Mulher com câncer de mama pode amamentar? 4 mitos e verdades sobre a doença e o aleitamento

Postado em 21 de outubro de 2019 | Autor: Redação Nutritotal

Veja o que os médicos confirmam sobre a relação entre amamentação e o tratamento da doença

Será que a mulher que tem câncer de mama pode amamentar? Será que alimentar o bebê no peito aumenta o risco da doença? Essas são algumas dúvidas comuns acerca da amamentação e do câncer de mama, o segundo tipo de tumor que mais afeta as mulheres em todo o mundo, ficando apenas atrás do câncer de pele, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

De fato, algumas adaptações na amamentação podem ser indicadas às pacientes e seus bebês. Isso porque o tratamento da doença pode envolver processos como cirurgias, radioterapias e quimioterapias, que podem interferir no aleitamento por um tempo.

Mas para tirar essas dúvidas e entender, realmente, se a mulher com câncer de mama pode amamentar, confira as informações a seguir. A fim de esclarecer o assunto, separamos quatro mitos e verdades a respeito da relação entre amamentação e esse tipo de tumor:

4 mitos e verdades sobre amamentação e câncer de mama

Esclareça as fake news sobre essa relação e mantenha-se informado.

Mulher amamentando bebê

A gestação e a amamentação são considerados fatores preventivos do câncer de mama | Imagem: Shutterstock

Amamentar pode aumentar o risco da doença

Mito. Segundo um estudo publicado no American Institute of Cancer Research, a amamentação é capaz de reduzir o risco de câncer de mama na pós-menopausa. Outros fatores que podem ajudar a diminuir o risco incluem evitar bebidas alcoólicas, praticar atividade física moderada e seguir uma alimentação saudável com acompanhamento nutricional.

Quem tem câncer de mama não pode amamentar

Verdade. Um artigo divulgado na National Library of Medicine cita que alguns especialistas não recomendam à mulher a amamentar durante o tratamento radioterápico do câncer de mama, pois o efeito de sucção da criança pode aumentar as toxinas da pele nas mamas tratadas.

Segundo o oncologista Ricardo Caponero, em geral, o recomendado é não amamentar. Ele explica que o problema nesse caso não é o câncer em si, mas os tratamentos realizados. Muitos dos medicamentos utilizados podem suprimir a lactação, ou podem ser secretados no leite materno, com efeitos ainda não estudados sobre os bebês. “Quimioterápicos podem atingir altas concentrações no leite materno, com efeitos desconhecidos sobre as crianças. Em resumo, a recomendação é que durante o tratamento do câncer de mama as mulheres não amamentem”, adverte.

Quem realiza tratamento de radioterapia exclusiva pode amamentar

Parcialmente verdade. Caponero afirma que, no caso de mulheres que tenham sido operadas e estejam em tratamento radioterápico exclusivo, a amamentação eventualmente pode ser possível. “Como o efeito da radioterapia é local, desde que seja confortável para a paciente, a mama do lado oposto à que está sendo tratada pode ser utilizada para a amamentação, desde que não estejam sendo realizados tratamentos sistêmicos”, pondera o oncologista.

Mulheres negras têm maior risco de terem a doença

Verdade. Um estudo feito pelo Centro de Controle de Doenças dos EUA avaliou os riscos de câncer de mama em mulheres negras. Os pesquisadores concluíram que as mulheres negras não apenas têm taxas mais baixas de amamentação em comparação com as mulheres brancas, mas também são desproporcionalmente afetadas pelo câncer de mama triplo-negativo, um subtipo que pode ser considerado mais agressivo. Vale salientar que os números não têm uma relação direta com fatores genéticos e estão relacionados à falta de políticas públicas e de orientação da importância da amamentação para as mulheres negras, fazendo com que o risco seja maior neste grupo justamente por causa das baixas taxas de amamentação.

Veja também: 4 hábitos alimentares que podem afastar o risco do câncer de mama

 

Este conteúdo não substitui a orientação de um especialista. Agende uma consulta com o nutricionista de sua confiança.

Referências bibliográficas:

Ricardo Caponero é oncologista com formação na Faculdade de Medicina da USP. Possui residência em radioterapia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, é mestrado em “Master en Oncología Molecular” – Centro Nacional de Investigaciones Oncológicas – CNIO – Madri – Espanha.

Drugs and Lactation Database. Bethesda (MD): National Library of Medicine (US); 2006-. Radiotherapy. [Updated 2018 Dec 3].

American Institute of Cancer Research, 2017.

Instituto Nacional de Câncer (INCA), 2019.

Anstey E. et al. Breastfeeding and Breast Cancer Risk Reduction: Implications for Black Mothers. Centers for Disease Control and Prevention, Atlanta, Georgia, 2018.

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