.

Mas fica a minha dica final: antes de começar a fazer uso de DHA, converse com seu médico e nutricionista de confiança. Somente assim você vai conseguir esclarecer suas dúvidas e ter um acompanhamento nutricional adequado para você e para o seu bebê.

*Mário Cícero Falcão é Doutor em Pediatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Professor colaborador do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Especialista em Pediatria com área de atuação em Nutrologia Pediátrica pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Especialista em Nutrição Parenteral e Enteral pela BRASPEN. Médico da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da FMUSP. Editor associado da Revista Brasileira de Nutrição Clínica. Editor executivo da Revista Paulista de Pediatria. Coordenador da Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional (EMTN) do Hospital Santa Catarina, São Paulo. Membro do Departamento de Suporte Nutricional da Sociedade Brasileira de Pediatria. Membro do Departamento de Nutrologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

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